Brasileiro na NFL: Otávio Amorim fala sobre Undiscovered e vaga na liga

Depois de passar por rigorosos – e disputados – testes, brasileiro conseguiu uma das nove vagas para o reality NFL Undiscovered, que acontece em Miami e pode dar vaga na liga

Danilo Lacalle
Jornalista de formação, e atleta por opção. Especialista em esportes americanos e apaixonado por esportes radicais.

Crédito: Reprodução/Instagram (@fast__rhino77)

5.451 quilômetros separam a cidade de Rondonópolis, Mato Grosso, de Miami, na Flórida. E é na cidade americana que vai acontecer mais uma edição do NFL Undiscovered, programa que dá a chance de 9 atletas de todo o mundo serem vistos por times da liga profissional de futebol americano, a NFL. Mas o que a cidade mato-grossense de pouco mais de 220 mil habitantes tem a ver com isso? É que de que lá saiu Otávio Amorim, ex-OL (offensive lineman) do T-Rex, e um dos selecionados para o reality que começa no início de 2020 e vai durar 3 meses, dando a oportunidade de mais um brasileiro jogar profissionalmente, nos Estados Unidos.

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“Recebi a notícia quando eu estava em Rondonópolis, com a minha família. E foi uma sensação inexplicável. Me senti um jogador de College quando são draftados (quando faculdades americanas têm atletas chamados à liga). Foi algo que nunca imaginei na minha vida”, disse Otávio Amorim.

Atualmente, apenas 2 brasileiros conseguiram a oportunidade de jogar na liga: Cairo Santos, ex-kicker do Kansas City Chiefs, Bears, Rams, Tampa Bay Buccanneers e Tennessee Titans, que atualmente é free agent (ou seja, livre no mercado); e Durval Queiroz Neto, o Duzão, que entrou pelo mesmo programa de Otávio e teve seu primeiro ano na liga em 2019, pelo Miami Dolphins. Como ainda está em um período de adaptação, o atleta está no Practice Squad. Que é uma etapa anterior de entrar para o elenco principal. Além disso, Duzão teve seu contrato renovado pela equipe. E é notória a sua evolução, desde então.

O Draft do NFL Undiscovered

O processo de seleção do programa não é fácil. E para Otávio, não foi diferente. O atleta passou por um combine, que é um teste de habilidades, realizado em São Paulo. Nele, estavam os melhores atletas do país. A partir daí, dois jogadores, coincidentemente do mesmo time, o T-Rex, foram selecionados para o segundo combine, que aconteceu na Alemanha: Otávio Amorim e Luis Polastri (este, linebacker que jogou o Brasil Bowl, em dezembro). E, neste segundo teste, foram reunidos os melhores atletas do mundo.

Otávio Amorim descobriu o futebol americano com o vídeo-game. Comprou um jogo do esporte e se apaixonou. Começou a assistir e nunca mais parou. Entrou no esporte jogando pelo Rondonópolis Hawks, em 2015. Depois, teve uma rápida passagem pelo Cuiabá Arsenal. E, em 2017, fez o que disse ser uma de suas maiores loucuras: largar seu estado e ir jogar em Santa Catarina, no T-Rex, em Timbó.

“Minha família sempre me apoiou. E meus pais são a minha base de tudo. Sair daqui de Rondonópolis para jogar no T-Rex, em Santa Catarina, foi uma loucura. Isso porque, infelizmente, o esporte no Brasil não é remunerado. Mas fui para lá por amor e por aprendizado. E tenho certeza que fui para a melhor escola para se aprender sobre futebol americano, por aqui. Pude aprender como atleta e como pessoa”, completa Amorim.

Mas se engana quem achou que o caminho do brasileiro ficou fácil, depois de entrar para o NFL Undiscovered. No programa, os 9 atletas disputarão entre si, mesmo sendo de diferentes posições, por vagas em times da liga. No teste principal, que acontece no final de toda a preparação, olheiros de todas as equipes estarão presentes.

Para o teste na Alemanha, Otávio se preparou durante um mês na TNT Sports, complexo de treinamento localizado na Carolina do Sul, nos Estados Unidos.

“Esse foi o mês mais intenso e mais desgastante da minha vida. Foi um mês de desgaste físico e mental, com idioma diferente, mas que valeu muito a pena. Tive que seguir um padrão de dieta de atletas de alto nível, e isso foi muito difícil para mim”, afirma.

A preparação para o programa

Antes de começar o programa, Otávio vai voltar ao complexo de treinamento americano para performar em alto nível. Isso porque sabe que será um treinamento puxado, durante 3 meses. “Meu objetivo é evoluir e ser o melhor de mim. Quero sempre fazer minha parte e, se entrar para um time, ajudar a equipe”, confessa. “Quero ser selecionado por algum time, depois quero entrar no rooster e, após isso, farei de tudo para ser um dos melhores na minha posição”, revela Otávio.

O atleta jogou no Brasil por muitos anos, assim como Duzão. E diz que ainda existem muitos jogadores que são do nível da Seleção Brasileira, e que podem, em um futuro, ter as mesmas oportunidades, como Andrei, Verdugo e Jesus. Todos do T-rex. “Sem clubismo”, diz Otávio. “É que esses caras dão muito trabalho”.

Além disso, o brasileiro conversa frequentemente com Durval Queiroz sobre diversos aspectos do programa e da liga. Como foi o primeiro a entrar na liga pelo modelo do reality, o jogador dos Dolphins tem muita experiência para passar.

“Ele abriu as portas para os próximos e já sabe o caminho para chegar lá. Tento me espelhar bastante no que o Duzão tem para passar”, afirma o Rondonopolitano.

Otávio está na busca de um sonho que milhares de brasileiros têm há anos. Estar na liga profissional de futebol americano, enquanto o esporte cresce cada vez mais no país.  “Continuem orando por mim, mandando energias positivas, que eu prometo fazer a minha parte e dar o meu máximo. Com certeza vou dar orgulho para minha cidade de Rondonópolis, para meu estado Mato Grosso e para os brasileiros”, afirma Amorim.

A determinação do mato-grossense faz com que os pouco mais de 5 mil quilômetros entre Rondonópolis e Miami sejam apenas uma distância para tomar impulso em direção a um salto ainda maior.

 

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