De 1989 a 2012: o que aconteceu no futebol brasileiro durante a gestão Ricardo Teixeira

Banido do futebol por denúncias de corrupção, Ricardo Teixeira esteve à frente da CBF e promoveu mudanças importantes no futebol brasileiro

Luis Feitosa
Jornalista graduado e amante de futebol e futebol americano

Crédito: Michael Regan/Getty Images

Ricardo Teixeira foi um dos últimos e mais marcantes presidentes da CBF. Com projetos ambiciosos, o mandatário que ficou 23 anos no comando da entidade teve um final melancólico que conduziu para a prisão após denúncias de corrupção.

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Na CBF e na seleção brasileira

Ricardo Teixeira foi eleito para o cargo de presidente da CBF em 1989 com o aval do então sogro João Havelange. Com a proposta de modernizar o futebol brasileiro e colocá-lo em alta no mundo, o mandatário até teve boas ideias no início, mas se perdeu ao longo dos anos. Com a entidade sem patrocínios e quase impedida de disputar competições, Teixeira visualizou a importante necessidade de trazer pessoas influentes financeiramente.

A queda da seleção brasileira na Copa do Mundo de 1990 na foi o único fator que chamou atenção de todos. Pouco antes do evento, a seleção foi convidada para realizar a preparação em Gubbio na Itália e surgiu a primeira denúncia que incluía o dirigente: a empresa que havia convidado o Brasil acabou entregando propina para Ricardo Teixeira aceitar o convite.

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No mundial seguinte, Ricardo Teixeira era o presidente que trouxe de volta um título após 24 anos. Com a conquista, o mandatário ganhou ainda mais prestígio internamente e teve mais forças para uma reeleição no cargo. No entanto, a volta no Brasil trouxe problemas ao chefão e a delegação que tiveram um grande excedente na bagagem e foram barrados no aeroporto do Galeão no Rio de Janeiro. As compras pessoais fora do evento junto com a sonegação de impostos só foram negados após uma liberação de Brasília que resultou posteriormente na demissão de Osíris Silva Filho, secretário da Receita Federal e responsável por liberar todos os indivíduos.

Entre trancos e barrancos, Ricardo Teixeira conseguia comandar a CBF e melhorava a imagem do país com um bom futebol e resultados interessantes. Em 2000, o maior contrato de uma fabricante de material esportivo foi feito com a Nike. No acordo de mais de 200 milhões de dólares, a empresa e a CBF firmaram o patrocínio e junto dele uma série de outros investimentos como a Traffic e Klefer vieram juntas, mas novamente chamaram a atenção pelos altos valores. Na mira de órgãos brasileiros, Teixeira foi convocado para depor na investigação e a falta de provas fez o processo ser arquivado.

Um início da queda interna de Ricardo Teixeira foi abafado com a conquista do penta em 2002. Dois títulos em três Copas do Mundo fizeram o Brasil estar no topo do mundo. Entre acertos e erros, o dirigente era sempre a ponta de investigações sobre corrupção em amistosos, novos contratos e até em um interesse em assumir o cargo de presidente da FIFA. Apesar de tudo, o cartola seguiu no comando até 2012 sendo papel principal na conquista de sediar a Copa do Mundo de 2014.

Nos campos do Brasil

A influência de Ricardo Teixeira no futebol brasileiro foi muito forte e trouxe reflexos possíveis de ver até hoje. O fim do Clube dos 13, o início dos pontos corridos no Brasileirão e vários escândalos de corrupção foram apenas alguns dos principais casos que aconteceram enquanto o cartola mandava na CBF.

Um dos principais objetivos de Ricardo Teixeira à frente da CBF era profissionalizar e modernizar o futebol brasileiro afim de construir uma liga forte. O sonho do dirigente foi sendo conquistado aos poucos quando ele foi personagem principal em mudanças internas para mudar regras e estatutos no Brasil. Com estádios lotados, clubes em alto desempenho e o início de patrocínios valiosos, os times brasileiros começaram a se destacar mundialmente. São Paulo (três vezes), Grêmio, Corinthians, Vasco e Palmeiras dominaram o futebol sul-americano e conquistaram títulos mundiais entre os anos 90 e 2000.

Com o presidente ainda no poder, o Brasil viu gerações de craques nascerem e se tornarem ídolos mundiais. Do Santos de Diego e Robinho, o São Paulo de Luís Fabiano e Kaká e novamente o Peixe de Neymar, Ganso e cia. foram todos oriundos de um futebol brasileiro que tinha muito poder na base para gerar novos e talentosos atletas além de faturar muito com isso.

Apesar de ser o homem forte da CBF, Ricardo Teixeira foi criando inimigos públicos durante toda sua trajetória. O Clube dos 13 foi um desses inimigos mais difíceis que o ex-presidente teve, mas que foi ruindo até não haver outra opção além de encerrar as atividades do grupo formado pelos maiores clubes do Brasil para organizar seu próprio futebol e administrar algumas importantes mudanças.

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