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Entenda como o Oklahoma City Thunder tornou-se a grande surpresa da temporada da NBA

Sob a liderança de Chris Paul o reformulado time do Oklahoma City Thunder faz ótima campanha na NBA. Entenda melhor como isso aconteceu

Luiz Mutschele
Colaborador do Torcedores.com.

Crédito: twitter oficial Thunder

Apesar de diversas grandes histórias nesta temporada 19-20 da NBA de equipes que mostraram um nível muito acima do que se esperava, talvez nenhuma delas seja tão surpreendente e inesperada como o Oklahoma City Thunder. Contando 40 vitórias e 24 derrotas quando a temporada foi suspensa por causa do surto de coronavírus, o time ocupava a quinta colocação e com possibilidades reais de disputar o mando de quadra nos playoffs.

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A saída dos All Stars e o começo do rebuild

Para entender melhor como se deu todo esse processo precisamos voltar até a agência livre, mais precisamente na surpreendente troca de Paul George para o Clippers, uma temporada depois de renovar seu contrato com a equipe do Thunder. Seu pedido de saída surpreendeu a equipe e a equipe de Oklahoma, que endureceu bastante na negociação, o que acabou lhe rendendo um excelente negócio pelo jogador.

Além das chegadas de Danilo Gallinari e de Shai Gilgeous-Alexander, o Thunder recebeu quatro escolhas de Draft futuros de primeira rodada e desprotegidas (2021, 2022, 2024 e 2026), mais uma protegida de primeira rodada (2023) e ainda o direito de trocar outras duas picks por posições melhores com o Clippers (2023 e 2025). Um negócio impressionante, especialmente para apenas um jogador.

Esse negócio colocou a equipe em uma posição de tentar remontar a equipe novamente em cima de Westbrook ou partir para o rebuild total negociando-o. Contando até com o interesse de Russell em buscar uma melhor chance de título, foi em outro bom negócio, dessa vez com o Rockets, que o Thunder conseguiu mais peças importantes no seu processo. Chegou Chris Paul, além de picks de primeira rodada em 2024 e 2026 e também o direito de inverter a posição com o Houston nos recrutamentos de 2021 e 2025.

Com um considerável número de picks futuras, além de jogadores com bom potencial de negociação por mais algumas escolhas futuras: Gallinari, o próprio Paul, além de Steve Adams, que já estava na equipe, o time de Oklahoma iria iniciar a temporada sem nenhuma pretensão, aguardando apenas a possibilidade de conseguir mais bons negócios até o fim da temporada.

O mau início previsível e a virada em dezembro

A temporada do Thunder começou da forma que se imaginava, com a equipe chegando a ostentar um recorde negativo de 5-10. Ali se esperava que o time seguisse essa tendência durante toda a temporada, porém o que se viu foi justamente o oposto. Em Dezembro a equipe conseguiu uma sequência de 7-3, que colocou a equipe pela primeira vez com saldo positivo de vitórias e derrotas, que foi consolidada com uma sequência de cinco vitórias seguidas entre o final de 2019 e começo de 2020.

A equipe chegou a zona de playoffs e a medida que a temporada avançava ela deixou o bolo da disputa da oitava vaga, se consolidou na sétima posição e posteriormente ultrapassou Mavericks (que até então estava bem à frente), chegou no Rockets e agora até mesmo o Jazz está ameaçado. Depois do seu pior recorde negativo, o Thunder acumula nada mesmo que 35 vitórias e 14 derrotas.

Esse impressionante resultado fez com que a seus dirigentes revissem todo o planejamento inicial e mesmo com interesse de equipes em contar com jogadores como Gallinari e Adams, ambos foram mantidos na equipe e isso nos levará a entender como a equipe chegou em tão impressionante desempenho.

O domínio dos recém-chegados e a temporada de redenção de Chris Paul

Além do grande número de picks, o Thunder recebeu três jogadores em suas duas negociações: Shai Gilgeous-Alexander, Danilo Gallinari e Chris Paul. O primeiro deles chegava como um segundo anista que havia feito uma temporada razoável pelo Clippers e mostrava potencial. O experiente ala italiano sempre foi um bom pontuador e veio com expectativa de ser trocado para alguma equipe contender que precisasse de uma peça de rotação com bons números.

Shai acabou mostrando uma evolução impressionante e tornou-se o cestinha da equipe, praticamente dobrando sua média de pontos de uma temporada para outra (10,8 para 19,3), além de mais que dobrar sua média de rebotes (de 2,8 para 6,3).

Gallinari, apesar de apresentar médias um pouco abaixo do que tinha no Clippers, é o segundo cestinha da equipe com médias de 19,2 pontos, além de mais de 40% em aproveitamento nas cestas de 3. Tais números o levaram inclusive a ser um dos mais procurados no final da janela de trocas.

Mas nenhum deles foi tão importante como Chris Paul. O veterano, que já havia sido o principal armador da NBA, chegou a Thunder em um momento de baixa (apesar dos bons números nos últimos anos). Muitas lesões, problemas de relacionamento com Harden, fizeram com que a equipe do Rockets optasse por trocá-lo para poder levar Westbrook.

A questão que nesta temporada, o CP3 finalmente se mostrava livre das lesões que tanto o atrapalharam nas últimas temporadas, a ponto de com 63 jogos disputados de 64 possíveis do Thunder, ele já tenha superado seu total de jogos nas últimas três temporadas (61 em 16-17, 58 em 17-18 e 58 em 18-19). Seus números também vem evoluindo ao longo da temporada, o que levou o jogador a ser escolhido para o All-Star Game de Chicago, no último mês de fevereiro.

A experiência e capacidade de liderança do armador clássico ajudaram os jovens jogadores da equipe e trouxeram o equilíbrio que a equipe precisava em um momento tão difícil de reconstrução. Além de tudo ele conta com o excelente suporte de Denis Schroder, um dos melhores 6º homem da NBA.

Para entender mais a importância dos três na equipe, basta olhar as estatísticas dos jogadores do Thunder:

  • Pontos – 1º Shai Gilgeous-Alexander (19,3), 2º Danilo Gallinari (19,2), 3º Denis Schroder (19,0), 4º Chris Paul (17,7), 5º Steve Adams (10,9).
  • Rebotes – 1º Steve Adams (9,4), 2º Shai Gilgeous-Alexander (6,1), 3º Danilo Gallinari (5,5), 4º Chris Paul (4,9), 5º Nerlens Noel (4,9).
  • Assistências – 1º Chris Paul (6,8), 2º Denis Schroder (4,1), 3º Shai Gilgeous-Alexander (3,3), 4º Steve Adams (2,4), 5º Danilo Gallinari (2,1).

Mesmo sem esperar um encaixe, o Thunder sob o comando de Billy Donovan, um dos favoritos ao título de melhor técnico da temporada, conseguiu não apenas se tornar um time extremamente competitivo, como pode acabar tendo um rebuild muito mais tranquilo que o que outras equipes tiveram nos últimos anos.

Quando a temporada voltar, poderemos ter uma real noção de até onde esse surpreendente Oklahoma City Thunder poderá chegar, mas certamente é a melhor história entre as 30 equipes da NBA, pois é muito raro um time perder de uma vez só seus dois principais astros e na temporada seguinte seguir jogando em alto nível.

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