Raphael Claus em arbitragem no Palmeiras x São Paulo (Foto: Cesar Greco/Palmeiras/by Canon)
A arbitragem profissional da CBF começa a se tornar realidade no futebol brasileiro. Na última sexta-feira, a entidade deu início à formalização do novo programa que pretende profissionalizar árbitros, assistentes e árbitros de vídeo (VAR). Ao todo, 72 profissionais receberam contratos e, após a assinatura, passam a ter direito a salário fixo mensal já a partir de março de 2026.
Além disso, o novo modelo prevê remuneração variável conforme o número de partidas trabalhadas. Dessa forma, os valores adicionais começam a ser pagos a partir da sexta rodada do Brasileirão, conforme a escala de cada árbitro. A Confederação informou ainda que os pagamentos serão realizados até o décimo dia útil de cada mês.
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Novo modelo centraliza pagamento das taxas de arbitragem
Uma das principais mudanças na arbitragem profissional da CBF envolve a forma de pagamento das taxas de arbitragem. A partir do novo sistema, os clubes deixam de pagar diretamente aos árbitros escalados para cada partida.
Em vez disso, os clubes passarão a destinar os valores à CBF, que os administrará por meio do Fundo Anual de Desenvolvimento da Arbitragem. Esse fundo receberá as taxas recolhidas em cada jogo.
Posteriormente, a CBF ficará responsável por distribuir os pagamentos aos profissionais. Além disso, os recursos também serão utilizados para investimento na formação e desenvolvimento da arbitragem brasileira, incluindo programas de capacitação e modernização da atividade.
Seminário técnico abre temporada da arbitragem
Paralelamente à formalização dos contratos, a entidade também convidou os 72 profissionais para o primeiro seminário técnico da temporada.
O encontro acontecerá na Granja Comary, em Teresópolis, entre os dias 31 de março e 3 de abril. Durante o evento, os árbitros participarão de treinamentos físicos, avaliações técnicas e debates sobre critérios de arbitragem.
Além disso, o seminário terá apresentações sobre novas ferramentas tecnológicas, métodos de trabalho e padronização de procedimentos. O objetivo é alinhar interpretações e melhorar o desempenho dos profissionais nas competições nacionais.
O presidente da Comissão de Arbitragem da CBF, Rodrigo Cintra, destacou a importância do projeto. Segundo ele, a profissionalização representa um antigo desejo da categoria.
– A profissionalização é algo que todas as gerações da arbitragem de futebol desejavam e sonhavam.
Salários da arbitragem profissional da CBF
Os profissionais contratados atuarão como pessoa jurídica. Apesar disso, a entidade determina que a arbitragem tenha prioridade nas atividades profissionais, embora não exista exigência de exclusividade.
Os valores variam conforme a categoria e a credencial do árbitro.
Confira os principais salários:
- Árbitro central FIFA: salário fixo de R$ 22 mil + R$ 5,5 mil por partida
- Árbitro central CBF: salário fixo de R$ 16 mil + R$ 4 mil por jogo
- Assistentes e VAR FIFA: salário fixo de R$ 13,2 mil + R$ 3,3 mil por partida
- Assistentes CBF: salário fixo de R$ 10 mil + R$ 2,5 mil por jogo
Além disso, os profissionais também poderão receber bônus por desempenho, embora a entidade ainda não tenha divulgado os critérios ou valores.
Critérios para escolha dos árbitros profissionais
A seleção dos primeiros integrantes da arbitragem profissional da CBF seguiu três critérios principais:
- Ter credencial FIFA ou CBF
- Maior número de escalas na Série A em 2024 e 2025
- Melhor média nas avaliações de desempenho da CBF
Entre os nomes escolhidos estão árbitros conhecidos do futebol brasileiro, como Anderson Daronco, Raphael Claus e Wilton Sampaio.
Investimento milionário e novas tecnologias
A implementação do projeto também envolve investimento significativo. Segundo cálculos da entidade, o custo total com arbitragem no biênio 2026/2027 deve chegar a aproximadamente R$ 195 milhões.
Além disso, outra novidade prevista é a introdução da tecnologia de impedimento semiautomático. Embora ainda não haja data definida para a estreia no Brasileirão, a entidade já reservou cerca de R$ 25 milhões no orçamento para o sistema.
O contrato previsto terá duração de dois anos e deve contemplar partidas da Série A do Campeonato Brasileiro e da Copa do Brasil.
Com essas mudanças, a CBF pretende modernizar a arbitragem nacional e aproximar o Brasil dos modelos adotados em ligas da Europa e da América do Norte.

