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Aposta nos campeões olímpicos pode ser um caminho interessante para Tite na Seleção Brasileira; confira a análise

Na coluna PAPO TÁTICO, Luiz Ferreira também explica como as novidades da lista de convocados podem se encaixar no modelo de jogo adotado na equipe

Luiz Ferreira
Produtor executivo da equipe de esportes da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, jornalista e radialista formado pela ECO/UFRJ, operador de áudio, sonoplasta e grande amante de esportes, Rock and Roll e um belo papo de boteco.

Crédito: Lucas Figueiredo / CBF

Daniel Alves, Guilherme Arana, Bruno Guimarães, Claudinho, Matheus Cunha e Richarlison. Seis jogadores que estiveram presentes na conquista do bicampeonato olímpico em Tóquio foram lembrados por Tite em mais uma convocação para os próximos três jogos da Seleção Brasileira nas Eliminatórias da Copa do Mundo. Além deles, Raphinha (atacante do Leeds United de Marcelo “El Loco” Bielsa) também está na lista de 25 jogadores. A aposta em atletas mais jovens (com a clara exceção do lateral do São Paulo) indica um caminho interessante para o escrete canarinho nas partidas contra Chile (dia 2 de setembro), Argentina (dia 5) e Peru (dia 9). Não se trata aqui de uma renovação mais profunda do elenco (como muitos desejam), mas deixa bem claro que o treinador da Seleção Brasileira está sim preocupado e deseja encontrar soluções para os problemas apresentados pela sua equipe na última edição da Copa América.

Os seis campeões olímpicos com André Jardine não foram convocados por Tite apenas para “fazer média” com torcida e imprensa depois da conquista da medalha de ouro em Tóquio. O treinador da Seleção Brasileira sabe muito bem que todos esses nomes são ótimas opções e se encaixam no sistema adotado no escrete canarinho. Este mesmo colunista apontou nomes que poderiam fazer parte da equipe principal após a vitória sobre a Espanha na final olímpica. Se o veterano Daniel Alves já uma certeza para Tite, os jogadores mais jovens pintam como fortes concorrentes dos “mais antigos”. Um deles é (com toda a certeza) Bruno Guimarães. O volante do Lyon já é bem conhecido do torcedor brasileiro. Marca e chega na frente com qualidade e bastante frequência, tem ótimo passe e visão de jogo e se encaixou muito bem no “jogo de posição” adotado por André Jardine. Já merecia uma chance há bastante tempo.

Mas no meio das novidades de Tite temos um jogador que não é lá muito conhecido do torcedor brasileiro. Trata-se de Raphinha, jogador do Leeds United e que cresceu demais na última temporada jogando sob o comando de Marcelo Bielsa. De acordo com os números do SofaScore, o camisa 10 dos Peacocks se destacou bastante entre os brasileiros que disputam as principais ligas europeias. Não somente em chances criadas, mas em assistências, dribles passes decisivos e cruzamentos. Além disso, ele tem jogado mais pelo lado direito no 4-3-3 costumeiro de “El Loco” e ainda mostrou desenvoltura na adaptação às variações táticas constantes do treinador argentino (principalmente no conhecido 3-4-3 de Bielsa). Raphinha pode ser a peça que faltava numa Seleção Brasileira que mostrou muito pouca intensidade em vários momentos nas últimas partidas com dribles e arrancadas fulminantes.

E ainda temos Matheus Cunha, talvez o jogador mais promissor dessa nova safra de atletas. É o tipo de atacante raro no nosso futebol. Abre espaços, se movimenta bastante entre as linhas, tem muita qualidade nos duelos aéreo e sabe muito bem como arrastar zagueiros para trás e atacar espaços perto da área. Foi muito bem nos Jogos Olímpicos ao dividir o protagonismo com Richarlison e chega na Seleção Brasileira com a moral quem cresceu demais depois dos Jogos Olímpicos. E tudo isso com apenas 22 anos de idade e já se aventurando numa liga mais competitiva como a Bundesliga. E junto num momento em que Roberto Firmino anda em má fase técnica e que Gabigol ainda luta para se adaptar ao modelo de jogo do escrete comandado por Tite, a opção por Matheus Cunha pode ser a mais acertada dentro do pouco tempo que o treinador terá para aparar as arestas da sua equipe antes das Eliminatórias.

Este que escreve acredita que Tite não irá fazer tantas mudanças na Seleção Brasileira logo de cara. É preciso lembrar que, apesar dos resultados não serem os desejados por todos nós, existe uma base de trabalho bem sólida no escrete canarinho. O time é muito competitivo e já mostrou isso várias e várias vezes. Por outro lado, é bem possível fazer um exercício de imaginação e encaixar algumas das novidades trazidas pelo treinador nessa lista divulgada nesta sexta-feira (13) com algumas pequenas adaptações. Daniel Alves seria o “lateral-armador” do 4-4-2/3-2-5 de Tite com Guilherme Arana mais solto pela esquerda (jogando quase como um ponta e aproveitando o corredor aberto), Raphinha do outro lado, Richarlison e Neymar se juntando a Matheus Cunha e Bruno Guimarães jogando próximo de Fabinho num meio-campo forte na marcação e com uma qualidade gigante no passe. Baita time.

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Raphinha e Guilherme Arana abrem o campo, Bruno Guimarães e Fabinho organizam o meio-campo e Matheus Cunha comandaria o ataque junto com Neymar e Richarlison. As novidades trazidas por Tite podem aumentar bastante a qualidade da Seleção Brasileira e do modelo de jogo adotado pelo treinador.

É óbvio que a lista de convocados gerou polêmica pela presença de alguns nomes e pela ausência de outros. Mas o velho e rude esporte bretão é tão apaixonante que ele desperta sentimentos contraditórios. Diante disso, não existe outra saída senão ser curto e grosso. Tite tem sim que convocar aqueles que ele julga ser os melhores. E o torcedor tem toda a razão de reclamar disso, já que existia a possibilidade do seu time não contar com a força máxima em competições importantes. Culpada (como sempre) é a CBF que não valoriza seus produtos e afasta o torcedor da Seleção Brasileira de maneira sistemática e sem se importar com as consequências. Não foi por acaso que ela acenou com mudanças no calendário para que Flamengo, Palmeiras, São Paulo e Atlético-MG não encarem as quartas de final da Copa do Brasil sem seus principais jogadores logo depois da entrevista coletiva desta sexta-feira (13).

A lista de convocados deixa claro que Tite está sim preocupado com as últimas atuações da Seleção Brasileira e deseja encontrar soluções. Principalmente naquilo que se refere à construção das jogadas de ataque e na ocupação dos espaços na intermediária adversária. Cada ausência e cada escolha do treinador pode ser muito bem explicada observando-se o contexto e o modelo de jogo adotado no escrete canarinho. Mas é preciso reconhecer que, mesmo não agradando todo mundo, dá pra fazer um baita time dessa lista.

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