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Muricy Ramalho está certo? Fernando Diniz não tem mais defesa no São Paulo? Confira a análise

Na coluna PAPO TÁTICO, Luiz Ferreira analisa as críticas dirigidas ao treinador do Tricolor Paulista

Luiz Ferreira
Produtor executivo da equipe de esportes da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, jornalista e radialista formado pela ECO/UFRJ, operador de áudio, sonoplasta e grande amante de esportes, Rock and Roll e um belo papo de boteco.

Crédito: Rubens Chiri / saopaulofc.net

Nem é preciso dizer que a eliminação precoce da Copa Libertadores da América fez com que até mesmo o mais calmo dos torcedor do São Paulo perdesse a paciência com o time e (principalmente) com o técnico Fernando Diniz. A derrota para o River Plate nesta quarta-feira (30) fez com que o treinador do Tricolor Paulista passasse a ser ainda mais cobrado por conta das suas escolhas e dos seus métodos de treinamentos. Até mesmo Muricy Ramalho soltou o verbo. O técnico tricampeão brasileiro em 2006, 2007 e 2008 fez duras críticas ao atual comandante do clube do Morumbi chegando até mesmo a afirmar que “não tem mais como defender Fernando Diniz”. Muricy está certo? Chegou mesmo a hora da diretoria procurar um novo técnico? Fernando Diniz é o único culpado pela má fase? Ele é mesmo superestimado pela imprensa? É o que vamos tentar responder aqui na coluna PAPO TÁTICO.

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Muricy Ramalho falou sobre o trabalho de Fernando Diniz e a eliminação da Libertadores nesta quinta-feira (1) em participação no podcast “GE São Paulo”: “Eu gosto do plano de jogo, gosto dele, mas ele vai ter que rever um pouco alguns conceitos. Eu sei que ele não quer abrir mão, mas se não ganhar jogos é difícil. Então você tem que mudar algumas coisas. (…) A gente que gosta das pessoas, como gosto dele, mas também gosto do time, você tem que separar. E chegou esse momento de separar esse sentimento de gostar da pessoa só, você tem que dizer o que está acontecendo. Chega um momento que eu não tenho mais como defender, vou falar o que todo mundo está falando. Vou falar o que as pessoas mais próximas deveriam falar para ele. Que não é uma coisa de outro mundo. Claro que não vou falar que me decepcionei (com ele), mas com os resultados, sim” – afirmou Muricy Ramalho.

É bem verdade que Muricy Ramalho tem certa razão ao falar sobre o trabalho de Fernando Diniz. O apego aos seus conceitos e a recusa em adaptá-los ao elenco que tem à disposição no São Paulo é um dos pontos que merecem sim as críticas do ex-treinador. Por outro lado, é preciso analisar todo o contexto. E a derrota para o River Plate também explica muita coisa sobre esse momento do Tricolor Paulista. A começar pela falta de intensidade, de aplicação tática e até mesmo de concentração. E o óbvio precisa ser dito: o São Paulo é hoje um time sem “brilho”. E o frame abaixo mostra bem isso. Bastou que Borré se movimentasse para dentro para que Diego Costa abrisse espaço para a tabela entre Julián Álvarez e De La Cruz. E vale notar também que a equipe tricolor também se mostrava sem o menor vestígio de confiança. Os Millonarios foram amplamente superiores na partida.

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Borré se movimenta e abre espaço para a tabela entre Julián Álvarez e De La Cruz no primeiro gol do River Plate. A disposição tática do São Paulo no lance mostrava que a equipe sofre demais com a falta de intensidade e compactação entre as suas linhas. Um prato cheio para os adversários. Foto: Reprodução / FOX Sports

É bem verdade que o River Plate de Marcelo Gallardo é uma das melhores equipes do continente. Tem uma estratégia de jogo bem definida e grandes jogadores no seu elenco. Só que Fernando Diniz também não se ajudava. Houve momentos do jogo em que era até complicado saber o que o treinador do São Paulo queria dos seus atletas dentro de campo. O frame abaixo mostra Tchê Tchê abandonando seu posto (à frente da zaga) e indo fechar o lado direito da defesa. Notem bem o espaço que os atacantes do River Plate encontraram para jogar entre as linhas do time de Fernando Diniz. Isso é orientação do treinador ou é falta de concentração? São perguntas difíceis de serem respondidas. O que todo mundo viu, no entanto, é que o time parece cada vez mais irregular dentro das suas partidas, ponto que denota uma falta de consistência perigosa para um clube do tamanho do São Paulo.

Tchê Tchê abandonou seu posto para fechar o lado direito da defesa e abriu espaços generosos na frente de Diego Costa e Léo. Essa movimentação do volante tricolor é orientação de Fernando Diniz ou fruto da desorganização tática causada pelos gols do River Plate? Difícil saber a resposta. Foto: Reprodução / FOX Sports

A falta de intensidade (e também de confiança) dos jogadores também é outro problema grave do time de Fernando Diniz. Vale lembrar que o time sentiu demais a falta de Luciano (que ainda cumpria suspensão por conta da confusão no Gre-Nal de março). Mesmo assim, o time do São Paulo só conseguiu ameaçar o River Plate na base das bolas levantadas na área. É bem verdade que seu adversário protegia bem a sua área, mas faltava aquela intensidade nos movimentos que uma partida de Libertadores exige das suas equipes. E não é só isso: a falta de confiança dos atacantes também é outro problema grave. A chance desperdiçada por Brenner e Tréllez no final da partida é um bom exemplo disso. A perna “pesa”, a concentração não é a mesma e um único lance faz com que toda a estratégia desmorone facilmente. Difícil encontrar no São Paulo um jogador que esteja escapando dessa tremenda má fase.

O River Plate se fecha bem na sua defesa, corta as linhas de passe e aplica uma forte marcação no portador da bola. Não restou outra coisa ao São Paulo senão apelar para as bolas levantadas na área. As oportunidades desperdiçadas explicam muito bem a falta de confiança dos jogadores. Foto: Reprodução / FOX Sports

Fernando Diniz deve sim muitas explicações sobre sua proposta de jogo e sobre a aplicação de seus conceitos. É sim legal ver um treinador fiel às suas convicções e que gosta de colocar suas equipes jogando no ataque. No entanto, os grandes treinadores que eu conheci sabiam como adaptar as suas ideias ao elenco que tinham à disposição e como trabalhar cada atleta (seja em melhora nos fundamentos ou até mesmo na visão de jogo) para que cada um consiga executar as funções desejadas dentro de um sistema de jogo. O ponto aqui, meus amigos, não é se a estratégia é ofensiva ou reativa, se privilegia a posse de bola ou se existe a preferência por um jogo mais vertical. A proposta de jogo de Fernando Diniz vem sendo mal executada há bastante tempo. E isso pode ser causado por conta de problemas na comunicação com o elenco ou por conta da qualidade dos jogadores. É complicado.

“O São Paulo está tão necessitado que a próxima decisão é contra o Coritiba, no domingo. ‘Ah, nós estamos pressionados’. Não quer se pressionado então vai para outro lugar. Aqui é pressão o tempo todo. Está faltando um pouco disso. Eu sou um cara dos que mais defendem os caras do futebol, mas agora também já estou perdendo a paciência também”. As palavras de Muricy Ramalho ao podcast “GE São Paulo” resumem bem o que o torcedor são paulino está sentindo e toda a pressão em cima de Fernando Diniz. Há quem o chame de superestimado pela imprensa esportiva e de alcunhas impossíveis de serem publicadas aqui. O grande problema está na análise de todo o contexto. É fato que o São Paulo passa por momentos complicadíssimos. Mas o treinador também precisa fazer a sua parte e abrir mão de parte das suas convicções para deixar sua equipe competitiva novamente. A temporada ainda não acabou.

O São Paulo segue na cola dos líderes do Brasileirão, tem a Copa do Brasil pela frente e depende apenas de si para se garantir na Copa Sul-Americana. Pode não ser aquilo que o torcedor tricolor pretendia. Mas será uma ótima oportunidade para Fernando Diniz provar que Muricy Ramalho e seus críticos estão errados. Só que o treinador terá que rever muitos dos seus conceitos e adaptá-los ao elenco que tem à disposição. Isso se quiser permanecer empregado.

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