Fluminense mostra organização ofensiva e bom aproveitamento nas bolas paradas na vitória sobre o Goiás

Na coluna PAPO TÁTICO, Luiz Ferreira analisa os pontos positivos e negativos do escrete comandado por Marcão

Luiz Ferreira
Produtor executivo da equipe de esportes da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, jornalista e radialista formado pela ECO/UFRJ, operador de áudio, sonoplasta e grande amante de esportes, Rock and Roll e um belo papo de boteco.

Crédito: Mailson Santana / Fluminense FC

Este que escreve entende bem que qualquer resultado positivo nessa reta final de Campeonato Brasileiro acaba sendo muito mais valorizado do que uma boa atuação coletiva. Ainda mais com tanto em jogo. Por outro lado, o caminho parece ficar mais claro e menos tortuoso se uma equipe conseguir aliar esses dois elementos nessas últimas rodadas da competição. Parece óbvio, mas é exatamente isso que o Fluminense fez neste domingo (31) contra o Goiás, em partida disputada no Estádio Nilton Santos. A atuação dos comandados de Marcão no primeiro tempo (com todas as ressalvas que veremos mais adiante) deve servir de modelo para o Tricolor das Laranjeiras atingir seu principal objetivo: a vaga na próxima edição da Copa Libertadores da América. O Flu conquistou dez dos últimos quinze pontos disputados. Nada mal para uma equipe que teve que se reinventar no meio da competição.

Sem poder contar com Yago Felipe, Michel Araújo e Marcos Paulo, o técnico Marcão apostou num 4-2-3-1 básico que liberava os veteranos Fred e Nenê das obrigações defensivas e tinha em Lucca e Luiz Henrique as válvulas de escape para colocar velocidade nas transições ofensivas. Ao mesmo tempo, Hudson aparecia na frente com uma certa frequência (numa variação para o 4-1-4-1) e se revezava com o (ótimo e promissor) Martinelli nas subidas ao ataque. É interessante notar que Marcão conseguiu aproveitar os espaços e todos os problemas defensivos de um Goiás desesperado para se livrar da zona do rebaixamento. O grande mérito do Fluminense na partida deste domingo (31) foi manter a organização ofensiva e um ótimo aproveitamento nas jogadas de bola parada. Além disso tudo, vale destacar que Nenê voltou a jogar bem e comandou todas as ações no meio-campo tricolor.

Quem chega e quem sai dos clubes?

 

Hudson se juntava ao ataque como “quarto meia” na variação do 4-2-3-1 para o 4-1-4-1 na estratégia montada por Marcão. Fred, Luiz Henrique e Lucca mantinham a organização ofensiva e faziam o Fluminense chegar no ataque com muito volume de jogo. Boa atuação coletiva do Tricolor das Laranjeiras. Foto: Reprodução / SPORTV

Essa mesma organização ofensiva era mantida quando Nenê se posicionava como o jogador mais avançado do Fluminense. Se Luiz Henrique estava mais recuado (cobrindo as subidas de Calegari ao ataque), Fred abria pelo lado e entrava em diagonal (movimento que era repetido por Lucca no lado oposto). Tudo para gerar superioridade numérica na intermediária e abrir a defesa do Goiás sempre com passes mais curtos e bastante aproximação entre o quarteto (ou quinteto) ofensivo. Também não era raro ver os laterais tricolores jogando um pouco mais por dentro e dando opção de passe para o veterano da camisa 77. Não é nada muito elaborado, é verdade. Mas o ataque do Fluminense vem funcionando bem jogando dessa maneira e Marcão parece ter encontrado a formação mais perfeita para acomodar dois jogadores veteranos que já não tem mais o pique para fazer o balanço defensivo na sua equipe.

Fred abre o jogo e se prepara para atacar o espaço à sua frente assim que Nenê recebe a bola no meio-campo. Lucca, por sua vez, abre o jogo pelo outro lado do campo e mantém a organização ofensiva de um Fluminense que teve muito volume nos primeiros 45 minutos da partida contra o Goiás. Foto: Reprodução / SPORTV

Por outro lado, nem tudo é alegria no Fluminense de Marcão. Principalmente quando o assunto é a defesa. Você já leu aqui neste espaço que, ao contrário de Odair Hellmann (que apostava em perseguições mais curtas a partir do campo defensivo e em marcação por zona na frente da área), o atual comandante tricolor aposta em perseguições mais longas. O problema é que isso acaba deixando mais espaços à frente da última linha defensiva. O frame abaixo mostra Egídio, Lucca e Martinelli fazendo a pressão no portador da bola e permitindo que Fernandão partisse sozinho pela direita. Se o ataque é organizado, o mesmo não pode ser dito sobre a defesa do Fluminense (que ainda sofre muito nas bolas aéreas e nos contra-ataques). Falta compactação e coordenação nos movimentos quando o adversário tem a bola. Não foi raro ver o Goiás com espaço para atacar. Principalmente no segundo tempo.

As perseguições mais longas propostas por Marcão acabam desarrumando a defesa do Fluminense e abrindo espaços na frente da área. Fosse o Goiás uma equipe mais organizada e menos afobada, o placar no Estádio Nilton Santos poderia ter sido bem diferente dos 3 a 0 a favor do Tricolor das Laranjeiras. Foto: Reprodução / SPORTV

O panorama da segunda etapa não mudou e o Fluminense seguiu mantendo a bola no campo de ataque mas sem acelerar tanto as jogadas como fez no primeiro tempo. Caio Paulista, Fernando Pacheco, Luiz Henrique, Fred e Nenê (que voltou a estar “on” na partida depois de um longo e tenebroso inverno) ainda desperdiçaram grandes chances de balançar as redes de Tadeu ao longo dos noventa minutos no Estádio Nilton santos. Mas o que fica para as próximas partidas da equipe no Brasileirão é o fato de que Marcão vem conseguindo organizar o setor ofensivo e encaixar seus dois jogadores mais experientes numa equipe repleta de garotos da base. Ao mesmo tempo, o treinador tricolor vem rodando bem o time para dar fôlego e descansar seus principais atletas para a sequência final da competição. Se acertar a recomposição defensiva, pode deixar o Fluminense ainda mais competitivo e mais consistente.

Os três pontos conquistados neste domingo (31) colocaram o Fluminense na quinta posição da tabela e com plenas condições de conquistar uma vaga direta na fase de grupos da próxima edição da Libertadores. As partidas contra Bahia, Atlético-MG, Ceará, Santos e Fortaleza vão nos dizer aonde os comandados de Marcão podem chegar nesses momentos finais de temporada. A vaga no G6 é muito possível.

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