Balançando as redes duas vezes na estreia do Brasil nas Eliminatórias, Neymar, pelas contas da Fifa, se tornou o maior artilheiro da seleção. Dessa forma, na visão de Mauro Cezar, a Rede Globo desrespeitou o legado de Pelé ao não mencionar que o Rei do Futebol, na visão da CBF, ainda é o goleador máximo, tendo em vista os 95 gols contabilizados.
Neste cenário, Mauro Cezar destacou um “oba-oba” na cobertura do jogo para prestigiar o feito de Neymar. Sendo assim, o legado de Pelé, que deveria ser lembrado e reconhecido, acabou ficando esquecido.
“Na transmissão do jogo, sem o devido esclarecimento exceto uma notinha de pé de página, e depois também. ‘Neymar é o novo artilheiro’. Vamos explicar esse negócio, tem um contexto histórico. Falam de respeitar o Pelé, ‘Brasileirão do Rei’, e desrespeitam o Pelé quando ignoram a marca do cara para exaltar o Neymar, que vai bater o recorde em números absolutos, e fica esse oba-oba incontrolável. É brincadeira isso, é a coisa que mais me chamou a atenção de sexta-feira para cá. Azar da Fifa que não reconhece. Por que ela não aceita? Sentou diante de um trono e falou que vai ser assim? Tem um contexto histórico que está sendo ignorado, isso é uma maldade até com a história do futebol e com o Pelé. Vamos respeitar a história. Na história, ele tem mais gols que o Pelé“, disse no programa Posse de Bola, do UOL Esporte.
Além disso, Mauro Cezar destacou que existia um grau de dificuldade nos jogos do Brasil contra combinados e clubes. Neste cenário, as partidas em que Pelé balançou as redes eram complicadas, mas não são consideradas pela Fifa, que leva em conta compromissos diante de seleções mais fracas na América do Sul.
“O maior artilheiro da seleção brasileira se chama Pelé. Não é o Neymar. Ele até deve bater essa marca porque vai continuar jogando. Os jogos que aconteciam no passado eram muito mais difíceis que Brasil x Bolívia, Brasil x Venezuela, Brasil x Paraguai, Brasil x Peru… jogos contra Inter de Milão, Atlético de Madrid, seleção gaúcha, em um clima de guerra depois da Copa de 70, combinado de Fla-Flu… se o Brasil pudesse jogar contra a Inter de Milão, alguém acha que seria mais difícil que contra a Bolívia? Aqueles jogos eram importantes e eram de verdade. Tinham cobertura da imprensa e atenção do torcedor muito maior que Brasil x Bolívia de Eliminatórias arrastadas que se classificam até sete seleções para o Mundial de 2026”, afirmou.

