Mourinho no confronto com o Real Madrid. Foto: Bruno De Carvalho/SOPA Images via ZUMA Press Wire
O Benfica volta a campo nesta segunda-feira, pelo Campeonato Português, diante do Gil Vicente, ainda sob os reflexos da eliminação na Champions League. No entanto, o assunto dominante na coletiva pré-jogo não foi o adversário, mas a acusação de racismo envolvendo o jovem Prestianni, citada por Vini Jr. e Kylian Mbappé após confronto europeu recente.
Antes mesmo das perguntas dos jornalistas, José Mourinho decidiu abordar o tema diretamente. O treinador afirmou repudiar qualquer forma de discriminação, mas ressaltou que não pretende fazer julgamentos antecipados enquanto a investigação segue em andamento.
“Antecipo-me e digo que repudio qualquer tipo de discriminação, preconceito e ignorância. Aconselho todos a lerem a Declaração Universal dos Direitos Humanos. As críticas refletem mais quem as faz do que o criticado”, declarou.
Presunção de inocência como ponto central
Durante a coletiva, Mourinho citou repetidamente o artigo 11 da Declaração Universal dos Direitos Humanos, destacando o princípio da presunção de inocência. Segundo o técnico, qualquer avaliação definitiva só deve ocorrer após a conclusão das apurações conduzidas pela Uefa.
“Quero ser imparcial num caso que pode ser de grande gravidade. A presunção de inocência é um direito. Como cidadão, repudio qualquer tipo de preconceito, mas não posso condenar antes dos fatos serem provados”, afirmou.
O treinador reforçou que prefere manter equilíbrio e evitar posicionamentos que defendam automaticamente qualquer lado.
Mourinho promete postura firme em caso de culpa comprovada
Apesar do tom cauteloso, Mourinho deixou claro que mudará completamente sua posição caso a investigação confirme irregularidades por parte do jogador argentino. O treinador afirmou que valores pessoais e institucionais do clube não permitem tolerância com atitudes discriminatórias.
“Se o meu jogador não respeitou estes princípios, que são os meus e do Benfica, a sua carreira comigo chega ao fim. Se for culpado, não voltarei a olhar para ele como tenho olhado”, declarou.
O técnico também criticou indiretamente a decisão da Uefa de suspender o atleta antes da conclusão definitiva do caso. Segundo ele, a entidade deveria ter reforçado o caráter provisório da medida enquanto os fatos seguem sob análise.
“Tenho de colocar muitos ‘ses’ à frente. A presunção de inocência precisa existir até que tudo seja esclarecido”, acrescentou.
Troca de camisa também vira tema na coletiva
Outro ponto abordado foi a repercussão envolvendo Sidny Cabral, jogador do Benfica que pediu a camisa de Vini Jr. após a partida. O episódio gerou críticas entre torcedores nas redes sociais, especialmente pelo contexto da polêmica. Mourinho adotou um tom moderado ao comentar a situação.
“A questão da camisa não é criticável, mas era evitável. Trocar camisas é algo normal, ainda mais em jogos grandes, com jogadores que admiram uns aos outros”, explicou.
Segundo o treinador, o contexto emocional da semana transformou um gesto comum em motivo de debate. Ainda assim, ele tratou o episódio como aprendizado dentro do ambiente competitivo.

