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Veja como foi a trajetória do Atlanta Braves até o título da World Series de 2021

Atlanta Braves conquista seu quarto título da MLB

Thais May Carvalho
Jornalista formada pela Faculdade Cásper Líbero (2018). Trabalha nas áreas de comunicação científica e jornalismo esportivo.

Crédito: Foto: Carmen Mandato/Getty Images

Yuli Gurriel rebate uma bola rasteira no campo interno. O shortstop Dansby Swanson, nascido e criado no estado da Geórgia, faz a defesa e joga a bola para a primeira base, onde está Freddie Freeman, o principal rosto do time nos últimos 12 anos. O roteiro da última eliminação da World Series não tinha como ser mais especial para o Atlanta Braves, mas o caminho até a conquista do primeiro título da franquia desde 1995 não foi nada fácil.

TEMPORADA REGULAR DOS BRAVES

Mesmo depois de quase derrotar os Dodgers na NLCS de 2020, no início da temporada os Braves eram considerados apenas o segundo favorito a levar o título da divisão leste da Liga Nacional, atrás dos Mets. E já no começo do ano as coisas deram errado para Atlanta. Entre abril e junho, o time teve um aproveitamento abaixo dos 50%, com um recorde de 38 vitórias e 41 derrotas.

No início de junho Marcel Ozuna foi suspenso depois de ser preso por um caso de violência doméstica. Em julho, Ronald Acuña Jr, um dos principais jogadores da equipe, rompeu o ligamento cruzado anterior do joelho. Com um recorde negativo, em terceiro na divisão e com 15% de chance de chegar aos playoffs (e 1% de chance de vencer a World Series), muitos acharam que os Braves desistiriam da temporada.

No entanto, antes da janela de transferência fechar em 30 de julho, Atlanta foi atrás de peças no mercado para arrumar principalmente o campo externo, que havia sofrido com várias baixas. Eles trouxeram nada menos do que Joc Pederson, que estava nos Cubs, Eddie Rosario, que estava machucado nos Indians, Adam Duvall, que havia saído dos Braves para os Marlins no começo do ano, e Jorge Soler, que estava nos Royals. No ataque, a equipe contou com 59 home runs de jogadores que não estavam no elenco no começo do ano, que é o maior número da história da MLB.

Não foram somente as aquisições no bastão que ajudaram Atlanta nessa reviravolta. No montinho, os arremessadores melhoraram depois do All-Star Game. Max Fried é um grande exemplo dessa mudança. Antes da pausa ele tinha um ERA de 4.71, e depois do Jogo das Estrelas ele foi para 1.74. Enquanto isso, o bullpen teve um ERA acima de 4.40 nos três primeiros meses do ano. Esse número foi caindo em julho e agosto até chegar em 2.98 entre setembro e outubro.

A partir desse momento o cenário mudou completamente e Atlanta começou sua campanha mágica rumo ao título. As 18 vitórias e 8 derrotas em agosto deram o primeiro lugar na NL leste e as chances de chegar aos playoffs saltaram para 74%. Para fechar a temporada, os Braves venceram 18 dos últimos 30 jogos, conquistando a divisão e garantindo um lugar na pós-temporada.

PÓS-TEMPORADA DOS BRAVES

Mesmo com esse sucesso, o Atlanta Braves entrou nos playoffs como o patinho feio. Seu recorde de 88 vitórias e 73 vitórias foi o pior entre os 10 times que chegaram na pós-temporada. Se estivesse em qualquer outra divisão da MLB, o time não teria conseguido o primeiro lugar e também não teria vitórias suficientes para uma das vagas no wildcard. A NL leste foi a pior divisão no ano, com nenhum outro time passando das 67 vitórias.

A série contra o Milwaukee Brewers foi apertada e dominada pelos arremessadores. No quarto jogo, o herói do time, Freddie Freeman, conseguiu um home run na oitava entrada contra um dos melhores relievers da liga, Josh Hader, para garantir a vitória por 5 a 4 e levar os Braves até a NLCS pelo segundo ano consecutivo.

Na final da Liga Nacional, contra o favorito Los Angeles Dodgers, os Braves contaram com uma atuação incrível do bullpen, mas quem se destacou mesmo foi Eddie Rosario, que estava pegando fogo no bastão. Foram nada menos do que 14 rebatidas (empatando o recorde de hits em uma série de playoff), 9 corridas impulsionadas e .560 de aproveitamento, o que lhe garantiu o MVP da NLCS.

Na World Series, contra o Houston Astros, o Atlanta Braves entrou mais uma vez sem ser o favorito, e a situação ficou ainda mais complicada depois de perder Charlie Morton, que sofreu uma fratura na perna após uma bolada na terceira entrada do primeiro jogo. Mesmo com a baixa, os arremessadores dos Braves conseguiram algo improvável: silenciar o poderoso ataque dos Astros, que é um dos melhores da MLB e que havia anotado 67 corridas até então nos playoffs. Com exceção das derrotas nos jogos 2 e 5, Atlanta não deixou que Houston anotasse mais do que 2 corridas em nenhuma das outras partidas da série e conseguiu dois shutouts.

No ataque, praticamente todos contribuíram na World Series, com destaque para Freddie Freeman e Jorge Soler. Com três home runs e seis corridas impulsionadas, Soler ganhou o MVP da final, se tornando apenas o segundo cubano a levar o prêmio e o terceiro jogador que foi trocado no meio do ano e ficou com o MVP da WS.

Com a conquista, os Braves agora possuem quatro World Series – 1914, 1957, 1995 e 2021. Além de quebrar a seca de títulos da cidade de Atlanta, a vitória também encerra a sequência de 16 aparições consecutivas nos playoffs da MLB sem vencer um título (o que ocorreu entre 1996 e 2020), que era a maior marca da história da liga.

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