Movimentação de Thiago Galhardo e ótimo jogo coletivo são os trunfos do Internacional de Eduardo Coudet; confira a análise

Na coluna PAPO TÁTICO, Luiz Ferreira explica como o Colorado Gaúcho construiu a vitória sobre o Botafogo em pleno Estádio Nilton Santos

Luiz Ferreira
Produtor executivo da equipe de esportes da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, jornalista e radialista formado pela ECO/UFRJ, operador de áudio, sonoplasta e grande amante de esportes, Rock and Roll e um belo papo de boteco.

Crédito: Ricardo Duarte / SC Internacional

Foi sim um jogo polêmico. Foi sim uma partida cheia de alternativas e chances criadas para os dois lados. E a arbitragem acabou aparecendo mais do que deveria. Mesmo assim, a vitória do Internacional sobre o Botafogo neste sábado (29) acabou premiando a equipe que melhor executou as suas estratégias. E no caso de Eduardo Coudet, elas passam pelo sólido jogo coletivo iniciado ainda no campo de defesa com Rodrigo Lindoso distribuindo os passes e com a intensa movimentação de Thiago Galhardo, talvez o jogador mais consistente desse início de Campeonato Brasileiro. A lesão de Guerrero aumentou ainda mais a importância do camisa 17 no escrete colorado. É ele quem abre espaços na frente para as chegadas de Edenílson, Patrick e Boschilia e quem prende os zagueiros adversários como referência ofensiva. O Inter não é líder do Brasileirão por acaso.

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É bem verdade que o Botafogo também fez bom jogo (dentro das suas possibilidades) e levou perigo ao gol defendido por Marcelo Lomba em alguns momentos. O início da partida, no entanto, acabou sendo determinante. Principalmente por conta do imutável 4-1-3-2 de Eduardo Coudet que ocupa bem os espaços, mantém seus jogadores próximos e tem em Thiago Galhardo a referência móvel para abrir espaços. Enquanto o Internacional trabalhava bem a bola, o Botafogo de Paulo Autuori (que poupou jogadores mais uma vez) tentava chegar ao ataque (ainda que de maneira desordenada) a partir de um 4-3-3 que se transformava num 4-2-4 conforme a movimentação de Guilherme Santos pelo lado esquerdo. Faltava profundidade ao Glorioso e sobrava ultrapassagens pelos lados do campo com as descidas de Moisés e Saraiva pra cima de Barrandeguy e Danilo Barcelos.

Botafogo vs Internacional - Football tactics and formations

O Internacional ocupava bem os espaços e forçava as jogadas pelos lados com as descidas fortes dos seus laterais. O Botafogo criava, mas jogava sem compactação e sem profundidade, ponto esse que só facilitou a vida dos comandados de Eduardo Coudet na partida.

O frame abaixo mostra bem a facilidade que o Internacional encontrou no início da partida para criar suas jogadas de ataque. A jogada começa com Rodrigo Lindoso (no círculo) servindo Moisés no lado esquerdo. Notem que Rhuan não dá o combate e Caio Alexandre tem que deixar seu posto para fechar o setor (já que Barrandeguy ficou mais por dentro). O camisa 20 do Internacional tem tempo para ajeitar o corpo, levantar a cabeça e perceber que Thiago Galhardo estava atacando o espaço existente entre Marcelo Benevenuto e Kanu. O cruzamento saiu exatamente onde o camisa 17 se projetou e a cabeçada saiu certeira (ainda que Gatito Fernández tenha tocado na bola). Além da movimentação inteligente de Thiago Galhardo, o Inter ainda contava com Patrick e D’Alessandro se projetando em velocidade para aproveitar um possível rebote. Ótimo jogo coletivo.

Rodrigo Lindoso inicia a jogada, Moisés recebe, faz o cruzamento e Thiago Galhardo completa para as redes. O Internacional conseguiu criar boas chances no primeiro tempo na base do toque de bola e aproveitando bem os espaços na defesa do Botafogo. Foto: Reprodução / Premiere.

Boschilia faria o segundo do Internacional (ainda no primeiro tempo) após passe açucarado de Thiago Galhardo. O camisa 17 era a principal arma ofensiva do time de Eduardo Coudet e explorava bem o espaço entre as linhas do Botafogo. Tanto que Paulo Autuori teve que mexer no segundo tempo. As entradas de Bruno Nazário, Luiz Otávio e Cícero (e a rearrumação da equipe alvinegra num 4-2-3-1 mais nítido) deu mais consistência e mais presença ofensiva com Matheus Babi se movimentando bastante e abrindo espaços para as chegadas do trio de meias. Principalmente no gol de Bruno Nazário anulado após consulta ao VAR. O Internacional se fechou em algo mais próximo de um 4-1-4-1 e teve com Marcos Guilherme grande oportunidade para marcar o terceiro, mas o atacante da camisa 23 jogou por cima com o goleiro Gatito Fernández e toda a defesa do Botafogo já batida no lance.

Internacional vs Botafogo - Football tactics and formations

As entradas de Bruno Nazário, Luiz Otávio e Cícero melhoraram o desempenho ofensivo do Botafogo na segunda etapa e o time teve mais posse de bola e mais chances de gol. Ao mesmo tempo, o Internacional se fechou na defesa em algo próximo de um 4-1-4-1 e segurou o resultado até o apito final.

O Botafogo pode e deve reclamar da utilização do VAR na partida deste sábado (29). Nem pelo lance do impedimento de Rhuan no gol de Matheus Babi (isso levando-se em consideração de que o computador fez o cálculo certo ao acusar a irregularidade), mas pelo gol de Bruno Nazário. Este que escreve não marcaria a falta em cima de Patrick. E esse pareceu ser o entendimento do árbitro Thiago Duarte Peixoto nesse primeiro momento. O lance seguiu e não pareceu que a defesa do Inter foi prejudicada pelo lance antes de Matheus Babi carregar a bola e fazer o cruzamento para o camisa 10 deslocar Marcelo Lomba. Só que nenhum árbitro vai trabalhar bem sem convicção daquilo que vê dentro de campo. Acaba que o VAR vira uma bengala. E quem está na frente da TV parece mais um “caçador de lance polêmico” do que propriamente um auxiliar de vídeo. Complicado.

Nada, no entanto, que diminua a atuação do Internacional e o bom jogo coletivo da equipe comandada por Eduardo Coudet. E quem desponta como grande estrela do Colorado é Thiago Galhardo. Líder em assistências e artilheiro do Campeonato Brasileiro com quatro gols. Ótimo início de competição dele e do Inter.

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