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Virada do Flamengo sobre o Vélez Sarsfield não pode esconder os problemas crônicos da equipe; entenda

Na coluna PAPO TÁTICO, Luiz Ferreira analisa a atuação da equipe comandada por Rogério Ceni na rodada de abertura da Libertadores

Luiz Ferreira
Produtor executivo da equipe de esportes da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, jornalista e radialista formado pela ECO/UFRJ, operador de áudio, sonoplasta e grande amante de esportes, Rock and Roll e um belo papo de boteco.

Crédito: Marcelo Cortes / Flamengo

Rogério Ceni talvez seja um dos treinadores que mais sofre pressão em todo o futebol brasileiro. Por outro lado, já ficou claro que ele é um dos que menos se ajuda. Mesmo com a boa vitória de virada do Flamengo sobre o Vélez Sarsfield nesta terça-feira (20) no Estádio José Amalfitani, em Buenos Aires, o técnico continua sendo questionado sobre suas escolhas e sobre os problemas crônicos no sistema defensivo. A impressão que ficou dos 3 a 2 sobre a equipe argentina foi a de que os três pontos conquistados na primeira rodada da fase de grupos da Libertadores foi construída muito mais na base do talento individual do que do jogo coletivo do Fla. Ainda mais quando todo o escrete rubro-negro sofreu demais com os espaços na frente da última linha e com uma desorganização absurda na transição defensiva. Ainda bem que Gabigol, Diego Ribas e Arrascaeta fizeram a diferença dentro de campo.

É preciso dizer, no entanto, que o Flamengo começou bem a partida no Estádio José Amalfitani. A equipe trabalhava bem a bola no campo adversário e chegava com certa facilidade na área do Vélez Sarsfield através de boas trocas de passe no terço final e com as boas ultrapassagens de Isla pela direita e com Filipe Luís ajudando na criação das jogadas. No entanto, bastou que a equipe comandada por Mauricio Pellegrino colocasse apenas um pouco de velocidade no contra-ataque para escancarar a péssima recomposição defensiva do time de Rogério Ceni. Isso sem falar da afobação de Gustavo Henrique no bote a Lucero e da falha geral de posicionamento da zaga rubro-negra no lance do primeiro gol do Vélez (marcado por Janson aos 20 minutos do primeiro tempo). E o pior de tudo foi ver Diego Ribas e Gerson completamente confusos na cobertura e na perseguição dos atletas adversários. Uma verdadeira sucessão de erros.

O Vélez Asrsfield acelera no contra-ataque e vê um Flamengo totalmente desorganizado e confuso na recomposição defensiva. Ainda que Gustavo Henrique tenha sido afobado no lance, o gol de Janson escancarou um dos principais problemas do time de Rogério Ceni. Foto: Reprodução / YouTube / ESPN Brasil

Gerson iniciou a jogada que resultou no gol de Willian Arão aos 42 minutos da primeira etapa. Se a defesa não inspirava a menor confiança, o ataque também falhava (e muito). Everton Ribeiro (que segue em péssima fase técnica) perdeu chance incrível na frente de Hoyos pouco antes do intervalo. O que se via era um Flamengo completamente irregular e capaz de fazer grandes jogadas de ataque e errar clamorosamente em lances elementares. Exatamente como no segundo gol do Vélez Sarsfield (também marcado por Janson) aos oito do segundo tempo. Mas Rogério Ceni teve alguns méritos na partida. O principal deles foi conseguir organizar (um pouco) o sistema ofensivo do Flamengo depois de levar o segundo gol. Com Isla e Everton Ribeiro mais ligados nos passes e Arrascaeta jogando como “camisa 10” de fato (logo atrás de Gabigol e Bruno Henrique), o time cresceu e começou a construir a virada na capital argentina.

Com Gerson e Everton Ribeiro mais próximos do ataque e Arrascaeta jogando como “camisa 10” de fato, o Flamengo cresceu e não demorou a empatar novamente a partida com Gabigol convertendo pênalti sofrido por ele mesmo. O volume de jogo da equipe aumentou consideravelmente. Foto: Reprodução / YouTube / ESPN Brasil

A equipe comandada por Mauricio Pellegrino sentiu demais o gol e o ímpeto ofensivo de um Flamengo que atacava com muita gente. E outra boa sacada de Rogério Ceni foi a mudança do 4-4-2 para um 4-2-3-1 já utilizado por ele em algumas partidas do Campeonato Brasileiro. Arrascaeta (autor do golaço que fechou a vitória do escrete rubro-negro) vinha mais por dentro, Gerson e Diego Ribas guardaram mais suas posições no meio-campo, Everton Ribeiro abria o corredor direito para as subidas de Isla e Bruno Henrique abria o campo pela esquerda. Tudo para que Gabigol pudesse atrair a marcação do Vélez Sarsfield e abrir o espaço para o uruguaio acertar belíssimo chute de fora da área. A tola expulsão de Mancuello ao 40 minutos do segundo tempo praticamente acabou com qualquer chance de reação do time de Mauricio Pellegrino. No entanto, o Fla voltava a ter mais sorte que juízo mais uma vez.

O Flamengo se posicionou num 4-2-3-1 com Arrascaeta por dentro, Everton Ribeiro abrindo o corredor para Isla e Bruno Henrique abrindo o campo pela esquerda no final da partida no Estádio José Amalfitani. Mais uma sacada interessante de Rogério Ceni. Foto: Reprodução / YouTube / ESPN Brasil

Mesmo assim, ainda é muito complicado defender as escolhas de Rogério Ceni. Ainda mais quando o jogo pedia a entrada de Pedro no lugar de Everton Ribeiro logo depois do intervalo para dar ainda mais profundidade ao ataque e não sobrecarregar tanto Gabigol na movimentação ofensiva. Mas o grande problema segue sendo a péssima recomposição defensiva do escrete rubro-negro. Ao mesmo tempo, a insistência na escalação de Gustavo Henrique (jogador que segue com seríssimos problemas de confiança e de tomadas de decisão) são injustificáveis. Por mais que Rogério Ceni tenha sim seus méritos na construção da virada sobre o Vélez Sarsfield, a sensação de todos que viram o jogo foi a de que o Flamengo acabou se salvando por causa do talento individual dos seus jogadores já bastante acostumados a atuarem juntos do que qualquer outra coisa. Está cada vez mais difícil defender o técnico rubro-negro…

Certo é que a vitória veio. E um jogador que merece bastante ser exaltado é Diego Ribas. Além de ser o melhor em campo (pelo menos na humilde opinião deste que escreve), o camisa 10 fez de tudo um pouco no meio-campo. Marcou, distribuiu passes, organizou a saída de bola e ainda participou das jogadas de ataque. Pode não ser decisivo, mas certamente vem sendo um dos jogadores que melhor vem aproveitando as chances com Rogério Ceni. Partidaça de Diego. Mais uma.

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