John Textor busca clube inglês em meio à crise no Botafogo (Foto: Vítor Silva/Botafogo)
John Textor deixou o comando da SAF do Botafogo por decisão do Tribunal Arbitral da FGV, tomada na noite desta quinta-feira (23). A medida entrou em vigor imediatamente e tem caráter temporário. Agora, os árbitros vão reavaliar o caso na próxima quarta-feira, dia 29 de abril.
A decisão aumenta ainda mais a instabilidade política e financeira do Botafogo. Nos últimos meses, o clube acumulou dívidas, entrou com pedido de recuperação judicial e passou a enfrentar forte pressão interna. Com isso, o afastamento de Textor marca mais um capítulo turbulento na temporada.
Além disso, o Tribunal Arbitral suspendeu a Assembleia Geral Extraordinária que aconteceria na próxima segunda-feira (27). Na reunião, Textor tentaria aprovar um aporte de R$ 125 milhões na SAF e também a emissão de novas ações.
Tribunal vê risco nas decisões tomadas por Textor
No documento, o Tribunal Arbitral afirma que decisões recentes da gestão podem causar prejuízos graves. Segundo os árbitros, os atos colocam em risco os acionistas e também a torcida do Botafogo.
A presidente do tribunal, Adriana Braghetta, assinou a decisão ao lado dos coárbitros Alina de Miranda Valverde Terra e Lauro da Gama e Souza Júnior.
O texto afirma que o afastamento ocorre como medida conservatória. Dessa forma, a corte busca evitar novos atos até que o caso seja analisado novamente.
Segundo a decisão, medidas adotadas pela SAF sob a gestão de Textor “têm o poder de causar danos irreparáveis aos acionistas e a toda a comunidade de torcedores do Botafogo”.
Recuperação judicial pesou na decisão
Um dos principais motivos para o afastamento foi o pedido de recuperação judicial apresentado pelo Botafogo na última terça-feira (22).
De acordo com o tribunal, a SAF tomou essa decisão sem a aprovação de uma assembleia de acionistas. Por isso, os árbitros entenderam que houve violação das regras de governança.
Além disso, o documento afirma que a medida contrariou uma ordem anterior do próprio Tribunal Arbitral.
A recuperação judicial já havia gerado forte repercussão nos bastidores. Afinal, o clube admitiu dificuldades para pagar salários, fornecedores e credores nos próximos meses.
Venda da SAF também entrou na investigação
Outro ponto que pesou na decisão foi a assinatura de um acordo de compra e venda da SAF para uma empresa sediada nas Ilhas Cayman.
Segundo o tribunal, Textor assinou o contrato em 26 de janeiro deste ano. No entanto, ele teria assinado pelas três partes envolvidas na operação.
Entre elas estão a própria SAF Botafogo, a Eagle Bidco, da Inglaterra, e a Eagle Football Group, registrada nas Ilhas Cayman.
Por isso, os árbitros passaram a investigar um possível conflito de interesses na negociação.
Assembleia para aporte milionário foi cancelada
A suspensão da assembleia trava decisões importantes para o futuro do clube. Isso porque a reunião votaria a entrada de R$ 125 milhões na SAF.
Além do aporte, os acionistas também discutiriam a emissão de novas ações. Agora, o Botafogo terá que esperar a nova análise do Tribunal Arbitral. Até lá, o clube segue sem definição oficial sobre quem comandará a SAF.
Enquanto isso, a crise nos bastidores aumenta. E a próxima semana promete ser decisiva para o futuro da gestão alvinegra. O Botafogo nesta semana apresentou a lista de credores, de uma dívida que ultrapassa R$ 1 bilhão.

