Dono de um trabalho que durou mais de uma década na Globo, Bruno Laurence lamentou a onda de demissões na empresa. Desligado em 2016, o profissional fez questão de demonstrar total insatisfação com a saída de nomes como Tino Marcos, Regis Rosing e Cléber Machado. Isso porque, em sua visão, os antigos colegas de emissora são indispensáveis e traziam ampla qualidade para o famoso “padrão” que virou marca da empresa.
Em sua passagem Bruno Laurence apresentou a edição paulista do Globo Esporte e fazia reportagens para outros programas e telejornais. Diante disso, ele deixou claro que os colegas se esforçam ao máximo e sequer podem fazer propagandas para aumentar a renda.
“Eu acho que é ruim para a Globo. Só para a Globo. Se você olhar o que eles perderam e abriram mão nos quatro, cinco anos, seria o melhor time de reportagem em qualquer lugar. Não vou nem falar do Tiago Leifert. Eu, Mauro Naves, Abel Neto, Marco Aurélio Souza, Andrei Kampff, Ivan Moré, Tino Marcos, Marcos Uchôa, Régis Rosing… não se abre mão desses caras. Abrir mão do Cléber Machado, irmão? Jotinha? Desculpa…”, disse ao podcast Deu Zebra.
“A única coisa que temos para dar são nossa verdade e nosso trabalho. Não temos jabá, esquema, porr* nenhuma. A gente senta a bunda lá para fazer um texto. Hoje, você liga a televisão e não tem mais texto. O cara tá parado na porta do CT falando: ‘Não sei quem está machucado e não vai jogar. Volta pro estúdio’. O jornalismo esportivo virou isso.”, completou.
Corte de gastos na Globo
Sobre os motivos das demissões, Laurence destacou que a Globo quer promover “caras novas” e que são mais baratos que figuras conhecidas do jornalismo. Dessa forma, o caso de Tino Marcos foi citado, tendo em vista que outros profissionais podem realizar o trabalho exigido nos dias atuais e ganhar um salário menor.
“Talvez não tenhamos que estar ali mesmo. Para que você vai ter um cara (na Globo) como o Tino Marcos para falar que o Matheuzinho fraturou a fíbula e virou desfalque no Flamengo. Você não precisa do Tino. Pega um menino, deixa ele aprender, e ele vai ser 30x mais barato que o Tino Marcos. É uma pena. Talvez a roda gire de novo e as grandes reportagens façam a diferença. Com essas saídas, perde mais a Globo do que as pessoas. A gente está correndo, buscando e criando novas oportunidades“, concluiu.

