JP Magalhães pelo Botafogo. Foto: Brazil Photo Press/Alamy Live News
A crise nos bastidores do Botafogo ganhou um novo capítulo após a divulgação da possível venda da SAF em um jornal internacional. O episódio provocou reação imediata da diretoria associativa, que acompanha de perto os desdobramentos financeiros e jurídicos envolvendo o clube.
O caso envolve disputas entre investidores, credores e dirigentes. Ao mesmo tempo, levanta dúvidas sobre a condução do processo e seus impactos na imagem do Botafogo.
Anúncio no exterior causa desconforto
O presidente do associativo, João Paulo Magalhães, criticou a forma como a negociação veio a público. Em entrevista, ele deixou claro o incômodo com a exposição internacional do tema.
“A gente tem acompanhado atentamente essa briga internacional. É desagradável estar nos classificados da Inglaterra, uma situação muito chata”, afirmou.
Apesar da crítica, o dirigente reconheceu o contexto do processo. “Mas é parte do rito que o administrador judicial tem que fazer para colocar os ativos na rua, como se costuma dizer, para tentar ter ofertas e pagar os credores”, completou.
Associativo tenta proteger interesses do clube
O grupo associativo, que possui participação minoritária na SAF, intensificou sua atuação nos últimos dias. Com cerca de 10% das ações, o segmento busca preservar os interesses institucionais do clube.
Magalhães destacou que mantém diálogo com diferentes envolvidos. Entre eles, está o empresário John Textor, que liderou a gestão recente.
“Mantemos um diálogo com todas as partes, com o dono da SAF, John Textor, seus sócios, os administradores…”, explicou.
Na sequência, ele reconheceu a importância do investidor, mas apontou falhas na condução recente. “O Textor é uma pessoa que fez muito pelo Botafogo. Já tive uma conversa com ele, ele fez uma decisão errada de comprar o Lyon, o que gerou um buraco de caixa na empresa dele”, disse.
Decisões financeiras ampliam crise
Segundo o dirigente, os problemas se agravaram com o tempo. “Virou uma bola de neve e nos atingiu. Meu dever é proteger o Botafogo da melhor maneira”, declarou.
Ainda assim, ele afastou qualquer cenário mais grave em relação ao clube. “O risco de o Botafogo acabar não existe, não é nem caso de falar isso. O Botafogo é imortal”, afirmou.
As declarações reforçam o momento de tensão nos bastidores. Ao mesmo tempo, mostram a tentativa de tranquilizar torcedores e parceiros.
Venda envolve holding internacional
A oferta da SAF foi divulgada por uma empresa responsável pela reestruturação da holding que controla o clube. Além do Botafogo, outros ativos também foram colocados à venda no mercado internacional.
A medida ocorre após movimentação de credores, que acionaram mecanismos legais no exterior. Com isso, administradores independentes passaram a conduzir o processo.
Nesse cenário, John Textor perdeu funções dentro da holding. Ainda assim, ele segue à frente da SAF no Brasil por decisão judicial.
Impasse segue sem definição
Enquanto o processo avança fora do país, o cenário interno continua indefinido. Textor tenta realizar novos aportes financeiros, mas enfrenta resistência do associativo.
A proposta recente não foi aprovada, o que ampliou o impasse entre as partes. Com isso, a resolução do caso segue sem prazo claro.
Nos bastidores, o ambiente permanece de cautela. Isso porque a disputa envolve interesses distintos e mantém o futuro da SAF em aberto.

