Jogos com torcida só devem acontecer após vacina, aponta relatório da UFPR

Documento reuniu quatro cenários que devem acontecer para a volta dos esportes no Brasil

Mariana Prince
Jornalista formada pela PUCPR. Me acompanhe nas redes sociais @marianaprince.jor

Crédito: Ronald Martinez/Getty Images

O Centro de Pesquisa em Esporte, Lazer e Sociedade (CEPELS), da UFPR, e a Secretaria Nacional de Esporte de Alto Rendimento (SNEAR), do Ministério da Cidadania, divulgaram nesta segunda-feira (11) o primeiro material sobre esportes na pandemia que é amparado com evidências científicas. O documento Recomendações e Orientações Gerais para o Esporte Brasileiro frente à COVID-19 aponta quatro cenários que o esporte brasileiro deve enfrentar nos próximos meses, incluindo a volta das competições nacionais – que só deve acontecer quando existir vacina contra o novo coronavírus.

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O documento, que é assinado pelo professor Fernando Mezzadri e pelo coordenador da comissão de integridade da Federação Paulista de Futebol Paulo Schimitt, indica que no atual momento brasileiro, onde a orientação é manter o isolamento social, as únicas práticas esportivas liberadas devem ser aquelas em que não há contato físico.

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O relatório ressalta que “as atividades devem se limitar em práticas como caminhada, ciclismo, corrida, yoga, alongamentos, entre outras, sempre evitando qualquer forma de aglomeração ou de incentivo à circulação de pessoas”. Ou seja, no momento não é indicado a volta de competições como o futebol.

Segundo Fernando Mezzadri, a volta dos treinos normais e de competições não devem acontecer agora e ainda afirmou que no atual estágio da pandemia no Brasil é muito precipitado retornar os campeonatos.  O relatório indica quatro cenários para o esporte no momento da pandemia. O primeiro cenário é o que vivemos agora: isolamento social.

Competições de esportes individuais liberados

O segundo cenário seria da volta de algumas atividades autorizadas pelas autoridades de saúde e com comprovação científica, respeitando algumas normas, como, por exemplo utilização de máscaras pela equipe técnica.

Além disso, continuariam liberados somente esportes em que os participantes não tenham contato físico, como hipismo, tiro esportivo e atletismo – exceto revezamento. Outras normas que devem ser seguidas nesse cenário é a de manter distância de pelo menos um metro, não compartilhar equipamentos e portões fechados, ou seja, sem torcida e sem aglomeração de pessoas.

Futebol sem torcida e reabertura de academias

Somente no terceiro cenário que os treinamentos de equipes coletivas, como futebol, voltariam a ser aceitas. Segundo o relatório, é nesse momento que academias poderiam voltar a abrir, desde que respeitassem as normas de manter uma pequena distância entre as pessoas, oferecer álcool 70%, álcool gel e disponibilizar sabonete e papel toalha para higienização das mãos.

As competições também poderiam ser retomadas, no entanto, sem a presença de torcidas, para não gerar aglomeração de pessoas. Assim como no segundo cenário, comissões técnicas devem obrigatoriamente fazer o uso de máscaras e o compartilhamento de equipamentos continua sendo totalmente proibido.

Mezzadri evidenciou que esse cenário não deve acontecer em curto prazo. “Gestores públicos, da iniciativa privada, atletas e espectadores terão que compreender o atual momento. Sabemos que as competições não devem começar agora, não podemos ter contato físico e a grande maioria das modalidades esportiva requer esse contato”, comentou.

Volta ao normal: estádios com torcida

O quarto – e último – cenário seria da volta a normalidade, com todos as competições acontecendo e torcidas no estádio. No entanto, o documento afirma que isso só será possível quando houver um medicamento eficaz ou uma vacina que proteja os atletas e espectadores.

No momento, as pesquisas mais avançadas para vacina contra a Covid-19 são da Universidade de Oxford e da empresa Pfizer e a projeção é que elas estejam prontas em dezembro. Ou seja, futebol com torcida deve acontecer apenas em 2021.

 

 

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