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Pode falar sem medo de ser feliz: Bia Zaneratto é a melhor jogadora do Brasileirão Feminino até o momento

Na coluna PAPO TÁTICO, Luiz Ferreira analisa a vitória do Palmeiras sobre o Flamengo e a grande atuação da camisa 10 das Palestrinas na partida

Luiz Ferreira
Produtor executivo da equipe de esportes da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, jornalista e radialista formado pela ECO/UFRJ, operador de áudio, sonoplasta e grande amante de esportes, Rock and Roll e um belo papo de boteco.

Crédito: Fabio Menotti / SE Palmeiras

Todo mundo (seja treinador, jornalista ou torcedor) gosta daquela jogadora que chama a responsabilidade, que chama a bola de “meu amor” e que faz a diferença nos momentos mais críticos de cada partida. Não é exagero nenhum afirmar que o Palmeiras de Ricardo Belli já possui essa atleta. Trata-se de Bia Zaneratto. Todos nós já conhecíamos as qualidades da camisa 10 das Palestrinas (apesar de alguns duvidarem da sua capacidade e poder de decisão). Mas a sua atuação na vitória por 3 a 1 sobre o Flamengo de Celso Silva neste domingo (31) praticamente a consolida como a melhor jogadora do Brasileirão Feminino até o momento. Não somente pelos três gols marcados no Canindé, mas por todo o conjunto da obra nessa e nas demais partidas da competição mais importante da modalidade no país. Bia Zaneratto vem fazendo por onde merecer os elogios e aplausos por onde passa. Sem exagero nenhum.

A partida deste domingo (30) colocava frente a frente duas equipes que vivem momentos muito distintos nessa temporada. O Flamengo vinha de derrota para o Corinthians e o técnico Celso Silva apostava no seu usual 4-1-4-1 com Darlene mais recuada fechando pelo meio junto com Ana Clara, Rafa Barros e Jayanne pelos lados e Flávia no comando de ataque. Do outro lado estava o Palmeiras de Ricardo Belli e seu elenco cheio de opções. Dessa vez, a aposta foi num 4-2-3-1 que trazia Thaís e Rafa Andrade como volantes, Júlia Bianchi, Duda Santos e Ary Borges formando o trio de meias e Bia Zaneratto se movimentando constantemente no comando de ataque. A primeira grande chance de gol da partida foi do Flamengo, em chute de Darlene à direita da goleira Jully. Mas não demoraria muito para que as Palestrinas mostrassem seu futebol e impusessem seu estilo agressivo e intenso nas transições e na pressão pós-perda.

Flamengo vs Palmeiras - Football tactics and formations

Darlene jogou mais recuada no 4-1-4-1 no Flamengo de Celso Silva e criou algumas das melhores chances de gol das meninas rubro-negras na partida. Só que o volume de jogo do Palmeiras não demoraria a aparecer. Júlia Bianchi jogou mais adianta no 4-2-3-1 inicial de Ricardo Belli.

A ideia de Celso Silva com a formação escolhida para o Flamengo era fechar os espaços entre as linhas da sua equipe e acionar Rafa Barros, Flávia e Jayanne em bolas mais longas. Só que, mesmo congestionando bem o meio-campo, o escrete rubro-negro teve que lidar com uma Bia Zaneratto inspiradíssima. A camisa 10 das Palestrinas não se mantinha apenas no comando de ataque esperando a bola no pé. Ela buscava os “pontos cegos” no 4-1-4-1 utilizado pelo Fla com muita inteligência. Na prática, havia liberdade de movimentação e muita intensidade saindo da diagonal para o meio para buscar a tabela com as Duda Santos, Ary Borges, Júlia Bianchi e Bruna Calderan na variação para o 2-3-5 (a famosa “pirâmide”) facilmente notada no time de Ricardo Belli. E como era de se prever, o Flamengo de Celso Silva não conseguira resistir por muito tempo diante de tanta movimentação e intensidade.

Bia Zaneratto tinha total liberdade para ocupar todo o campo de ataque. A camisa 10 das Palestrinas variava muito seu posicionamento e buscava os “pontos cegos” do 4-1-4-1 do Flamengo para sair em diagonal em direção ao gol com muita velocidade. Foto: Reprodução / BAND

A camisa 10 das Palestrinas abriu o placar em penalidade boba cometida pela goleira Kaká aos 21 minutos do primeiro tempo, mas já levava a defesa do Flamengo à loucura com muita movimentação. Mas o melhor da noite de domingo (30) ficaria reservado para os 45 minutos finais no Canindé. Bia Zaneratto seguia com seu recital no comando de ataque sempre puxando pelo menos uma jogadora da defesa do Flamengo para abrir o espaço para suas companheiras de equipe. E a intensidade aumentou ainda mais com Camilinha no lugar de Bruna Calderan. Thaís foi jogar como “lateral amadora” mais por dentro e ajudou a empurrar o Flamengo para trás junto com as demais jogadoras. O segundo gol do Palmeiras (e de Bia Zaneratto) foi uma verdadeira aula sobre os movimentos do “jogo de posição”. Atrair para quebrar as linhas e atacar o espaço que aparece na frente. E a camisa 10 é mestra nesse tipo de movimentação.

No lance do segundo gol do Palmeiras, Bia Zaneratto aparece na intermediária e atrai a zagueira Cida. Com o espaço aberto, a camisa 10 faz a tabela com Ary Borges e se livra de todo o sistema defensivo rubro-negro antes de tocar na saída da goleira Kaká. Foto: Reprodução / BAND

O Flamengo ainda ganhou uma sobrevida na partida com o gol de Cida aos 36 minutos, mas Bia Zaneratto tratou de dar números finais à partida com mais um gol em lance que deixou a impressão de impedimento de Ottilia após o passe de Chú. Seja como for, a camisa 10 palmeirense mostrou seu talento mais uma vez e provou que o título dessa análise não é nada exagerado. Pouquíssimas atacantes possuem sua inteligência para buscar espaços, seu faro de gol e o estilo que alia habilidade e uma grande força física para vencer as zagueiras adversárias. Por mais que o elenco das Palestrinas esteja recheado de grandes atletas (Maria Alves é mais uma que pode somar muito no decorrer do Brasileirão Feminino), Bia Zaneratto desponta como a grande estrela e referência técnica de um time que ainda conta com jogadoras do quilate de Katrina, Bruna Calderan, Thaís, Júlia Bianchi, Ary Borges e várias outras.

É verdade que a competição só “começa de verdade” na fase de mata-mata e que tudo o que foi feito na fase de grupos pode cair por terra em apenas dois jogos. Mesmo assim, o Palmeiras pinta como principal adversário do Corinthians nessa temporada. Não somente pela ótima campanha (as Palestrinas ainda estão invictas na temporada), mas por tudo que Bia Zaneratto vem mostrando. É por isso que esse que escreve não tem medo de ser feliz. A camisa 10 é (até o momento) a melhor jogadora do Brasileirão Feminino.

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