Home Futebol 32 clubes ingleses teriam caixa para menos de um mês sem aportes dos donos; entenda

32 clubes ingleses teriam caixa para menos de um mês sem aportes dos donos; entenda

Levantamento abrange as cinco primeiras divisões e mostra que 17 equipes teriam prejuízo mesmo sem pagar jogadores

Gabrielle Junqueira
Gabrielle Junqueira possui cerca de sete anos de experiência na área de jornalismo, com ênfase na produção de conteúdo para rádio, televisão e portais de notícias nacionais e internacionais. Formada em Jornalismo com ênfase em Multimídia pelo Centro Universitário UNA no ano de 2020. Atualmente, sua atividade principal reside na análise de partidas e do desempenho de equipes em seus respectivos campeonatos ao redor do mundo. Em sua trajetória profissional, Gabrielle também teve a oportunidade de atuar em meios de comunicação como a Associação Mineira de Rádio e Televisão (AMIRT), atendendo a mais de 400 emissoras do Estado.
32 clubes ingleses teriam caixa para menos de um mês sem aportes dos donos; entenda

Relatório aponta dependência de aportes e prejuízo. Foto: Action Plus Sports/Alamy Live News

O futebol inglês tem 32 clubes com caixa para menos de 30 dias caso os proprietários interrompam os aportes, afirmou David Kogan, presidente do Regulador Independente do Futebol (IFR). O alerta acompanha a divulgação, nesta terça-feira (13), da versão preliminar do relatório State of the Game, sobre a sustentabilidade financeira do setor.

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Além disso, o diagnóstico expõe uma contradição. As cinco primeiras divisões movimentaram aproximadamente £9 bilhões na temporada 2025/26, cerca de R$ 59,7 bilhões, mas 94% dos clubes operaram com prejuízo. As perdas somaram £1,7 bilhão, aproximadamente R$ 11,3 bilhões.

Vale destacar que o estudo abrange Premier League, Championship, League One, League Two e National League. Contudo, o problema alcança diferentes níveis da estrutura do futebol masculino inglês.

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O que significa ter caixa para menos de um mês?

O indicador mede a capacidade de manter as operações sem dinheiro novo dos donos. Isto é, a análise trata da resistência financeira dos clubes diante de uma interrupção desse apoio. O relatório registra que o IFR pediu informações financeiras a 112 equipes.

Entre as respostas, 29% indicaram que o clube não sobreviveria por mais de 30 dias sem novos aportes dos proprietários, já os outros 66% apontaram um limite de 90 dias. “Temos 32 clubes com menos de 30 dias de cobertura de caixa em suas contas”, afirmou Kogan à Sky Sports.

Inclusive, entre março de 2025 e março de 2026, 67 clubes receberam pelo menos seis injeções de recursos dos donos. Desse grupo, 28 tiveram 12 ou mais. A frequência mostra como o financiamento externo sustenta as despesas ao longo do ano.

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Crise vai além dos salários dos jogadores

Na sequência, o levantamento identifica 17 clubes da EFL, que reúne da segunda à quarta divisão, e da National League cujos custos fora do elenco superam toda a receita. Porém, essas equipes teriam prejuízo mesmo que seus jogadores atuassem de graça.

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Sendo assim, a desigualdade na arrecadação agrava o cenário, visto que a Premier League concentrou mais de 80% das receitas das cinco divisões, e seus seis maiores clubes responderam por 56% da receita da elite.

Aliás, conforme a Sky Sports, um clube médio da Premier League arrecada mais de oito vezes o valor de uma equipe média da Championship. Por isso, a diferença incentiva gastos arriscados na busca pelo acesso.

Os principais números ajudam a separar os problemas de receita, prejuízo e dependência dos proprietários. Veja abaixo:

IndicadorResultado
Receita das cinco primeiras divisões em 2025/26Aproximadamente R$ 59,7 bilhões
Prejuízo totalAproximadamente £ 1,7 bilhão
Clubes que operaram com prejuízo94%
Limite de sobrevivência sem novos aportes29% das respostas indicaram até 30 dias
Equipes deficitárias mesmo sem salários de jogadores17

Premier League defende acordo e regulador prepara licenciamento

Desta forma, o IFR propõe reforçar as reservas de caixa, exigir planos para a eventual retirada dos aportes e rever a distribuição de receitas. Kogan disse à Sky Sports que o objetivo é atuar antes que as vulnerabilidades se transformem em crises.

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Em comunicado oficial, a Premier League recebeu positivamente o relatório e defendeu uma solução negociada com a EFL. A liga afirmou que novos recursos precisam vir acompanhados de controles financeiros e que sua proposta atende aos objetivos apresentados pelo regulador.

Portanto, o IFR terá seu próprio regime de licenciamento. A Football Supporters’ Association também cobrou mudanças. A entidade que representa torcedores lembrou crises envolvendo Bury, Bolton, Wigan e Derby County e defendeu proteção duradoura para os clubes e suas comunidades.

Por fim, a janela para solicitar licenças provisórias ao IFR abre em 2 de novembro e vai até 26 de fevereiro de 2027. As exigências incluem finanças, governança, participação dos torcedores e recursos suficientes para operar.

Better Collective