Técnico do Paysandu pede paz, apoio à torcida e cita dificuldade para contratar: “mercado inflacionado”

João Brigatti também falou sobre o time sub-23 que disputa o Brasileirão de Aspirantes e Vandick, ídolo do clube e ex-presidente bicolor

Octávio Almeida Jr
Jornalista graduado pela Universidade da Amazônia (UNAMA), 27 anos.Repórter de campo pela Rádio Unama FM em duas finais de Campeonato Paraense (anos 2016 e 2017).

Foto: João Brigatti, técnico do Paysandu

João Brigatti voltou para o futebol paraense consciente de que vai ter que trabalhar em meio a disputas políticas. As próximas eleições do clube alviceleste devem ocorrer entre novembro e dezembro de 2020. Em entrevista coletiva realizada nesta segunda-feira (26), o novo técnico do Paysandu pediu que problemas do extracampo não cheguem ao elenco e solicitou apoio à torcida bicolor.

“Peço, principalmente à nossa torcida, que nos apoie do início ao final, que dê uma moral muito grande pra esse elenco. Essa vitória frente ao Treze foi fundamental. E às pessoas que hoje, o extracampo, que não pensam em ajudar o Paysandu, mas pelo menos não atrapalhem”, iniciou Brigatti.

“Nós precisamos de um momento de paz pra não ficar, simplesmente, falando do extracampo. Pra que a gente possa ter a tranquilidade no dia a dia do nosso trabalho dentro de campo, focado apenas dentro de campo. Pra que a gente possa, os atletas, entrar com a cabeça limpa, somente voltado para o adversário”, prosseguiu.

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“Qual o nosso primeiro adversário? É o Manaus e não o extracampo. É isso que eu peço. Tenho certeza de que isso vai acontecer. Vamos ter paz pra poder trabalhar dentro do Paysandu que se faz necessário para que os atletas possam entrar com tranquilidade e focados em cima da vitória”, disse o técnico do Paysandu.

Contratações

Brigatti também falou sobre contratações. De acordo com o treinador, o cenário para a obtenção de reforços, entretanto, é difícil. Oficialmente, o Paysandu anunciou a saída do atacante Vinicius Leite e que negocia a permanência do lateral-direito Netinho.

“Já conversei com o Felipe (Albuquerque), com o presidente (Ricardo Gluck Paul). Estão abertos a novas contratações. Mas volto a dizer: nosso elenco é muito qualificado para a Série C, destacou.

“Lógico que depende de algumas situações de posições carentes. A gente vai sim conversar e bater em cima disso. Só que nós precisamos trazer atletas que venham para jogar, com o intuito de ajudar o Paysandu a conquistar as vitórias”, observou o técnico do Paysandu.

“Então a gente tem que ter um cuidado muito grande porque o mercado está carente de atletas dessa qualidade que eu citei e muito inflacionado também”, falou Brigatti.

Aproveitamento da base

O treinador alviceleste também comentou sobre o time sub-23 que disputa do Brasileirão de Aspirantes. O Papão acumula duas vitórias e tem 100% de aproveitamento no torneio de base. Brigatti afirmou que alguns jogadores podem ser aproveitados.

“A gente tem acompanhado. Eu vi o jogo contra o Bragantino em que a equipe do sub-23 conseguiu a vitória por 2 a 1. Tem atletas lá que já trabalharam comigo aqui no próprio Paysandu, na equipe profissional. A gente vai olhar com carinho”, disse.

“Trouxe meu auxiliar que é o Bazílio (Amaral). Vai estar acompanhando de perto também. E lógico, a gente vai fazer essa integração, base e profissional, da melhor maneira possível. Logicamente que, necessitando, a gente vai puxar atletas pra poder trabalhar com a gente no profissional”, concluiu o técnico do Paysandu.

Leia a seguir outros assuntos da entrevista de João Brigatti, técnico do Paysandu:

Estilo de trabalho

“Eu sempre tive comigo buscar sempre o ataque, ter uma equipe ofensiva, que tenha imposição física, técnica sobre o adversário. Esse sempre foi o meu pensamento. Eu não aceito derrota, faço tudo antes e durante pra que a gente possa sempre sair vencedor de campo”.

“Por isso que eu disse: precisamos do entendimento e aceitação dos atletas pra ter uma equipe coesa, forte que, caso aconteça um resultado negativo, a gente possa vender muito caro. Mas a cobrança é sempre de buscar a vitória, uma equipe bem equilibrada nos três setores, defesa, meio-campo e ataque, tendo uma equipe muita ofensiva”

Ideias iniciais: time mais ofensivo ou defensivo?

“Hoje, na verdade, não é porque você joga com dois ou três volantes, ou um volante e dois médios que você passa a ser defensivo ou ofensivo. E sim aquilo que eu já disse: imposição em cima do adversário. A gente trabalha muito no equilíbrio do meio-campo, defesa e ataque pra que você possa, tanto quando chegar no ataque, entrar no campo ofensivo e tenha o maior número de jogadores, para fazer triangulações, ter vários jogadores dentro da área e levar perigo para os adversários”.

“E na defesa. Entrou no seu campo defensivo, todos marcam desde o início. Começar a marcar para que possa ter uma tranquilidade pra nossa defesa e não deixar descoberto, principalmente, o setor defensivo. É em cima disso que a gente trabalha”.

Vandick, ídolo da torcida e ex-presidente do Paysandu

“É meu irmão, meu amigo. Tenho uma relação de amizade muito grande. Nós trabalhamos juntos no América-RJ pra você ter uma ideia. Depois eu tive a oportunidade, em 2014, ele como presidente e eu como auxiliar do clube, a gente ter o acesso da Série C pra Série B. E o Vandick, na verdade, é um grande ídolo da instituição Paysandu e ele nunca se negou a ajudar qualquer diretoria. Foi muito importante sim (no retorno)”.

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“Agora primeiro, muito grato ao Ricardo pela ligação. Se não tivesse esse tipo de ligação e partisse dele, na verdade, com certeza eu não estaria aqui hoje. Quero agradecer ao Felipe pela condução também. Principalmente ao Maurício pela condução do nosso contrato. Muito tranquilo, muito equilibrado. O que pode, o que não pode pagar, o que vai acontecer com o clube, qual a real situação financeira do Paysandu. Isso me deixa muito contente, muito feliz”.

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