Entrevista exclusiva: Craque no UFC, nos negócios e no futebol! Shogun avalia carreira e projeta o futuro

Lutador brasileiro Maurício Shogun fala da sua carreira no UFC em entrevista exclusiva e também da sua rede de academias franqueadas

Mário André Monteiro
Jornalista com passagens por Portal iG, Fox Sports e Osasco Audax. Atualmente editor do Alemanha FC (http://www.alemanhafc.com.br). No Twitter: @alemao_mario e no Instagram: @marioalemao

Crédito: Divulgação

Maurício Shogun é, sem dúvidas, um dos maiores nomes do esporte brasileiro quando o assunto é MMA. O curitibano de 39 anos de idade foi campeão nas duas principais organizações da modalidade, em 2005 no Pride e em 2010 no UFC, ambas na categoria meio-pesado.

Já na reta final da sua vitoriosa e emblemática carreira, Shogun resolveu apostar nos negócios. No ano passado, ao lado dos seus irmãos Murilo Ninja e Marcos Shaolin, decidiu expandir sua rede de academias, a “Shogum Team”, e já é sucesso nacional, com mais de 50 unidades franqueadas em funcionamento.

Na entrevista exclusiva, o lutador do UFC falou do seu projeto com as academias, relembrou algumas das principais lutas da sua carreira e conversou também sobre futebol. Palmeirense roxo, apesar de ter nascido no Paraná, ele mandou um recado para a torcida alviverde.

E mais do que isso. Shogun admitiu que é um bom meio-campista, muito melhor do que seus companheiros de octógono.

 

Confira abaixo a entrevista completa com Maurício Shogun:

Em novembro de 2020, após sua derrota para Paul Craig, Dana White (presidente do UFC) disse que já era a hora de você se aposentar. Como você viu essa declaração?
Dana White fez aquele comentário sem saber que eu tinha machucado o braço na última luta, logo na primeira queda. Isso me atrapalhou muito, rompi ligamento. Eu paro a hora que eu quiser.

E você acha que está chegando essa hora de parar?
Pretendo fazer mais uma ou duas lutas. Uma nesse ano e talvez outra em 2022. E depois parar de vez, em definitivo, sem ir para outra organização. Terminar no próprio UFC.

Você acha que o brasileiro em geral perdeu um pouco o interesse em UFC?
Antigamente tinham menos eventos, uma vez por mês, tinha toda aquela expectativa. Hoje tem UFC toda semana. A audiência pode até não ser tão grande dentro de um evento em si, mas se juntarem todos os eventos do mês, acaba sendo maior do que um ou dois que tinham antes. O UFC valorizou demais o MMA.

Então ainda está em alta?
UFC atingiu o auge há muito tempo e, para mim, não baixou. Méritos do Dana White, ele é a cara do UFC.

De todas as suas derrotas, qual foi a mais dolorosa, psicologicamente falando?
Acho que contra o Jon Jones (UFC 128, em novembro de 2011) foi a derrota mais frustrante. Em três rounds não consegui fazer minha luta, fiquei triste comigo mesmo. Tem duelo que eu luto bem, perco, mas saio feliz. Essa foi a que saí frustrado.

E o duelo mais marcante positivamente?
A trilogia com o Minotouro, sem dúvida. Venci as três vezes, ele é um cara bem duro. As pessoas falavam que eu só tinha a perder se lutasse pela terceira vez com ele, mas eu falava o contrário, que só tinha a ganhar, porque eu tinha a chance de vencer um cara como ele pela terceira vez. E consegui.

Qual foi a sua melhor atuação em uma luta, na sua opinião?
Tive grandes atuações na carreira. Mas eu escolheria as duas dos títulos mundiais, que eu mandei bem e conquistei meu sonho. (em 2010 contra Lyoto Machida, no UFC 113; e em 2005 contra Ricardo Arona, no Pride GP)

E o futebol? Acompanha bastante durante as viagens para as lutas?
Torço de torcer mesmo, sou palmeirense, vou em estádio e tudo. E lá fora acompanho direto pela internet.

O que vem achando do Palmeiras atual?
A torcida é muito exigente. O time ganhou quase tudo ano passado, Libertadores, Copa do Brasil, Paulistão. Perdeu Recopa Sul-Americana e Supercopa do Brasil, mas a torcida precisa pegar mais leve. Gosto do Abel Ferreira como treinador, o time dele é bem ajeitado.

E você joga bola com o pessoal do UFC?
Jogo, mas não tanto como antes. Sou meio-campista, não só de marcação. José Aldo joga bem futebol, mas Wanderlei Silva e Fabrício Werdum são muito ruins. Desses caras aí eu sou o craque de bola, entre os pernas de pau eu sou o melhor.

Agora falando sobre a sua rede de academias. Como funciona?
Já estamos com 54 academias em 1 ano e meio, mais ou menos. E nenhuma fechou. Nosso foco é arte marcial, mas também temos crossfit e musculação em algumas unidades. Nossa intenção é explorar o aprendizado que tivemos ao longo dos anos. Mostrar para o Brasil toda essa filosofia da arte marcial, esses ensinamentos precisam continuar. Nosso foco é atender ao profissional que busca luta e a pessoa que treina por esporte ou lazer, qualidade de vida mesmo.

O franqueado pode esperar um bom suporte?
O franqueado tem todo suporte de material, são várias empresas fornecedoras que são homologadas com a gente, seja tatame, equipamento, roupa… além disso tem treinamento para os professores, a gente faz uma avaliação nas pessoas que vão trabalhar na academia. Vão receber nossa apostila para passar a nossa filosofia, tudo em cima do que nós acreditamos, seja por esporte, lazer ou profissionalmente.

E MAIS

Jon Jones x Ngannou não deve acontecer, diz Dana White

+Khabib recusou US$ 100 milhões para lutar boxe com Floyd Mayweather

Charles do Bronx responde provocação de McGregor: “Se preocupa com o Dustin”