Luiz Eduardo Baptista é o presidente do Flamengo (Crédito: Paula Reis/Flamengo)
O Flamengo aprovou uma ampla mudança em seu modelo de administração. O Conselho Deliberativo deu aval, nesta terça-feira (15), à reforma estatutária que institucionaliza a gestão profissional e modifica a divisão de responsabilidades dentro do clube.
A proposta apresentada pelo presidente Luiz Eduardo Baptista, o Bap, em junho recebeu 643 votos favoráveis, o equivalente a 92,39%. Outros 47 conselheiros votaram contra, enquanto seis se abstiveram. Apesar da aprovação expressiva, alguns pontos da reforma provocaram divergências antes da votação.
O que muda na gestão do Flamengo?
A principal mudança está na separação entre governança, supervisão e execução. A administração cotidiana ficará concentrada em uma diretoria profissional, composta por executivos remunerados e escolhidos a partir de critérios técnicos.
A estrutura terá duas funções de destaque. O Diretor-Geral ficará responsável pela gestão corporativa, enquanto o Diretor de Futebol comandará o futebol profissional e as categorias de base.
Além disso, as atuais vice-presidências específicas serão extintas. Dessa forma, o Flamengo pretende substituir parte do modelo baseado em cargos políticos por uma estrutura executiva profissional.
Flamengo cria novo Conselho Gestor
A reforma também determina a criação do Conselho Gestor, chamado de COGE. O órgão terá a responsabilidade de supervisionar a diretoria profissional e acompanhar diferentes áreas da administração.
O COGE será formado pelo presidente e pelo vice-presidente do Flamengo, por um Procurador-Geral e por nove a 12 integrantes de livre nomeação do presidente. Os membros terão mandato de três anos.
O presidente também poderá nomear e destituir integrantes do conselho. Além disso, o texto estabelece a necessidade de sua autorização em diferentes decisões e mudanças, principalmente nas questões relacionadas ao departamento de futebol.
Poder de Bap gerou divergência entre conselheiros
A proposta dividiu opiniões durante as discussões que antecederam a votação. Os defensores da reforma argumentaram que o estatuto atual, elaborado em 1992, precisava de uma atualização para acompanhar o crescimento e a complexidade administrativa do clube.
Por outro lado, conselheiros contrários apontaram preocupação com uma possível concentração de poder nas mãos do presidente. Entre as críticas, aparecem justamente a liberdade para escolher integrantes do COGE e a necessidade de aval presidencial em diferentes decisões.
Ainda assim, a Comissão Permanente responsável pela elaboração da reforma incorporou sugestões apresentadas por conselheiros antes da votação final. O texto acabou aprovado com mais de 92% dos votos.
Planejamento do Flamengo passará a olhar cinco anos
A mudança também atinge a elaboração do orçamento. A partir do novo modelo, o planejamento anual deverá estar acompanhado de uma estratégia para os três anos seguintes e de uma projeção de cinco anos.
Além disso, o clube utilizará indicadores para acompanhar seu desempenho. O Conselho Gestor deverá avaliar estratégias, metas, riscos, estrutura organizacional, gestão de pessoas e outros aspectos da administração.
A reforma também altera regras relacionadas ao nepotismo. Outro ponto estabelece novas normas para a entrada na estrutura profissional de associados que tenham ocupado anteriormente cargos eletivos no Flamengo.
Reforma não transforma Flamengo em SAF
Apesar das mudanças profundas na administração, a reforma estatutária não prevê a transformação do Flamengo em Sociedade Anônima do Futebol. O clube continuará funcionando juridicamente como uma associação civil.
Assim, a proposta busca incorporar práticas de gestão profissional sem alterar a estrutura societária da instituição. A mudança modifica principalmente a distribuição de funções entre dirigentes eleitos, órgãos de supervisão e executivos remunerados.
Com a aprovação do Conselho Deliberativo, o Flamengo institucionaliza um modelo defendido pela atual gestão como parte de um planejamento de longo prazo. Ao mesmo tempo, a forma como o presidente participará das decisões e da composição do novo Conselho Gestor continuará como um dos principais pontos de discussão política dentro do clube.

