Inglaterra segue sem convencer na Eurocopa apesar da classificação e do enorme potencial do elenco

Na coluna PAPO TÁTICO, Luiz Ferreira analisa a atuação da equipe de Gareth Southgate na vitória sobre a República Tcheca

Luiz Ferreira
Produtor executivo da equipe de esportes da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, jornalista e radialista formado pela ECO/UFRJ, operador de áudio, sonoplasta e grande amante de esportes, Rock and Roll e um belo papo de boteco.

Crédito: Reprodução / Facebook / UEFA EURO 2020

Este que escreve classificou a Inglaterra como uma das maiores decepções da Eurocopa em termos de futebol bem jogado até o presente momento. As críticas apareceram com força, mas a opinião foi mantida. E ganhou ainda mais força depois da vitória simples sobre a República Tcheca por 1 a 0 em jogo realizado nesta terça-feira (22), em Wembley. É verdade que o que importa no final de tudo para o apaixonado torcedor do English Team são os três pontos e a classificação para as oitavas de final. No entanto, o escrete comandado por Gareth Southgate voltou a jogar muito abaixo do seu (enorme) potencial diante de um adversário apenas aplicado taticamente e que teve vários problemas defensivos que não foram totalmente explorados por Sterling, Harry Kane e companhia. O desempenho da Inglaterra até o momento ainda não convenceu ninguém apesar da grande expectativa gerada em torno da equipe.

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A atuação contra a República Tcheca seguiu uma espécie de “roteiro”, um padrão percebido nas três partidas do time de Gareth Southgate nessa Eurocopa. A Inglaterra começa as partidas com alta intensidade, muita movimentação do quarteto ofensivo e marcação no campo adversário. No caso da partida desta terça-feira (22), a Inglaterra não tinha Mason Mount, Chilwell (ambos afastados por precaução com a COVID-19) e Phil Foden (por opção do treinador do English Team). De resto, o English Team não sofreu grandes modificações. Saka entrou pela direita no 4-2-3-1 de Gareth Southgate, Grealish se alternava por dentro e à esquerda com Sterling que, por sua vez, aproveitava o espaço criado pela movimentação de Harry Kane. A República Tcheca, por sua vez, marcava muito mal e concedia espaços generosos entre suas linhas. Principalmente com passes que vinham dos zagueiros Stones e Maguire.

Com Saka à direita, Grelish se revezando entre o meio e a esquerda, Sterling aproveitando a movimentação de Harry Kane e com os laterais Walker e Shaw abrindo o campo, a Inglaterra se impôs diante de uma República Tcheca desorganizada e sem compactação. Foto: Reprodução / SPORTV / GE

O único gol da partida (marcado por Sterling) aos onze minutos do primeiro tempo nasceu dessa movimentação constante do quarteto ofensivo. Mas o “roteiro” pedia outro movimento da Inglaterra. Com a vantagem no placar, a equipe de Gareth Southgate simplesmente parou de atacar, diminuiu o ritmo e abaixou as suas linhas de marcação. A atuação não chegou no nível de irritação da vista no empate sem gols contra a Escócia na semana passada, mas escancarou o desempenho fraco da equipe de Gareth Southgate nessa Eurocopa. Do outro lado, a República Tcheca percebeu que “o bicho não era tão feio assim” e levou perigo ao gol de Pickford com chutes de Holes e Soucek ainda no primeiro tempo. Apesar da superioridade do English Team, ficou nítido que o ritmo caiu vertiginosamente depois que Sterling abriu o placar. E sem intensidade nos movimentos, até mesmo a marcação ficou um pouco comprometida.

A Inglaterra diminuiu o ritmo depois de abrir o placar aos onze minutos do primeiro tempo e, mesmo com mais posse de bola, viu a República Tcheca levar perigo em finalizações de Holes e Soucek. O desempenho seguia bem abaixo da expectativa de torcida e imprensa. Foto: Reprodução / SPORTV / GE

A segunda etapa acabou marcada pelo marasmo das duas seleções. Tanto que o primeiro chute a gol só saiu aos 37 minutos com Pekhart dando um susto em Pickford. A Inglaterra ainda chegou a balançar as redes pela segunda vez, mas a arbitragem (acertadamente) assinalou impedimento de Henderson (substituto de Rice) no lance. De novidade, apenas a entrada do badalado Jadon Sancho, mas o atacante do Borussia Dortmund não teve muito tempo para mostrar serviço. Assim como Rashford, Bellingham e Mings. Na prática, o English Team teve uma atuação de fraca para razoável contra um adversário que poderia ter complicado a vida da equipe de Gareth Southgate se tivesse um pouco mais de qualidade. Mesmo assim, vale destacar a boa atuação do jovem Bukayo Saka. O atacante do Arsenal foi importantíssimo no balanço defensivo e nas transições para o ataque. Foi o que menos caiu de rendimento na partida.

Apesar da classificação para as oitavas de final da Eurocopa na primeira posição do grupo D, a Inglaterra deixa a sensação de que não deve ter lá muitas forças para seguir na competição. Ainda mais sabendo que seu adversário na fase seguinte vai sair do Grupo F, que conta com Hungria, Alemanha, Portugal e França. O desempenho ruim e sem muita graça, a postura desinteressada de jogadores e comissão técnica e um “roteiro” já manjado por muita gente só reforça essa tese. A campanha na fase de grupos foi muito boa (duas vitórias e um empate, com dois gols marcados e nenhum sofrido), a geração de jogadores é extremamente talentosa e Gareth Southgate é um bom treinador. Afinal de contas, o que falta para o futebol da Inglaterra finalmente deslanchar? O que acontece com a equipe dentro de campo? Por que o English Team começa bem suas partidas e diminui o ritmo depois dos primeiros minutos da partida?

São perguntas difíceis de serem respondidas. Pelo menos agora. Só que essa postura mais insossa de uma Inglaterra que tenta quebrar um jejum de títulos que vem desde a conquista da Copa do Mundo de 1966 é o que enfraquece a equipe de Gareth Southgate. E pelo que se viu até o momento, não parece que Sterling, Harry Kane, Pickford e companhia vão conseguir apresentar um futebol mais vistoso. Parece que essa é a tônica do English Team. Ninguém quer sair desse “roteiro”.

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