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Papa valoriza Maradona, relembra fase como goleiro e diz: “Eu era perna de pau”

Torcedor do San Lorenzo, o Papa diz que “uma bola de trapos era suficiente para nos divertirmos e quase fazer milagres”

Rafael Brayan
Estudante de jornalismo. Colaborador especialista e editor-plantonista do Torcedores.Twitter: @rafaelbrayan_

Crédito: Reprodução/Instagram

O Papa Francisco falou sobre a importância do futebol neste sábado (2), em entrevista ao jornal italiano Gazzetta dello Sport. Atual  Chefe de Estado da Cidade Estado do Vaticano, o religioso valorizou Diego Armando Maradona, que faleceu em novembro do ano passado.

“Conheci Diego Armando Maradona em um jogo pela paz em 2014. Lembro com prazer tudo o que Diego fez pela Scholas Occurrentes, a Fundação que cuida dos mais necessitados do mundo. No campo ele foi um poeta, um grande campeão que deu alegria a milhões de pessoas, tanto na Argentina como em Nápoles. Ele também era um homem muito frágil”, disse.

“Tenho uma memória pessoal ligada à Copa do Mundo de 1986, aquela que a Argentina conquistou graças ao Maradona. Eu estava em Frankfurt, foi um momento difícil para mim, estava estudando o idioma e recolhendo material para a minha tese. Não tinha conseguido ver a final da Copa e só no dia seguinte soube da vitória da Argentina sobre a Alemanha, quando uma japonesa escreveu “Viva Argentina” no quadro durante uma aula de alemão. Pessoalmente, lembro-me como a vitória da solidão, porque não tinha com quem compartilhar a alegria daquela vitória esportiva. O que embeleza a alegria é poder compartilhá-la”.

Na sequência, o Papa relembrou a importância do seu futebol durante a sua infância. Apesar de se chamar de “perna de pau”, ele ressaltou que ser goleiro “foi uma grande escola para a vida”.

“Uma bola de trapos era suficiente para nos divertirmos e quase fazer milagres jogando na pracinha perto de casa. Eu não era um dos melhores, ao contrário, era o que na Argentina se chama de “perna de pau”. Por isso sempre me fizeram de goleiro. Nessa posição, é preciso estar preparado para responder aos perigos que podem surgir, que vêm de todos os lugares – contou, acrescentando que também jogou basquete”, comentou.

Torcedor declarado do San Lorenzo, o Papa relembrou sua história com o futebol em Buenos Aires.  “Lembro-me muito bem e com prazer de que, quando criança, minha família ia ao El Gasómetro (o primeiro estádio do San Lorenzo). Lembro-me, em particular, do campeonato de 1946, aquele que meu San Lorenzo ganhou. Lembro-me daqueles dias que passei assistindo aos jogadores e a alegria das crianças quando voltamos para casa. A alegria, a alegria no rosto das pessoas, a adrenalina no sangue. Aí eu tenho outra memória, a da bola de trapos. Couro era caro, e éramos pobres”.

PAPA VALORIZA TALENTO E CRITICA DOPING

Na entrevista, ele ainda ressalta o impacto negativo na utilização de substâncias que levam ao doping no esporte. De acordo com ele, “talento é um dom recebido” e não tem como fabricar grandes vencedores.

“Nenhum campeão se constrói em laboratório. Já aconteceu algumas vezes e não podemos ter certeza de que não acontecerá novamente. Esperamos que, ainda que leve tempo, sejam reconhecidos os talentos originais dos construídos. O campeão nasce e se fortalece com o treinamento.  Talento é um dom recebido, mas por si só não basta. É preciso trabalhar. Treinar é cuidar desse talento, tentar amadurecer essas habilidades”, concluiu o Papa.

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