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Entenda como Eduardo Coudet monta suas equipes e como ele pode deixar o Internacional ainda mais competitivo

Treinador argentino foi anunciado oficialmente no final de 2019 e fica no Colorado até o final de 2021; filosofia de jogo ofensivo, marcação alta e inspiração em Marcelo Bielsa são algumas das características dos times de “Cacho” Coudet

Luiz Ferreira
Produtor executivo da equipe de esportes da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, jornalista e radialista formado pela ECO/UFRJ, operador de áudio, sonoplasta e grande amante de esportes, Rock and Roll e um belo papo de boteco.

Crédito: Mariana Capra / SC Internacional

Mais um nome da nova (e promissora) geração de treinadores argentinos, Eduardo Coudet será o técnico do Internacional pelos próximos dois anos. E se o time colorado se acostumou com o estilo mais pragmático de Odair Hellmann, é bom que se diga que as coisas serão bastante diferentes daqui pra frente. “Cacho” Coudet é mais um dos discípulos de Marcelo “El Loco” Bielsa, treinador que, embora não tenha conquistado títulos expressivos na sua carreira, deixou uma série de discípulos declarados como Pep Guardiola e Mauricio Pochettino e que adotava um estilo extremamente ofensivo nas equipes que treinou. Assim como seu mentor, Eduardo Coudet segue a mesma linha. Seu trabalho em equipes como o Rosario Central e o Racing mostravam a predileção pela posse de bola e um grande volume de jogo com muita intensidade nas transições. A fibra de “Cacho” Coudet pode ser exatamente o que o Internacional precisava para voltar a ser protagonista no Brasil e (quem sabe?) na América do Sul.

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Como jogador, Eduardo Coudet foi um meio-campista de qualidade e fez história com a camisa do Rosario Central e do River Plate (onde conquistou um título do Apertura e quatro do Clausura, mas sem conseguir conquistas internacionais). Sua primeira experiência como treinador aconteceu no clube do coração, o Rosario Central, em 2015. “Cacho” Coudet assumiu os “Canallas” uma temporada depois de um nada honroso 15º lugar no Campeonato Argentino em 2014 e os levou para uma surpreendente terceira colocação logo na sua primeira temporada como treinador e obtendo a classificação para a Libertadores de 2016. Aquele Rosario Central jogava num 4-1-3-2 bem semelhante ao que Jorge Jesus usou no Flamengo em 2019. O volante Musto (recém-contratado pelo Internacional) marcava e organizava a saída de bola com a mesma qualidade e contava com nomes conhecidos do torcedor brasileiro, como o já veterano atacante Herrera (com passagens por Corinthians, Grêmio e Botafogo) e Marco Rúben (campeão da Copa Sul-Americana e da Copa do Brasil com o Athletico Paranaense).

Eduardo Coudet recuperou a confiana do Rosario Central a partir de 2015. Os “Canallas” se organizavam num 4-1-3-2 com nomes conhecidos como os atacantes Herrera e Marco Rúben e o volante Musto, recém-chegado ao Internacional. Foto: Reprodução / SporTV

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Sempre pedindo o máximo dos seus jogadores, Eduardo Coudet seguia a linha de trabalho de Marcelo Bielsa ao priorizar o ataque e assustar até mesmo os dirigentes dos clubes por onde passou. O ponto alto do seu Rosario Central talvez tenha sido as duas vitórias sobre o Grêmio de Roger Machado nas oitavas de final da Libertadores da América de 2016. No jogo de volta, disputado no lendário Gigante de Arroyto, os “Canallas” venceram o Tricolor Gaúcho por 3 a 0 num jogo praticamente perfeito de Musto, Marco Rúben, Herrera, Donatti e Cervi. Seu 4-1-3-2 funcionava com dois pontas abertos, um meia de criação e dois atacantes de intensa movimentação e de muita participação na construção das jogadas. Os laterais também subiam constantemente ao ataque seja pelo lado (para dar amplitude) ou por dentro (para ajudar na criação e dar opção de passe). Além disso, Eduardo Coudet também incentivava a troca de posições e alternava um jogo mais posicional (com seus meias se lançando ao ataque quase como pontas à moda antiga) ou congestionando a zona central caso quisesse um jogo mais cadenciado.

O volante Musto vai cobrar a falta no meio, Cervi se aproxima para dar opção de passe, Fernández e Montoya abrem o campo e os laterais Salazar e Pinola aparecem por dentro. O 4-1-3-2 de Eduardo Coudet privilegia a alta intensidade e o jogo ofensivo. Foto: Reprodução / SporTV

Eduardo Coudet deixou o comando do Rosario Central no final de 2016 e chegou ao Racing em 2018 após uma rápida passagem pelo Tijuana, no México. E foi em La Academia que “Cacho” se consagraria de vez como treinador ao levar sua equipe à conquista do Campeonato Nacional na temporada 2018/19 com um time que contava com jogadores consagrados como o ídolo Lisandro López (ex-jogador do Internacional), o chileno Marcelo Díaz e um então jovem desconhecido Lautaro Martínez (hoje na Internazionale de Milão). Assim como acontecia no Rosario Central, o Racing de Coudet se organizava no seu conhecido 4-1-3-2 de muita movimentação, variações táticas e alta intensidade no campo ofensivo. Depois da conquista do título nacional (e da quebra de um jejum que durava quase cinco anos), La Academia passou por um período de instabilidade em 2019 com as eliminações na primeira fase da Copa Sul-Americana (para o Corinthians) e na Copa da Argentina. Muito por conta das lesões e da alta exigência que Coudet fazia dos seus jogadores.

Time do Racing jogando no conhecido e usual 4-1-3-2 de Eduardo Coudet. La Academia conquistou o Campeonato Argentino, mas viveu um período de instabilidade em 2019 por conta dos maus resultados e do desgaste físico de vários jogadores. Foto: Reprodução / DAZN

O Racing de Eduardo Coudet repetia a velha filosofia de Marcelo Bielsa: marcação adiantada, pressão no portador da bola e alta intensidade nas transições ofensivas. “Cacho” encontrou em Neri Cardozo o “maestro” do seu meio-campo e resgatou nomes como Andrés Ríos (aquele mesmo que passou pelo Vasco) Cristaldo (ex-jogador do Palmeiras) num time competitivo e que deu bastante trabalho aos seus adversários. No jogo de volta da primeira fase da Copa Sul-Americana (contra o Corinthians), foi possível ver o Racing adotando a “saída Lavolpiana” com Julián López se alinhando aos zagueiros e liberando os laterais Pillud e Soto para se lançarem ao ataque. Na prática, quase um 3-2-5 num jogo mais posicional do que o costume para suas equipes. Mas sem perder a essência e a filosofia ofensiva. O segundo título de Eduardo Cooudet como treinador viria em dezembro de 2019 com a conquista do Trofeo de Campeones (uma espécie de Supercopa da Argentina) sobre o Tigre em partida disputada em Mar del Plata.

Julián López se alinha aos zagueiros, Neri Cardozo aparece para organizar o time e os laterais Pillud e Soto se lançam ao ataque como autênticos “pontas”. O Racing de Eduardo Coudet também apostou no jogo posicional em algumas partidas com relativo sucesso. Foto: Reprodução / DAZN

Eduardo Coudet chega ao Internacional chancelado pelos bons trabalhos no Rosario Central e no Racing e com a missão de devolver ao clube gaúcho o protagonismo que teve em épocas passadas. A dúvida, no entanto, está na maneira como irá montar a equipe colorada. Não parece que “Cacho” irá abrir mão do seu 4-1-3-2 tradicional (tanto que o volante Musto já foi contratado para a próxima temporada). O único jogador com qualidade para ser o “meia construtor” do time seria o veterano D’Alessandro, mas o declínio físico pela idade não é o ideal para encarar a alta intensidade do esquema de jogo de Eduardo Coudet. Nomes como Nonato e João Peglow também podem ganhar chances pela vitalidade e juventude. E até mesmo William Pottker poderia aparecer como o companheiro de ataque de Guerrero dentro daquilo que o novo treinador colorado pensa para suas equipes. Certo é que “Cacho” vai precisar de tempo e paciência para implementar seus conceitos dentro do elenco. Não será da noite para o dia que o Internacional vai mudar seu estilo de jogo.

A primeira missão de Eduardo Coudet será a estreia no Campeonato Gaúcho, no dia 23 de janeiro, contra o Juventude. Serão quatro partidas até a estreia na segunda rodada eliminatória da Libertadores. Resta saber se a diretoria colorada vai bancar a sua aposta no caso dos resultados bons não aparecerem.

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