Transferência para a Juventus e novos ares podem fazer bem para Arthur em todos os sentidos; entenda

Luiz Ferreira analisa as possibilidades de encaixe do ex-volante do Grêmiono time comandado por Maurizio Sarri na coluna PAPO TÁTICO; mudança de postura e posicionamento podem ser necessárias para Arthur definitivamente mostrar seu bom futebol

Luiz Ferreira
Produtor executivo da equipe de esportes da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, jornalista e radialista formado pela ECO/UFRJ, operador de áudio, sonoplasta e grande amante de esportes, Rock and Roll e um belo papo de boteco.

Crédito: Lucas Figueiredo / CBF

Arthur Melo é um dos jogadores mais celebrados no futebol brasileiro nesses últimos anos. Destaque do Grêmiocampeão da Libertadores em 2017, o volante assinou com o Barcelona e aumentou ainda mais a expectativa em torno do seu talento e daquilo que poderia produzir jogando ao lado de Messi, Suárez e companhia. Tanto que a ausência da lista final de Tite para a Copa do Mundo da Rússia foi bastante questionada na época. Ainda mais quando a Seleção Brasileira sentiu falta de um volante com a qualidade no passe que Arthur possui. No entanto, os meses passaram e o ex-gremista não conseguiu “explodir” chegando, inclusive, a perder a vaga no time titular com a chegada de Quique Setién. Nesta segunda-feira (29), o Barcelona anunciou a ida de Arthur para a Juventus de Maurizio Sarri em negociação que envolveu o bósnio Pjanic. E a chegada à “Vecchia Signora” pode fazer muito bem para o volante em todos os sentidos. Mas pode ser necessário que ele mude um pouco seu estilo para se adaptar ao novo time e seguir na crista da onda para futuras convocações.

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Para “explodir” de vez e se tornar o jogador que todo mundo espera que seja, Arthur precisa recuperar a intensidade dos tempos de Grêmio, onde comandou o meio-campo do Tricolor Gaúcho com bons passes, boa visão de jogo e boa movimentação. Na decisão da Libertadores de 2017 (contra o Lanús), Arthur foi o volante que saía mais para o jogo e contava com a ajuda de Jailson (que protegia bem a zaga), Ramiro (o “volante-meia” que fazia trabalho tático importante pela direita) e Luan (camisa 7 que jogava como 10 e que estava na melhor fase da carreira) para ir de área a área organizando o escrete gremista e deixando seus companheiros na cara do gol. O volante foi considerado um dos melhores jogadores da competição e chamou a atenção de gigantes do futebol. Tanto que o 4-2-3-1 de Renato Gaúcho conseguia rodar por conta da dinâmica colocada por Arthur na saída de bola. Guardadas todas as proporções e apenas observando o posicionamento dentro de campo, é como se o então camisa 29 fosse o “Pirlo” do Grêmio. Ele também precisava participar da marcação, mas tinha a ajuda dos outros compaheiros nesse processo.

Gremio 2017 - Football tactics and formations

Arhtur era o “motorzinho” do Grêmiotricampeão da Copa Libertadores da América em 2017. O sucesso e a eficiência do 4-2-3-1 proposto por Renato Gaúcho passava diretamente pelos pés do jovem volante.

Negociado com o Barcelona meses antes da Copa do Mundo de 2018, Arthur chegou ao clube catalão com status de craque e a aprovação de lendas como Iniesta e Xavi. No entanto, conforme o tempo ia passando e as partidas iam sendo disputadas, o volante não conseguiu ser o jogador que se imaginava na equipe blaugrana. Seja com Ernesto Valverde (de estilo mais pragmático e reativo) até Quique Setién (de estilo mais ligado à escola de “La Masia”), Arthur encontrou problemas para se adaptar ao time de Messi, Suárez, Busquets, Griezmann e companhia. Faltava a agressividade e confiança dos tempos de Grêmio. Ao contrário: o jogador pisava menos na área e custava a colocar mais intensidade nas suas jogadas mesmo atuando como titular em algumas partidas. Assim como bem observou a página Futebol Cervejeiro, com tantos jogadores de características semelhantes no elenco do Barcelona, a dúvida acabaria beneficiando Rakitic, jogador de estilo semelhante ao de Arthur, mas de muito mais história no clube catalão. Não por acaso, a negociação com a Juventus surgiu como uma chance de recuperae o bom futebol e a confiança.

É bem possível que o técnico Maurizio Sarri pretenda escalar Arthur na função que era de Pjanic até bem pouco tempo atrás. O primeiro volante que qualifica o passe na saída de bola e faz o time girar até encontrar o espaço necessário para acionar o ataque. Nesse cenário, é possível pensar num 4-3-1-2 com variação para um 4-4-2 na transição defensiva. Bentancur e Matuidi, além de serem bons no passe, são fortes na marcação e poderiam se transformar nos “seguranças” de Arthur no meio-campo. Mais à frente, Sarri poderia pensar em Bernardeschi recompondo pelo lado direito, Dybala como “enganche” e Cristiano Ronaldo no comando de ataque entrando na área em diagonal a partir do lado esquerdo. E isso sem falar nas opções de Cuadrado, Douglas Costa, Ramsey, Rabiot, Higuaín, dentre outros. Arthur pode ter encontrado a equipe certa para fazer seu futebol desabrochar novamente. E desta vez, jogando como o primeiro volante passador que Maurizio Sarri tanto gosta de utilizar nas suas equipes. Vide o ítalo-brasileiro Jorginho no Napoli e no Chelsea.

Juventus - Football tactics and formations

Arthur pode ser o primeiro volante de um 4-3-1-2 móvel e de bastante movimentação na Juventus. O auxílio de Bentancur e Matuidi na marcação e a presença de Dybala como “enganhce” dão ainda mais opções para o brasileiro recuperar seu bom futebol e a confiança.

Mas é bom deixar bem claro que não basta que Arthur vista a camisa bianconeri da Juventus para que seus problemas sejam resolvidos. O volante brasileiro também vai precisar trabalhar muito para recuperar a sua confiança com a bola nos pés, provar seu talento e se adaptar ao novo estilo de jogo e ao novo clube. Além de jogar com mais intensidade, o ex-gremista terá que ser muito mais do que o volante que recebe a bola e toca para o lado. Não somente armar o jogo e se posicionar à frente da defesa, mas também aparecer no ataque e pisar na área adversária para municiar o ataque tal como fez no histórico Grêmiode Renato Gaúcho com muita maestria. E nessa chegada à Juventus, a experiência com Messi pode ser muito útil para se adaptar ao estilo de Cristiano Ronaldo, outro monstro do futebol mundial na atualidade. Ainda mais com a sua já mais do que provada capacidade de deixar os companheiros de equipe na cara do gol com assistências precisas e passes açucarados. Mas o sucesso de Arthur na “Vecchia Signora” depende apenas dele e da sua vontade de brilhar.

A saída do futebol espanhol para o futebol italiano pode fazer muito bem para o ex-jogador do Grêmio. Ainda mais podendo jogar com CR7 e disputando uma liga que exige muito mais dos jogadores de defesa. E quem está de olho é Tite, um dos maiores admiradores do seu talento. E se for bem na Juventus, Arthur pode somar muito jogando com a camisa da Seleção Brasileira.

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