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Queda de rendimento da Seleção Olímpica e escolhas ruins de André Jardine podem custar a vaga nos Jogos de Tóquio; entenda

Equipe Sub-23 só conseguiu o empate com o Uruguai por conta do frangaço do goleiro Arruabarrena; Seleção Olímpica segue com muitos problemas defensivos e agora convive com queda de rendimento no ataque

Luiz Ferreira
Produtor executivo da equipe de esportes da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, jornalista e radialista formado pela ECO/UFRJ, operador de áudio, sonoplasta e grande amante de esportes, Rock and Roll e um belo papo de boteco.

Crédito: Lucas Figueiredo / CBF

O título desta análise pode soar alarmista. Mas ele resume bem o que se viu nesta quinta-feira (6), em Bucaramanga, na Colômbia. A Seleção Brasileira Sub-23 conseguiu ter uma atuação ainda pior do que no empate com os donos da casa e ficou no empate com o Uruguai graças a uma lambança impressionante do goleiro Arruabarrena apenas cinco minutos depois de Ivan também falhar no gol da Celeste Olímpica. A equipe de André Jardine não esteve bem, errou demais na defesa e agora convive com a queda de rendimento do setor ofensivo. Muito por conta das escolhas ruins do treinador do escrete canarinho nas duas partidas do quadrangular final, seja na mudança de peças na defesa como a insistência num esquema que prende os pontas Antony e Paulinho pelos lados do campo. Não é exagero nenhum dizer que a vaga os Jogos Olímpicos de Tóquio ficou seriamente ameaçada depois do resultado de ontem. Ainda mais quando se sabe que a partida de domingo (9) será contra a Argentina. A situação, como diriam os mais antigos, é periclitante.

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André Jardine já colocou mais de uma vez que não abre mão da estratégia que consiste em iniciar a construção das jogadas com bola no chão desde o goleiro. O grande problema desse estilo de jogo é o fato da Seleção Olímpica não ter entre seus convocados os jogadores mais capacitados para exercer esse tipo de função. Não quer dizer que são atletas sem qualidade, mas apenas que não possuem esse tipo de característica e que o tempo para a adaptação a essas ideias é escasso por conta do calendário apertado. Ao mesmo tempo, André Jardine praticamente “colou” Antony e Paulinho nos lados do campo e acabou com uma das jogadas mais fortes da Seleção Olímpica: a saída dos pontas para o meio e a passagem dos laterais pelo corredor. O que se via, no entanto, era uma equipe estática, sem movimentação e sem intensidade nas suas transições. A única variação era a descida de Guga por dentro e só. Pedrinho, Matheus Henrique e Bruno Guimarães embolaram demais o jogo no meio-campo e não conseguiam furar o eficiente bloqueio defensivo da Celeste.

Com Antony e Paulinho “colados” nas laterais, a Seleção Olímpica isolou seus jogadores e perdeu intensidade nas jogadas de ataque. Ao mesmo tempo, o jogadores de meio-campo embolaram demais por dentro e não conseguiram encontrar espaços na defesa adversária. Foto: Reprodução / SporTV

O sistema defensivo segue como a grande dor de cabeça de André Jardine. Não só pela insistência na saída de bola pelo chão com jogadores pesados e sem tanta habilidade. Bruno Fuchs não melhorou o setor, Guga deixou espaços às suas costas e Iago teve mais uma péssima atuação. Mesmo com o cruzamento que originou o gol contra de Arruabarrena. A Seleção Olímpica esteve espaçada, sem compactação, com seus jogadores errando demais no posicionamento defensivo e cedendo todo o campo do mundo para o ataque uruguaio criar as jogadas. O lance do gol da Celeste é emblemático: o volante Ugarte recebe a bola na intermediária, Iago embola o jogo com Bruno Guimarães e abre espaços às suas costas. Ao mesmo tempo, o camisa 5 adversário tem todo o tempo do mundo para ajeitar o corpo, levantar a cabeça e chutar a gol sem que nenhum jogador brasileiro venha bloquear o arremate. A bola desvia em Bruno Fuchs e o goleiro Ivan acabou falhando num lance nem tão complicado assim. E os problemas defensivos do time de André Jardine foram percebidos durante toda a partida. Preocupante demais.

O volante Ugarte recebe na intermediária sem que nenhum jogador brasileiro venha em seu encalço para bloquear o chute. Se faltou intensidade na hora de atacar, a marcação da Seleção Olímpica foi um verdadeiro convite ao time do Uruguai. Foto: Reprodução / SporTV

André Jardine citou o desgaste emocional e a ansiedade para justificar a queda de rendimento da Seleção Brasileira Sub-23 no quadrangular final, justo no momento mais decisivo do Pré-Olímpico. São sim fatores que devem ser levados em consideração nas apresentações do escrete canarinho na competição, mas não podem ser os únicos. André Jardine insiste em escolhas que já se mostraram equivocadas desde o começo da competição (e citadas por este que escreve aqui mesmo neste espaço) e se mostra irredutível quando o assunto é a mudança da sua estratégia. Bruno Guimarães e Matheus Henrique seguem sobrecarregados na marcação e o ataque caiu demais de rendimento depois que o treinador “colou” os pontas pelas laterais. Ao mesmo tempo, fica difícil entender o posicionamento de Paulinho por dentro e a insistência com Iago na lateral-esquerda. É verdade que a ausência dos jogadores que não foram liberados pelos seus clubes para o Pré-Olímpico seja um problema. Mas há como se fazer esse time jogar mais e melhor. O grande problema é o tempo.

A Seleção Olímpica já teve boas atuações coletivas na Colômbia e tem condições de atuar bem sem depender tanto dos brilhos individuais. A partida contra a já classificada Argentina será a mais complicada da competição e a pressão por um bom resultado será enorme. Resta saber qual será a estratégia de André Jardine.

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