Home Futebol Internacional sofre com a arbitragem e com a própria falta de efetividade na derrota para o Real Brasília

Internacional sofre com a arbitragem e com a própria falta de efetividade na derrota para o Real Brasília

Na coluna PAPO TÁTICO, Luiz Ferreira analisa as escolhas de Maurício Salgado e Adilson Galdino no jogo que marcou a abertura da Supercopa Feminina

Luiz Ferreira
Produtor executivo da equipe de esportes da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, jornalista e radialista formado pela ECO/UFRJ, operador de áudio, sonoplasta e grande amante de esportes, Rock and Roll e um belo papo de boteco.

Antes de mais nada, é preciso sempre deixar claro que estamos falando do primeiro jogo de toda a temporada do futebol feminino no Brasil e que o jogo desta sexta-feira (4) jamais pode servir de parâmetro e modelo para o que virá pela frente nesse ano de 2022. Mesmo assim, a vitória do Real Brasília sobre o Internacional nos deixou um vasto material para análise (ainda que dentro desse contexto mencionado anteriormente). Isso porque eu e você tivemos a oportunidade de ver alguns dos reforços das duas equipes em campo já nessa abertura da Supercopa Feminina e entender o caminho que os técnicos Maurício Salgado e Adilson Galdino pretendem seguir nessa temporada. A lamentar somente a arbitragem confusa, tenebrosa e absurda de Jonathan Vivian. Difícil entender como a CBF deseja que a modalidade cresça no Brasil com a escalação de árbitros dessa qualidade.

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O que se via no Beira-Rio nesta sexta-feira (4) eram duas equipes reformuladas, com ânimo novo para o início da temporada, mas que ainda precisam de ajustes. Cobrar bom futebol de quem quer que seja logo no primeiro jogo do ano é o tipo de coisa que jamais deve ser feita por quem respeita o esporte. E como era de se esperar, Internacional e Real Brasília apresentaram problemas nas transições, na cobertura defensiva e na construção das jogadas de ataque. Adilson Galdino montou sua equipe num 4-4-2 que variava para um 4-2-3-1 conforme a movimentação de Gaby Soares (talvez a principal “cabeça pensante” do escrete do Distrito Federal). Apesar do bom toque de bola, as dificuldades eram evidentes.

As Gurias Coloradas levavam certa vantagem nos duelos físicos e tentavam um jogo mais direto. A camisa 10 Duda formava uma trinca no meio-campo do Internacional com Djeni e Zóio, mas tinha liberdade para pisar na área. Em números, o 4-1-4-1 de Maurício Salgado se transformava num 4-2-3-1 de bastante mobilidade no terço final com Mileninha, Millene e Fabi Simões. O grande problema estava na ocupação de espaços. Por mais que o Real Brasília abrisse espaços na sua defesa, o ataque colorado não aproveitava essas crateras que apareciam na frente da área da goleira Dida e abusavam das tomadas de decisões erradas. Principalmente quando arriscavam o chute de longe ao invés de trabalhar mais as jogadas.

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O Internacional tinha a bola, conseguia chegar na intermediária, mas errava demias nas tomadas de decisão. Duda tem a bola e prepara o chute de longa distância quando poderia trabalhar mais a jogada com alguém que ocupasse o espaço entrelinhas do Real Brasília. Foto: Reprodução / SPORTV / GE

Faltava quem ocupasse melhor os espaços e organizasse melhor o time em campo. Por mais que Maurício Salgado tenha apostado num meio-campo mais técnico, as Gurias Coloradas jogadas com o meio-campo muito afastado do ataque. E isso é algo que só pode ser corrigido nos treinamentos. Assim como o posicionamento defensivo do 4-1-4-1/4-3-3 no lance do único (e polêmico) gol da partida. Por mais que a lateral Roberta Schroeder tenha empurrado claramente a volante Djeni no lance do gol de Geovana Cristina, o Internacional foi facilmente envolvido pela jogada de ultrapassagem realizada pela camisa dois e Gaby Soares às costas de Belinha no lado esquerdo de defesa. Ao mesmo tempo, a falta de compactação nas linhas coloradas e a recomposição extremamente lenta das jogadoras ficou evidente no lance que originou esse gol absurdamente validado por Jonathan Vivian no final do primeiro tempo.

O Real Brasília encontrou muita facilidade para explorar o lado do campo e profundidade no lance que originou o gol de Geovana Cristina. As Gurias Coloradas não conseguiam fechar o espaço entre as suas linhas e apresentavam problemas na recomposição defensiva. Foto: Reprodução / SPORTV / GE

É verdade que o Internacional melhorou bastante depois da entrada da atacante Lelê no lugar de Mileninha. Com uma jogadora de mais força e mais velocidade para arrastar a defesa do Real Brasília, a equipe de Maurício Salgado foi mais incisiva e conseguiu criar mais jogadas de ataque com a bola no chão. O problema que surgiu no segundo tempo, no entanto, era ainda maior do que a arbitragem confusa e desastrosa de Jonathan Vivian: a falta de efetividade nas conclusões a gol. O time de Maurício Salgado criou pelo menos três grandes chances. Duda acertou o travessão, Lelê levava ampla vantagem nos duelos físicos quando atacava as costas da defesa do escrete de Adilson Galdino e Milene se movimentava bem no ataque. Só que as Gurias Coloradas simplesmente não conseguiam colocar a bola na casinha. Maiara Lisboa desperdiçou duas chances inacreditáveis. Uma foi no travessão e a outra foi salva pela zagueira Rafa Soares.

Lelê entrou bem na partida e conseguiu dar mais poder ofensivo para o Internacional ao atacar as costas da última linha do Real Brasília. O problema estava nas conclusões a gol. As Gurias Coloradas desperdiçaram pelo menos quatro grandes oportunidades. Foto: Reprodução / SPORTV / GE

As atuações de Internacional e Real Brasília ajudam a dar uma ideia do que virá pela frente e apontam para algumas questões sobre a montagem das duas equipes, mas ainda não podem servir de parâmetro para se projetar essa temporada. Por mais que a Supercopa Feminina seja um competição interessante, é preciso lembrar sempre que estamos falando do primeiro jogo oficial do ano. Toda e qualquer análise feita em cima da partida desta sexta-feira (4) precisa levar esse contexto em consideração. Podemos mencionar que as Gurias Coloradas precisam de mais efetividade e ocupar os espaços com mais inteligência e que o escrete do Distrito Federal pode e deve ser mais ousado quando tem a posse da bola. Mas tudo o que possa vir a ser falado faz parte de um processo ainda em curso. E a verdade é que Maurício Salgado e Adilson Galdino precisam de tempo para implementar seus conceitos nesse início de ano.

Não é um processo fácil e não é algo que pode ser feito da noite para o dia. Mesmo na boa base do Internacional e com os ótimos reforços que lá chegaram. Este que escreve só lamenta que um torneio tão legal quanto a Supercopa Feminina ainda sofra com problemas que vão desde a arbitragem confusa até a ausência do VAR. São coisas simples de serem resolvidas. Principalmente para uma CBF que gosta de bater no peito que valoriza o futebol feminino, mas que segue alheia ao que acontece com nossas equipes.

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