Ana Paula de Oliveira recorda de eliminação do Botafogo e crítica ex-dirigente: “Foi uma manifestação de machismo grosseira”

Ex-assistente de arbitragem, Ana Paula falou sobre a polêmica partida entre Botafogo e Figueirense em 2007

Matheus Expedito
Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero. 22 anos. Amante do esporte bem jogado e admirador de boas histórias.

Crédito: Reprodução / TV Gazeta

Figura importante da arbitragem brasileira no início do século, a paulistana Ana Paula de Oliveira reapareceu nesta semana no programa Mesa Redonda, da TV Gazeta. A ex-árbitra foi entrevistada no quadro “Paredão” e revelou coisas importantes de sua carreira dentro das quatro linhas.

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O principal assunto da conversa sem dúvidas foi sobre a polêmica arbitragem de Botafogo contra Figueirense, nas semifinais da Copa do Brasil de 2007. Naquela partida, a então assistente marcou impedimento em dois gols marcados pelo Glorioso. Segundo especialistas na época, Ana Paula cometeu um erro grave no primeiro lance, mas acertou no segundo.

“Não destruiu meus sonhos e olha onde eu estou hoje. Mas foi um momento decisivo da minha trajetória, sem dúvidas”, disse a ex-assistente após ser questionada se o lance destruiu sua carreira na arbitragem.

Lembrando que aquela partida marcou a eliminação do clube carioca na competição nacional. Após o jogo, o vice-presidente do Botafogo na época, Carlos Augusto Montenegro, reagiu com uma série de comentários machistas contra Ana Paula de Oliveira. Ela comentou sobre casos de machismo que sofreu durante o exercício da profissão e relembrou das falas do ex-dirigente botafoguense.

“Não o jogo em si e nem como a torcida reagiu. Mas sim como o dirigente reagiu. Você vê um representante da equipe, que tem voz, que vai para sua torcida, e que fala o que ele falou, isso sim foi, para mim, uma manifestação de machismo grosseira, infeliz e que me fez repensar muitas coisas. Entre elas, a permanência ou não no campo de jogo. Continuei por dois anos, mas com o falecimento do meu pai, aquilo que era dúvida se tornou uma certeza”, desabafou sem mencionar o nome do diretor.

Capa da Playboy:

Muitos não se lembram, mas a ex-bandeirinha foi capa da revista masculina Playboy. Passados os anos desse episódio, Ana Paula afirmou que não se arrepende de ter posada nua e também acredita que não interferiu no relacionamento com outros profissionais.

“Acredito que a revista foi um marco, porque eu ganhei notoriedade não apenas no futebol, mas também para fora do esporte. Hoje como instrutora internacional, fazendo eventos internacionais, tem alguns árbitros que me perguntam, sempre com muito respeito e admiração. Acredito que o que interferiu pode ter sido a cabeça de profissionais e pessoas, que me julgaram pelo que eu fiz, mas no meu dia-dia e na minha atuação, não interferiu em nada. Inclusive ajudou a dar uma condição melhor à minha família”, completou.

Novos projetos:

No final do ano passado, Ana Paula de Oliveira aceitou o convite para ser presidente da Comissão de Arbitragem da Federação Paulista de Futebol (FPF). Com isso, ela se tornou a primeira mulher a ocupar o cargo. Seu vice é Emerson Augusto de Carvalho, que participou das últimas duas edições da Copa do Mundo.

assume presidência da Comissão de Arbitragem da FPF

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