Confira como Rafael Dudamel pensa suas equipes e como ele pode melhorar o desempenho do Atlético-MG

Técnico de 47 anos tem a missão de recuperar o prestígio do Galo no cenário nacional; Dudamel vem de bons trabalhos na Seleção Venezuelana Sub-20, onde ficou com o vice-campeonato mundial em 2017

Luiz Ferreira
Produtor executivo da equipe de esportes da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, jornalista e radialista formado pela ECO/UFRJ, operador de áudio, sonoplasta e grande amante de esportes, Rock and Roll e um belo papo de boteco.

Crédito: Bruno Cantini / Agência Galo / Atlético-MG

O acerto do Atlético-MG com o venezuelano Rafael Dudamel pegou muita gente de surpresa. No entanto, a sua chegada ao Galo está bem longe de se tratar apenas de mais um grande clube correndo atrás de um treinador estrangeiro após o sucesso de Jorge Jesus no Flamengo. Dudamel mostrou estar bastante conectado com o que existe de mais moderno no futebol e montou equipes competitivas quando foi treinador da Seleção Venezuelana Sub-20 (chegando a um surpreendente vice-campeonato mundial em 2017) e na equipe principal chegando até a vencer a Argentina com um jogo coletivo quase perfeito. E isso sem mencionar o fato da sua Venezuela ter feito o Brasil de Tite suar litros na Copa América do ano passado. A sua principal missão é recolocar o Atlético-MG na briga por títulos como o Brasileirão, a Copa do Brasil e a Copa Sul-Americana. E Dudamel já provou que sabe montar equipes competitivas. Tudo com muita intensidade nas transições, forte marcação e alta velocidade.

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Rafael Dudamel se destacou como goleiro na Seleção Venezuelana e em equipes como o Deportivo Cali da Colômbia (onde foi vice-campeão da Libertadores em 1999 perdendo a final para o Palmeiras). Também ficou conhecido por ser um “goleiro-artilheiro”, tendo marcado 16 gols na sua carreira. Começou a carreira de treinador no Estudiantes de Mérida (da Venezuela) e pelas equipes de base da “Vinotinto”. Teve sucesso no Mundial Sub-20 em 2017 (onde revelou nomes como o meia Soteldo, atualmente no Santos) e comandava a equipe principal de seu país desde 2016. Com o tempo, seu estilo ficaria bem marcante: equipes fechadas e compactadas (geralmente no 4-1-4-1) com muita intensidade nas transições, velocidade nos contra-ataques e perseguições individuais em pequenas áreas do campo. Quem viu o empate sem gols entre Brasil e Venezuela na segunda rodada da fase de grupos da Copa América disputada no ano passado pôde notar um pouco do estilo e um pouco da maneira como Rafael Dudamel pensa o jogo.

Venezuela armada no 4-1-4-1 negando espaços e realizando pequenas perseguições individuais em determinados setores do campo. Os times de Rafael Dudamel primam pela compactação, pela forte marcação e alta intensidade nas transições. Foto: Reprodução / TV Globo

Um dos pontos mais altos da trajetória de Dudamel no comando da “Vinotinto” aconteceu no dia 22 de março de 2019. Foi nessa data que a Venezuela venceu a Argentina por 3 a 1 em partida disputada no Estádio Metropolitano de Madrid. Contando com nomes como Rondón, Murillo, Josef Martínez, Rincón e o já citado Soteldo, o treinador viu sua equipe dominar o meio-campo e aproveitar a péssima fase do seu adversário executando os movimentos do 4-1-4-1 com perfeição. Os meias que jogavam por dentro se revezavam no apoio ao ataque, os pontas perseguiam os laterais e apareciam na frente e o volante que ficava entre as linhas fazia a cobertura dos zagueiros quando estes saíam em perseguições individuais. O resultado, por si só, já era motivo de alegria: era apenas a segunda vitória da Venezuela sobre a Argentina em toda a história e a primeira vez que a Albiceleste levava três gols da “Vinotinto”. No entanto, o placar final mostrava que Rafael Dudamel havia conseguido colocar a seleção de seu país como protagonista. Não é pouca coisa.

A vitória da Venezuela sobre a Argentina por 3 a 1 em março de 2019 foi marcante pela atuação coletiva da “Vinotinto” e pela maneira como o resultado se desenhou. Rafael Dudamel colocou a seleção de seu país no papel de protagonista pela primeira vez na história. Foto: Reprodução / SporTV

Anunciado como o novo treinador do Atlético-MG nos primeiros dias de 2020, Rafael Dudamel vai fazer a sua estreia no comando do Galo nesta terça-feira (21) no jogo contra o Uberlândia, pelo Campeonato Mineiro. A escalação inicial bem como a estratégia a ser utilizada na partida só serão reveladas momentos antes do jogo, já que o técnico venezuelano prefere ter mais privacidade para preparar suas equipes, fato que deixa a tentativa de se pensar num time titular bem complicada. Já se sabe que Cazares e Victor estão fora da lista de relacionados. Nomes como os jovens Bruninho e Marquinhos devem ganhar mais chances. Assim como Allan (volante de bom passe e boa visão de jogo bem ao gosto de Dudamel) e Jair. O grande problema do Atlético-MG segue no setor defensivo. Fábio Santos já sente o peso da idade e quase todos os zagueiros à disposição são mais altos e mais pesados (com a exceção de Gabriel). Há opções para se montar uma equipe mais forte do que a do ano passado, mas alguns setores ainda precisam de reforços.

A aposta em Rafael Dudamel pode significar uma mudança de mentalidade na diretoria do Atlético. E isso é sensacional. O grande X da questão, no entanto, é o seguinte: como diretoria e torcida vão se comportar caso os resultados não apareçam logo nas primeiras partidas? O novo treinador do Galo vai precisar de tempo e paciência para implementar seus conceitos. Dois elementos bastante escassos lá pelas bandas das Minas Gerais nesses últimos meses. A conferir.

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