Internacional supera o Grêmio na base da consistência defensiva e da eficiência no ataque; entenda

Na coluna PAPO TÁTICO, Luiz Ferreira analisa a atuação das equipes de Maurício Salgado e Patrícia Gusmão no Gre-Nal desse domingo (20)

Luiz Ferreira
Produtor executivo da equipe de esportes da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, jornalista e radialista formado pela ECO/UFRJ, operador de áudio, sonoplasta e grande amante de esportes, Rock and Roll e um belo papo de boteco.

Crédito: Jota Finkler / SC Internacional

O primeiro Gre-Nal da história do Brasileirão Feminino Série A1 disputado no Beira-Rio já estava cercado de expectativa antes mesmo do apito inicial. Muito por conta das campanhas de Internacional e Grêmio na competição nacional, ambas já classificadas para as quartas de final e ainda brigando por uma vaga na recém-criada Supercopa do Brasil de 2022. Acabou que o escrete de Maurício Salgado saiu vencedor por justamente ter mantido a consistência defensiva das últimas partidas e por ter aproveitado melhor as chances criadas do que o Tricolor Gaúcho comandado por Patrícia Gusmão. E como não poderia deixar de ser, o Gre-Nal deste domingo (20) foi marcado por alternativas táticas, lances de perigo, muita marcação no meio-campo e pelas boas atuações de Fabi Simões, Djeni Becker, Mariana Pires e Juliana. Ótimo jogo que comprova (mais uma vez) a evolução da modalidade no país.

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Mas é preciso dizer que quem começou melhor a partida foi o Grêmio. Armado num 4-3-3 de muita força no meio e boas saídas pelos lados do campo, a equipe comandada por Patrícia Gusmão levou perigo para o gol de Vivi com Jane partindo pela direita (às costas de Ari) e servindo Rafa Levis na pequena área, que não conseguiu aproveitar. Maii Maii ainda desperdiçaria grande chance (aos oito minutos) antes do Internacional se organizar melhor em campo. Aos 22 minutos da primeira etapa, Djeni Becker interceptou passe no meio-campo e serviu Fabi Simões na esquerda. A camisa 7 colorada deixou Pri Back (volante improvisada na lateral por escolha de Patrícia Gusmão) e Andressa para trás e tocou entre as pernas da goleira Raíssa para abrir o placar. O início do lance mostrava bem como as Gurias Coloradas aproveitaram os espaços entre a linha defensiva e o meio-campo gremista para construir a jogada do gol.

Fabi Simões fez bela jogada individual no primeiro gol do Internacional, mas o início do lance acabou expondo os problemas de compactação do Grêmio entre as suas linhas. O posicionamento do 4-1-4-1 de Maurício Salgado explorou bem esses espaços no campo adversário. Foto: Reprodução / BAND

Mesmo com a desvantagem no placar, o Grêmio não abriu mão do seu estilo de jogo (pelo menos no primeiro tempo) e continuou pressionando o Internacional quase sempre pela direita, com as descidas de Jane e Pri Back por aquele lado. Só que as Gurias Coloradas se mantiveram firmes marcando com duas linhas com quatro jogadoras cada na frente da área da goleia Vivi. O real problema estava nas bolas aéreas, já que Bruna Benites e Sorriso encontravam algumas dificuldades no posicionamento defensivo. Não foi por acaso que Vivi se destacou com boas defesas e muita segurança debaixo das traves. Gisseli começou a aparecer mais pela esquerda e fazia boa dupla com Rafa Levis, mas ainda faltava um melhor acabamento nas finalizações e no último passe por parte das Gurias Gremistas. O Internacional de Maurício Salgado se fechava bem e tinha em Fabi Simões a sua grande válvula de escape.

Depois do gol de Fabi Simões, as Gurias Coloradas se fecharam na defesa (com duas linhas com quatro jogadoras cada na frente da área) e viram o Grêmio de Patrícia Gusmão povoar o campo de ataque com a inversão para o 2-3-5, muito volume de jogo e boas chegadas das laterais. Foto: Reprodução / BAND

A partida continuou bastante movimentada no segundo tempo com as equipes de Maurício Salgado e Patrícia Gusmão colocando muita velocidade e intensidade nas transições. E nesse ponto, é até interessante notar a presença clara da “Escola Gaúcha” nas duas equipes. Muita marcação, bolas longas e duelos decididos muito mais na base da força do que na habilidade. O Grêmio conseguiu o gol de empate aos 32 minutos da segunda etapa com Laís Esteves escorando belo passe de Gisseli após cruzamento do lado direito. Mas o Internacional acabaria saindo vencedor ao aproveitar mais uma vez os problemas de posicionamento na defesa do seu grande rival. Aos 41 minutos, Luana Grabias (que havia entrado no lugar de Rafa Travalão) recuperou bola rebatida pela zaga gremista e viu Mileninha se lançando às costas de Patrícia e Andressa. O chute não saiu forte, mas a goleira Raíssa não conseguiu segurar.

O gol da vitória do Internacional saiu de mais uma jogada em profundidade do ataque colorado. Luana Grabias recuperou bola na intermediária, viu Mileninha se lançando às costas da zaga gremista e fez o passe que deixaria a jovem jogadora em plenas condições de balançar as redes. Foto: Reprodução / BAND

Assim como falado anteriormente, o primeiro Gre-Nal do Brasileirão Feminino disputado no Beira-Rio ficou marcado pelas inúmeras alternativas táticas executadas pelos escretes de Maurício Salgado e Patrícia Gusmão, pela consistência nas duas propostas de jogo e (é claro) pela carga emocional característica de um dos clássicos mais disputados do mundo. E o jogo desse domingo (20) não seria diferente. Mas quem acabou rindo por último foi o Internacional. É bem verdade que a equipe pode apresentar um repertório maior de jogadas e algo além das bolas lançadas para Fabi Simões vencer as defesas adversárias na base da força física. Ainda mais com tantas jogadoras talentosas. O mesmo vale para o Grêmio, mas com um adendo: falta um certo capricho na conclusão das jogadas de ataque. Mesmo com os talentos de Rafa Levis, Laís Estevam, Gisseli, Pri Back e Maii Maii à disposição de Patrícia Gusmão.

Seja como for, é certo que as duas equipes vão chegar nas quartas de final do Brasileirão Feminino com muita força e muita vontade de vencer. A tal “Escola Gaúcha” está muito presente nas estratégias de Maurício salgado e Patrícia Gusmão e esse jogo mais pegado e brigado no meio-campo já faz parte do DNA de Internacional e Grêmio. No entanto, as gurias Gremistas e Coloradas vão precisar se superar se quiserem chegar mais longe na competição. Ainda mais com Corinthians e Palmeiras sobrando no cenário nacional.

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