Árbitro da final de 2018 cita “teoria da conspiração” e critica o Palmeiras: “Não foram competentes”

Marcelo Aparecido está em fim de carreira e ainda sofre com ameaças após lance polêmico na final entre Palmeiras e Corinthians na final do Paulistão de 2018

Rafael Brayan
Estudante de jornalismo. Colaborador especialista e editor-plantonista do Torcedores.

Crédito: César Greco/Ag. Palmeiras

A final do Campeonato Paulista desta temporada é uma reedição da decisão de 2018. Corinthians e Palmeiras se enfrentam novamente no Allianz Parque pelo jogo de volta no fim do Estadual. Há dois anos, o duelo foi marcado por um lance polêmico que foi decidido após sete minutos de conversas entre os árbitros e que acabou em grandes críticas por parte do Palmeiras, vice-campeão nos pênaltis.

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O árbitro daquele Dérbi era Marcelo Aparecido, que acabou sendo amplamente criticado e até sofreu ameaças e fake news sobre uma possível parceria com Andrés Sánchez, presidente do Corinthians. Em entrevista à Gazeta Esportiva nesta sexta-feira (7), o juiz, que está em fim de carreira, relembrou o lance e citou as teorias da conspiração criadas para justificar a mudança de opinião no lance entre Ralf e Dudu que seria pênalti para o Palmeiras.

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“Infelizmente, a gente adotou um procedimento que não foi o melhor. Houve uma demora de cerca de sete minutos para fazer a correção de um erro que eu cometi e aquilo ficou marcado. Criaram uma teoria da conspiração de que ocorreu interferência externa e acabou ficando essa imagem, mas isso já foi superado. Estou tranquilo, porque o pessoal conhece a minha idoneidade, sabe quem sou. Trabalhei durante 20 anos na Federação Paulista de Futebol e nunca tive veto de clube algum. Sempre fui muito respeitado, tanto é que apitei a semifinal do Paulista de 2018 entre Palmeiras e Santos e segui para a decisão sem qualquer tipo de problema”, disse o árbitro.

Marcelo Aparecido ainda citou o barulho do Allianz Parque como fator que aumentou a demora na decisão do lance. “Foi um lance foi muito rápido e difícil, porque, em toda nossa experiência, o que tomamos como base? A bola, se há mudança de direção da bola. Naquela jogada, como o Ralf toca sutilmente na bola, ela muda muito pouco a velocidade e a direção e não consigo perceber. Só vi depois o choque com o atleta do Palmeiras”, afirmou.

“Eu tinha total controle da partida e, assim que marquei a infração, percebi, pela reação dos jogadores, que havia cometido um equívoco. Então, pensei: ‘Cometido o equívoco, vamos seguir em frente’. Só que o meu quarto árbitro (Adriano de Assis Miranda) passou a informação de que a bola havia sido tocada antes (por Ralf). Como a acústica do Allianz é sensacional, por conta do barulho da torcida, não conseguia ouvi-lo (pelo fone). Eram mais de 40 mil torcedores palmeirenses, com um lance capital a favor. Eles comemoraram, gritaram e eu não conseguia escutar (o quarto árbitro). Só consegui depois que a torcida começou a se acalmar e da reclamação dos jogadores do Corinthians”, continuou Marcelo Aparecido.

Por fim, o árbitro da final do Paulistão de 2018 criticou a postura do Palmeiras e disse que a equipe foi incompetente e precisou repassar a responsabilidade.

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“As pessoas gostam de transferir a responsabilidade, entendeu? Às vezes, a gente é incompetente em alguma coisa e queremos passar que a incompetência não é nossa. Se eu não estou bem, se eu não obtive meu resultado, não é culpa minha, mas sim de outra pessoa. Na verdade, a gente sabe que não é assim. O Palmeiras tinha uma equipe muito mais favorita que o Corinthians, venceu a primeira partida e a festa estava toda programada para acontecer no Allianz Parque. Mas o futebol é apaixonante por causa disso: nem sempre o melhor vence. Sofreram um gol com um minuto e tiveram todo o jogo para buscar o resultado. O que acabou acontecendo é que, com meu equívoco, dei a chance de eles poderem transferir a responsabilidade. Surgiu também a oportunidade de bater os pênaltis e vencer. Mesmo assim, também não foram competentes. Além disso, na marcação do pênalti, quem garante que seria convertido? Agora, eles recebem mais uma chance. A vida é boa por causa disso: ela dá outra chance.”

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