Home DESTAQUE Caso de xenofobia envolvendo Bobadilla, do São Paulo, termina em acordo com medidas educativas

Caso de xenofobia envolvendo Bobadilla, do São Paulo, termina em acordo com medidas educativas

Meio-campista do Tricolor aceitou acordo após ofensas xenofóbicas contra jogador do Talleres, durante partida da Copa Libertadores de 2025

Luiz Gustavo Moreira
No jornalismo desde 2011, já foi setorista do Botafogo e do Fluminense pelo Lance! e depois trabalhou em assessorias de imprensa. Respira esporte desde a infância e acompanha todo tipo de competição, principalmente se for de futebol, basquete ou futebol americano.
Caso de xenofobia envolvendo Bobadilla, do São Paulo, termina em acordo com medidas educativas

Bobadilla, volante do São Paulo (Crédito: Paulo Pinto/São Paulo FC)

O caso envolvendo uma acusação de xenofobia por parte do jogador Damián Bobadilla teve um novo desdobramento na Justiça brasileira. O meio-campista do Tricolor firmou um acordo com o Ministério Público após as ofensas direcionadas ao jogador Miguel Navarro, do Talleres, em partida da Copa Libertadores, disputada no ano passado.

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A decisão foi aceita nesta sexta-feira e estabelece que o atleta cumpra uma série de medidas socioeducativas. Com isso, se todas as exigências forem cumpridas, a Justiça encerrará o caso sem abrir um processo criminal.

O episódio ocorreu durante o confronto entre as equipes pela competição continental, quando o jogador utilizou uma expressão ofensiva ao se referir ao adversário.

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Entenda o caso de xenofobia de Bobadilla

Durante a partida da Libertadores, Bobadilla chamou o jogador de “venezuelano morto de fome”. Após ouvir a declaração, Navarro denunciou o ocorrido ao árbitro chileno Piero Maza.

Contudo, diante da situação, o juiz da partida chegou a interromper o jogo por alguns minutos. Posteriormente, as autoridades brasileiras registraram oficialmente o episódio e investigaram o caso.

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Depois da vitória por 2 a 1 do Tricolor, a Delegacia de Repressão aos Delitos de Intolerância Esportiva (DRADE) indiciou o jogador e enquadrou o caso como injúria racial.

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Medidas educativas impostas pela Justiça

O acordo firmado no caso determina que o atleta cumpra algumas obrigações educativas. Entre elas, está a participação em aulas sobre xenofobia e discriminação.

Além disso, o jogador deverá gravar quatro vídeos curtos explicando o que aprendeu sobre o tema. O clube produzirá um material com cerca de dois minutos de duração e o divulgará posteriormente.

Outra medida estabelecida é a visita ao Museu da Imigração, localizado no bairro da Mooca, em São Paulo.

Doações e publicações nas redes sociais

Além das atividades educativas, Bobadilla terá que realizar uma doação de aproximadamente R$ 61 mil em livros. O clube destinará o material à Coordenação de Políticas para Imigrantes e Promoção do Trabalho Decente.

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O acordo também prevê a publicação de quatro mensagens contra a xenofobia nas redes sociais do atleta. O jogador deverá fazer as postagens a cada 30 dias, com conteúdo previamente aprovado pelo Ministério Público.

Portanto, caso ele cumpra todas essas medidas, a Justiça encerrará o processo sem ação penal.

Punição anterior e legislação brasileira

Antes mesmo do acordo judicial, a Conmebol já havia punido Bobadilla. Portanto, a entidade aplicou uma multa de US$ 15 mil ao atleta por comportamento considerado ofensivo e contrário aos valores da competição.

No Brasil, casos de xenofobia no futebol costumam ser enquadrados como injúria racial, crime previsto no artigo 140 do Código Penal.

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Desde decisão do STF em 2023, esse tipo de conduta foi equiparado ao racismo. Dessa forma, a punição pode chegar a até cinco anos de prisão.

Segundo o promotor responsável pelo caso, Danilo Keiti Goto, medidas educativas são importantes para combater esse tipo de comportamento no ambiente esportivo.

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