Osmar Stabile entrou no Corinthians em agosto e tenta organizar as finanças do clube (Crédito: Brazil Photo Press/Alamy Live News)
O Corinthians deu início ao pagamento do Regime Centralizado de Execuções (RCE), considerado um dos principais pilares do plano de recuperação financeira do clube. Porém, apesar dos primeiros depósitos realizados, a dívida do Corinthians no RCE aumentou e já alcança R$ 224,9 milhões.
Nas duas primeiras parcelas do acordo homologado pela Justiça, o clube desembolsou R$ 5,2 milhões. Mesmo assim, a incidência de juros, especialmente pela correção via Selic, fez o passivo crescer nos últimos meses.
Inicialmente, em abril de 2025, a lista apresentada pela diretoria contabilizava R$ 190,8 milhões em dívidas ligadas a processos judiciais em execução. No entanto, poucos meses depois, em setembro, o montante já havia subido para R$ 192,7 milhões.
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Pagamentos começaram após aprovação do plano
O plano do RCE foi aprovado judicialmente em janeiro deste ano. A partir disso, o Corinthians começou oficialmente os pagamentos em março, utilizando como base o percentual das receitas recorrentes obtidas no mês anterior.
Naquele momento, a dívida corrigida já alcançava R$ 227,9 milhões. Segundo a Diretoria Financeira, o crescimento ocorreu principalmente devido à atualização monetária pela taxa Selic.
Além disso, mesmo com questionamentos feitos por alguns credores sobre os cálculos apresentados em 2025, o clube sustenta que os números refletem apenas a atualização legal das pendências.
Em março, o pagamento da primeira parcela, no valor de R$ 2,5 milhões, reduziu o passivo para R$ 225,3 milhões.
Entretanto, no mês seguinte, os juros fizeram a dívida subir novamente para R$ 227,6 milhões. Após a segunda parcela, de R$ 2,6 milhões, o valor total caiu para os atuais R$ 224,9 milhões.
Lista reúne 23 credores e 32 processos judiciais
Ademais, a atual dívida do Corinthians no RCE envolve 32 processos judiciais relacionados a 23 credores diferentes.
Entre os maiores valores aparece o empresário Giuliano Bertolucci, que sozinho possui saldo superior a R$ 76,9 milhões a receber do clube.
Além disso, empresas ligadas ao mercado esportivo, agências de intermediação e fornecedores também integram a relação.
Veja os 10 maiores credores do Corinthians no RCE
1. Giuliano Pacheco Bertolucci
R$ 76.961.241,59
2. Talents Sports Ltda
R$ 24.911.765,35
3. Fair Play Football Association Participações Ltda
R$ 21.844.210,62
4. Pixbet Soluções Tecnológicas Ltda / Pixstar Brasilian N.V
R$ 20.083.089,42
5. RC Consultoria e Assessoria Esportiva Ltda
R$ 13.862.199,53
6. Link Assessoria Esportiva e Propaganda Ltda
R$ 13.253.064,12
7. Bertolucci Assessoria e Propaganda Esportiva Ltda
R$ 11.417.832,14
8. Pro Futebol Assessoria Administrativa Ltda
R$ 9.511.492,49
9. Andre Cury Marduy
R$ 8.317.526,14
10. Nacional Atlético Clube
R$ 6.989.283,81
Plano prevê dez anos para quitação das dívidas
O RCE do Corinthians possui valor global estimado em aproximadamente R$ 450 milhões. Todavia, os R$ 191 milhões inicialmente apresentados correspondiam apenas aos processos que já estavam em fase de execução judicial.
O pacote inclui débitos com:
- empresários;
- fornecedores;
- jogadores;
- direitos de imagem;
- assessorias esportivas;
- prestadores de serviço.
Por outro lado, o plano não engloba dívidas tributárias nem o financiamento da Neo Química Arena junto à Caixa Econômica Federal.
O acordo firmado prevê prazo de dez anos para quitação total das pendências.
Além disso, os percentuais das receitas destinados ao pagamento serão progressivos:
- 4% das receitas recorrentes no primeiro ano;
- 5% no segundo;
- 6% a partir do terceiro ano.
Diretoria vê RCE como passo essencial para recuperação financeira
Primeiramente, a diretoria entende que o Regime Centralizado de Execuções representa uma ferramenta importante para reorganizar as contas do clube.
Com o plano em vigor, o Timão evita os bloqueios constantes em contas bancárias. Assim sendo, a avaliação dos dirigentes é que o sistema oferece maior previsibilidade financeira e cria condições para um planejamento mais sustentável no futuro.
Atualmente, a dívida bruta total do clube gira em torno de R$ 2,7 bilhões, cenário que transformou a reestruturação financeira em uma das prioridades máximas da gestão alvinegra.

