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Nova lista de convocados da Seleção Brasileira indica que disputa por vagas no meio-campo e no ataque ainda está aberta

Na coluna PAPO TÁTICO, Luiz Ferreira analisa as escolhas de Tite para os jogos contra Venezuela, Colômbia e Uruguai no mês de outubro

Luiz Ferreira
Produtor executivo da equipe de esportes da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, jornalista e radialista formado pela ECO/UFRJ, operador de áudio, sonoplasta e grande amante de esportes, Rock and Roll e um belo papo de boteco.

Crédito: Lucas Figueiredo / CBF

Em linhas gerais, a lista de convocados da Seleção Brasileira para mais uma rodada tripla pelas Eliminatórias da Copa do Mundo traz nomes muito interessantes e deixa a impressão de que alguns jogadores já estão garantidos do Mundial Catar no final do ano que vem. Por outro lado, Tite fez questão de deixar claro na entrevista coletiva desta sexta-feira (24) que o grupo ainda não está fechado e que existem vagas em disputa do meio para a frente no escrete canarinho. Por isso a aposta em atletas que se destacaram na disputa dos Jogos Olímpicos (Guilherme Arana, Antony e Matheus Cunha) e outros que já vinham se destacando há algum tempo (Gerson, Edenílson e Raphinha). A atuação da equipe nas partidas contra Venezuela, Colômbia e Uruguai vão nos dizer se ainda há espaços para experiências e testes na Seleção Brasileira a pouco mais de um ano da Copa do Mundo ou se Tite vai fechar o grupo. Certo é que o treinador vem usando aquilo que tem de melhor à sua disposição.

É verdade que há como se questionar alguns nomes da lista de convocados. Este que escreve daria mais uma chance para Bruno Guimarães e Claudinho, nomes que foram muito bem na conquista do bicampeonato olímpico. Mas é compreensível que Tite deseje utilizar os jogadores que atuam na Premier League. Ainda mais com a possibilidade real da liberação de Fabinho, Alisson, Gabriel Jesus, Thiago Silva e companhia para os três compromissos da Seleção Brasileira. Esse movimento do treinador do escrete canarinho já indica por si só que temos pelo menos quinze vagas já fechadas para a disputa da próxima Copa do Mundo e que a lista final só deve sofrer alguma mudança em caso de força maior. Se formos olhar para a defesa, Emerson Royal (do Tottenham), Lucas Veríssimo (do Benfica) e Éder Militão (do Real Madrid) deixaram ótima impressão nos seus clubes e na própria Seleção Brasileira, fato que indicaria que o setor deve sofrer poucas mudanças. O X da questão está no setor ofensivo.

Sabemos que Lucas Paquetá e Everton Ribeiro deixaram ótimas impressões nas partidas contra Chile e Peru no início do mês de setembro. Principalmente o camisa 7 do Flamengo, que foi preciso nos passes no meio-campo e foi o “ponta-armador” que Philippe Coutinho foi no escrete canarinho às vésperas da Copa do Mundo de 2018 saindo da direita para dentro e se juntando a Neymar e o comando de ataque. Mas Tite quer alternativas. Como o próprio destacou na entrevista coletiva, o desenho tático básico é o 4-1-3-2, mesma formação utilizada por Jorge Jesus quando comandou o Flamengo nas conquistas do Brasileirão e da Libertadores em 2019. Isso também ajuda a explicar a presença de Gerson (já bastante acostumado a atuar nesse sistema) e Edenílson (volante com ótima chegada no ataque e muita versatilidade). Notem aqui que a busca por um jogo mais apoiado e de movimentação vai se revezar com um estilo mais vertical e de explosão na equipe brasileira. Tudo para se adaptar a contextos.

E quando chegamos no ataque, as intenções de Tite ficam mais claras. Ao afirmar que Matheus Cunha é um “nove híbrido”, ou seja, que sabe atuar como referência na frente (prendendo mais os zagueiros adversários) ou com mais mobilidade. Richarlison (que não foi chamado por estar lesionado) é outro que exerceu função semelhante na Seleção Olímpica. Seja como for, está claro que o desejo aqui é ter uma Seleção Brasileira que se adapte a diferentes situações rapidamente. E quando se sabe que Firmino não vem tendo sequência e que Gabriel Jesus é hoje muito mais ponta do que atacante interior, as apostas em Raphinha (do Leeds United), Antony (do Ajax) e até mesmo em Vinícius Júnior (do Real Madrid) visam trazem um pouco mais de jogo vertical para o escrete canarinho, o drible que quebra linhas e algumas boas doses de improviso no ataque brasileiro. Tudo sem perder a consistência defensiva e sem se tornar “previsível” nas movimentações e transições para setor ofensivo.

Esse equilíbrio nas ações exige que Tite busque alternativas. Se tomarmos o jogo contra o Peru (realizado na Arena Pernambuco) como exemplo, vamos ver o já mencionado 4-1-3-2 na Seleção Brasileira com Everton Ribeiro, Gerson e Lucas Paquetá jogando logo atrás de Neymar e Gabigol. Por característica, um jogo de passes e muito mais apoiado explorando a profundidade para aproveitar a características dos jogadores que estavam em campo. Basta que o adversário compacte mais as suas linhas na frente da área ou pressione mais a saída de bola para que o escrete canarinho encontre problemas. Exatamente como aconteceu na na vitória sobre o Chile em Santiago (quando Tite mandou sua equipe a campo numa espécie de 5-3-2 espaçado e sem organização). Poder alterar o esquema tático da Seleção Brasileira durante as partidas é algo vital para que o time consiga se livrar das armadilhas que vão aparecer pelo caminho e se adaptar o mais rápido possível ao novo contexto.

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Tite deve manter o mesmo 4-1-3-2 da vitória sobre o Equador nos próximos três jogos da Seleção Brasileira nas Eliminatórias da Copa do Mundo. Mesmo assim, o treinador do escrete canarinho ainda busca alternativas para deixar seu jogo mais imprevisível e surpreender seus adversários.

As escolhas de Tite mostram que ele ainda tem dúvidas. Poucas, é verdade. Mas ainda as tem. O treinador da Seleção Brasileira sabe que precisa de um volante de bom porte físico e de grande visão de jogo para auxiliar os meias na criação das jogadas, fechar o meio-campo quando a equipe é atacada e ainda pisar na área (como Paulinho fazia em 2018) para marcar e participar das jogadas ofensivas. Ao mesmo tempo, as chances dadas a Antony, Raphinha e Matheus Cunha indicam a busca por uma maior versatilidade no ataque do escrete canarinho. Ter jogadores que saibam atuar pelos lados do campo, buscando a linha de fundo e/ou entrando em diagonal e outros que saibam se comportar como referência móvel e ainda arrastar os zagueiros adversários. Parece muita coisa, mas como já foi falado anteriormente, o grupo que conquistou o bicampeonato olímpico no Japão possui nomes interessantes e que podem se adaptar muito bem aos conceitos implementados por Tite na Seleção Brasileira.

Ainda há vagas para a disputa da Copa do Mundo no Catar. Isso ficou bem claro na coletiva de imprensa após o anúncio da lista de convocados para a rodada tripla das Eliminatórias. E por mais que alguns nomes da lista possam ser questionados, é plenamente possível afirmar que os escolhidos por Tite têm tudo para deixar a Seleção Brasileira muito mais forte e consistente. E este colunista engrossa o coro do treinador do escrete canarinho: queremos amistosos contra seleções europeias pra ontem, Dona CBF. Te vira.

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