Boas Ideias Mal Implementadas

Jorge Luiz Tourinho

Jorge Luiz Tourinho
Colaborador do Torcedores

22 de novembro de 2020

Esqueçamos por alguns instantes a existência da maldita pandemia que a tudo atrapalhou e vem atrasando. Interessa a ambos a parceria entre promotores e emissoras de TV. Público constante com um formato de três minutos de luta por um de descanso super adequado às transmissões televisivas que não sejam pay-per-view e à conquista de anunciantes.

Temos assistido aos programas KnockOut ESPN, associação com a PBC. A periodicidade semanal impulsiona a promoção de eventos. O tal Premier Boxing Championship atua como um guarda-chuva que recebe noitadas de outras empresas promotoras que não teriam acesso aos canais Disney.

Ótima ideia quando não veiculam jornadas com combates sem equivalência e, às vezes, sem razão de ser. Foi o caso do trazido no sábado, 21 de novembro, pela ESPN. Marcou a volta do grande Servílio de Oliveira aos comentários. Dentro do ringue, porém, esperava muito mais do matchmaker. Pelo menos na chamada peleja estelar, deveriam cuidar para que fosse apresentado um cotejo para ser lembrado por algum tempo.

Seguindo a sugestão do jornalista Antônio Novais (fazer um caderno a anotar as lutas assistidas com uma pontuação), iniciei meu caderno com uma nota 1 (máximo de cinco) para os super leves Fernando Molina W6 José Zaragoza e para os leves Austin Dulay W10 José Gallegos. E nota 2 para o confuso massacre de Javier Fortuna sobre Antonio Lozada, leves.

Molina é mexicano e tem 18 anos. Tem saúde, força e técnica mas recebe muita pancada. Dulay não mostrou respeito pelo oponente inferior e mostrou, salvo engano, ser apenas um vencedor de perdedores. A luta final deveria acabar bem cedo mas Fortuna exibiu insegurança para se impor ao adversário de última hora (a Covid obrigou a substituição). Lozada poderá ser considerado vencedor por resistir até o sexto capítulo. De positivo somente as duas cabeçadas involuntárias…

Tantos campeões regulares. Agora surgiu no horizonte a Universal Boxing Federation. Porque não se considerar super campeões que seriam obrigados a enfrentar um dos titulares das organizações que os aceitem? A AMB tentou fazer isso mas não foi acompanhada. Outra ideia para fomentar disputas mais atraentes foi a adoção de campeões Gold. São aqueles que triunfam sobre outros classificados nos rankings mundiais. Contudo, na prática, virou apenas uma forma de dificultar o crescimento ou o nascimento de organismos menores e garantir a taxa recebida pela homologação dos títulos.

Pergunto se seria viável algum canal brasileiro fazer uma parceria do tipo que descrevi acima. Os prospectos teriam um palco para o seu desenvolvimento e poderia ser uma alternativa para fazê-los chegar às listas de desafiantes aos cinturões continentais e mundiais.

Indago se haveriam 10, 20 ou 50 aficionados em cada Estado capazes de se tornarem sócios beneméritos de cada Federação, Liga ou Associação. As contribuições mensais de 50 até 500 reais serviriam para ajudar a se fazer eventos locais.

Questiono, também, se não há clubes nos quais se possa realizar os programas pugilísticos com cobrança de ingressos? E que permitam registrar em vídeos para que se comprove que não houve fraude.

Talvez fosse necessário que se tivesse outro grupo de abnegados que criasse um canal na WEB para a exibição dos programas brasileiros. Ao vivo e em vídeo tape.

Enfim, não existem pessoas com outras propostas para alavancar o boxe nacional? Quais seriam essas proposições além de cursos de formação de treinadores e oficiais feitos anualmente?

Efemérides: 22 de novembro

2008 – Rostock, Alemanha

títulos mundiais pena WBC e WIBF – Ina Menzer W10 Adriana Salles

Adriana Salles Vieira pode ter tido no fim da carreira cartel de 12-7-1 e nasceu em 16 de fevereiro de 1997 em São Paulo. Foi campeã brasileira galo em 5 de dezembro de 2005 ao vencer Liliane Balles em São Paulo e também disputou o título mundial super galo com Alejandra Oliveras em 4 de agosto de 2007 em Río Cuarto, Argentina.