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A estreia de Domènec Torrent no Flamengo e por que precisamos analisar o futebol sem exaltações

Na coluna PAPO TÁTICO, Luiz Ferreira destaca a atuação do Fla na derrota para o Atlético-MG de Jorge Sampaoli

Luiz Ferreira
Produtor executivo da equipe de esportes da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, jornalista e radialista formado pela ECO/UFRJ, operador de áudio, sonoplasta e grande amante de esportes, Rock and Roll e um belo papo de boteco.

Crédito: Alexandre Vidal / Flamengo

As redes sociais foram inundadas pelo pessimismo e também pelas críticas ao time do Flamengo como um todo após a derrota sofrida para o Atlético-MG de Jorge Sampaoli. A partida (sempre é bom lembrar) marcava a estreia de Domènec Torrent no comando da equipe que era de Jorge Jesus até bem pouco tempo atrás. Apesar disso, houve quem já colocasse o treinador espanhol no hall dos “reinventores da roda” e também quem apontasse o Galo como franco favorito ao título. Este que escreve, no entanto, prefere adotar a cautela e aguardar mais um pouco por conta dos motivos que vamos detalhar mais adiante. Certo é que Domènec Torrent teve que enfrentar mais dois fortes oponentes nesse domingo (9): a falta de ritmo de todo o elenco do Flamengo e o pouquíssimo tempo no comando do escrete rubro-negro. E olha que o Brasileirão apenas começou.

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Domènec Torrent chegou ao Flamengo que colocaria suas ideias em prática no time ao mesmo tempo em que aproveitaria o legado deixado por Jorge Jesus. A equipe até que criou chances claras de gol, mas esbarrou num sério problema: as conclusões a gol. Vide o lance com Bruno Henrique logo nos primeiros minutos e que poderia ter mudado completamente a história da partida. No entanto, mesmo com os problemas já mencionados anteriormente, Dome mexeu pouco na estrutura básica do Flamengo. O 4-4-2 básico com Gabigol e Bruno Henrique no ataque e com Gérson bastante participativo no meio-campo foi mantido assim como a pressão na saída de bola do Atlético-MG. Fosse o Fla mais feliz nas conclusões a gol, as coisas poderiam ter ficado bem menos complicadas no Maracanã. Ainda contra de um adversário bastante forte e organizado.

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O espanhol Domènec Torrent manteve a estrutura básica do Fla de Jorge Jesus no primeiro tempo. Os jogadores tinham liberdade de movimentação e avançavam a marcação para forçar o erro na saída de bola do Atlético-MG. Faltou acertar o pé nas conclusões a gol. Foto: Reprodução / TV Globo

No entanto, a falta de ritmo de jogo (25 dias desde a última partida oficial) e o pouquíssimo tempo de Domènec Torrent no comando do Flamengo cobraram seu preço. Principalmente na segunda etapa, quando o Atlético-MG subiu a marcação e impôs seu jogo. As descidas de Marquinhos pela esquerda (sempre um tormento para Rafinha) e a dinâmica de Guga e Guilherme Arana no campo adversário (um atacava por dentro quando o outro abria o campo) amassaram o Fla no seu campo e praticamente acabaram com o poderio ofensivo da equipe rubro-negra. Se não fossem Diego Alves e Rodrigo Caio, a situação poderia ter ficado ainda pior para os comandados de Domènec Torrent. Ainda mais quando sua equipe começou a ceder ainda mais espaços depois do evidente desgaste físico de Éverton Ribeiro e Arrascaeta, dois jogadores que também estão devendo bastante nessa temporada.

O Atlético-MG se impôs na base da organização e da intensidade nas transições após o intervalo e o Flamengo tentou reagir como pôde. Destaque para a ótima dinâmica dos laterais Guilherme Arana e Guga e para a ótima atuação do jovem Marquinhos no lado esquerdo de ataque. Foto: Reprodução / TV Globo

Houve também quem criticasse Domènec Torrent por ter colocado cinco atacantes no segundo tempo e por ter deixado o Fla totalmente desorganizado. Mas será que foi isso mesmo? A formação da equipe era a seguinte: Rodrigo Caio e Léo Pereira na zaga; Rafinha e Filipe Luís alinhados a Willian Arão no meio-campo; e cinco atacantes (Pedro centralizado, Gabigol e Bruno Henrique mais por dentro e Vitinho e Michael abertos). Quem acompanha os trabalhos do próprio Sampaoli, por exemplo, sabe que isso não é nenhuma novidade. O que faltou ao Flamengo foi mesmo o tempo para assimilar as ideias de Domènec Torrent e também para encontrar as soluções possíveis dentro do seu modelo de jogo. Simples. E a “inversão da pirâmide” nos minutos finais foi feita para se acabar com a superioridade da linha de cinco defensores do Atlético. O que faltou foi organização e entrosamento.

Dome tentou dar mais poderio ofensivo ao Flamengo colocando Pedro, Michael e Vitinho em campo numa “inversão da pirâmide”. No entanto, a falta de entrosamento do time com suas ideias e a falta de ritmo falaram mais alto. Derrota justa para um Atlético-MG muito mais organizado. Foto: Reprodução / TV Globo

É lógico que Domènec Torrent também errou a mão nas substituições. Bruno Henrique segue muito mal desde que voltou de lesão e jogou toda a partida. Willian Arão esteve muito abaixo do que produziu com Jorge Jesus. E Léo Pereira ainda sofre demais para se encaixar no time. Por outro lado, é preciso ter muita calma com qualquer julgamento. O próprio Dome já pensou em formações diferentes na equipe (como a que tem Arrascaeta como falso nove e Éverton Ribeiro mais por dentro), e vai precisar de tempo para implementar suas ideias. Além disso, o Atlético-MG é uma das equipes mais fortes do Brasileirão e tem em Sampaoli um grande treinador. Mas isso não quer dizer que já está tudo definido e que “já conhecemos o campeão brasileiro”. A mesma voz que exalta no início da partida é aquela que xinga no apito final. O Fla falhou nas conclusões e pagou o preço. É isso.

Nem o Flamengo perdeu a sua força e nem o Atlético-MG se transformou numa equipe imbatível. Mais do que nunca, é preciso analisar o futebol com calma e sem exaltações. Ainda mais na primeira rodada de um Campeonato Brasileiro que promete ser totalmente atípico por conta da pandemia de COVID-19. Ou vocês realmente acham que a ausência do público nos nossos estádios também não influenciam diretamente no campo?

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