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Ceará usa paciência e força mental para vencer o Bahia e sair na frente na decisão da Copa do Nordeste

Na coluna PAPO TÁTICO, Luiz Ferreira explica como Guto Ferreira e Dado Cavalcanti lidaram com cada situação do jogo no Pituaçu

Luiz Ferreira
Produtor executivo da equipe de esportes da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, jornalista e radialista formado pela ECO/UFRJ, operador de áudio, sonoplasta e grande amante de esportes, Rock and Roll e um belo papo de boteco.

Crédito: Lucas Figueiredo / CBF

Já era mais do que esperado que o primeiro jogo da grande final da Copa do Nordeste fosse ser marcado pelo equilíbrio. De fato, não tivemos lá grandes emoções por conta de todas as circunstâncias que foram se desenhando no decorrer da partida. Expulsões, equipes com muito campo para preencher, muita pegada no meio-campo e um duelo tático muito intenso na beira do gramado. Acabou que o bem organizado Ceará de Guto Ferreira conseguiu a vitória sobre um Bahia igualmente bem armado por Dado Cavalcanti com um gol de falta marcado por Jael (o CRUEL) aos 47 minutos do segundo tempo. A vantagem (mínima) é do Vozão, mas o que fica do jogo deste sábado é como a equipe da capital cearense conseguiu se adaptar a cada situação que o jogo foi apresentando. Difícil não ver uma equipe que, além de muito bem treinada, tem na paciência e na força mental alguns de seus pontos mais fortes.

É praticamente impossível não começar falando da tola expulsão do zagueiro Luiz Otávio (do Bahia) aos 19 minutos do primeiro tempo após entrada criminosa em cima de Lima. O Bahia (que vinha tendo boa atuação com o 4-3-3 de Dado Cavalcanti) se organizou numa espécie de 4-4-1 e não deixou de frequentar o campo do Ceará com as subidas de Nino Paraíba e Rossi pelo lado direito. Do outro lado, o Vozão assumiu o controle das ações adiantando as linhas do 4-2-3-1 preferido de Guto Ferreira, mas a bola não chegava com qualidade no ataque e Vina (principal jogador da equipe) não estava numa noite lá muito inspirada. A expulsão de Charles depois de cometer falta feia em cima de Nino Paraíba (aos 47 minutos da primeira etapa) recolocava o Bahia no jogo após o intervalo. No entanto, o jogo seguia muito estudado e muito brigado no meio-campo. Mesmo com a vantagem numérica do Vozão no primeiro tempo.

Guto Ferreira repetiu o 4-4-1 de Dado Cavalcanti no segundo tempo, mas preferiu manter Lima como volante ao lado de Oliveira e Vina como uma espécie de “falso nove” que abria espaços para as chegadas de Mendoza e Felipe Vizeu em diagonal. O Ceará até conseguia ficar com a bola, mas não conseguia furar o eficiente bloqueio defensivo do Tricolor de Aço. Se Patrick de Lucca (quando o Bahia estava com os onze jogadores em campo) recuava para a zaga para fazer a “Saída Lavolpiana” e liberar a subida dos laterais (e fazer a linha de cinco na defesa em alguns momentos), o camisa 45 passou a fechar o espaço de circulação na frente da defesa e contou com Thaciano fechando o meio e Rossi voltando quase como um volante pela direita. Tudo para liberar Rodriguinho e Gilberto para o ataque. Chegou um momento em que cada substituição realizada por Dado Cavalcanti parecia uma resposta a Guto Ferreira e vice-versa.

O duelo tático na beira do gramado seguia a todo vapor enquanto o Bahia desperdiçava boas chances com Rossi e com um cruzamento de Nino Paraíba que Richard quase jogou para dentro da própria baliza. Mas a essa altura, Guto Ferreira já havia corrigido os problemas do Ceará com as entradas de Pedro Naressi, Saulo Mineiro, Yony González e… Jael. Não que as substituições realizadas por “Gordiola” tivessem surtido efeito imediato, mas ajudaram a organizar mais o 4-4-1 do Vozão dentro de campo. E acabou que foi justamente o camisa 9 quem cobrou a falta cometida por Nino Paraíba aos 47 minutos do segundo tempo. A bola bateu nas costas de Óscar Ruíz e tirou o (ótimo) goleiro Matheus Teixeira do lance. Gol que premiava toda a concentração e toda a paciência do Ceará num jogo recheado de situações complicadas e diante de um adversário que também teve que se superar durante os noventa minutos.

O Ceará conquista uma vantagem (ainda que mínima) para o jogo de volta da final da Copa do Nordeste na base da persistência e da força mental para encontrar o melhor momento de atacar e seguir o plano de jogo de Guto Ferreira. Destaque para as boas atuações de Oliveira e da excelente dupla de zaga formada por Messias e Luiz Otávio. No entanto, fica a sensação de que o Vozão poderia ter forçado um pouco mais quando estava em vantagem numérica no primeiro tempo. Ainda mais contra um Bahia que cansou nos 45 minutos finais depois de correr demais para suprir a saída de Danielzinho (jogador escolhido por Dado Cavalcanti para recompor seu sistema defensivo). Rodriguinho, Rossi e Thaciano foram bem enquanto tiveram fôlego e Gilberto pouco participou das jogadas de ataque. Na prática, a partida de ida da final da Copa do Nordeste foi muito mais estudado e brigado do que propriamente “jogado”.

Nada que diminua o tamanho das atuações das duas equipes. O Ceará de Guto Ferreira saiu na frente na briga pelo título e superou um Bahia extremamente qualificado e que executa muito bem as ótimas ideias de Dado Cavalcanti. Só que o jogo deste sábado (1) mostrou também que concentração, paciência e força mental são fundamentais para se conquistar a Copa do Nordeste. Justamente alguns dos pontos mais fortes do Vozão nas últimas temporadas.

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