Sandro Goiano explica reação “fria” em defesa de Galatto, recorda vitória sobre o Inter e cita maior saudade do Grêmio: “Torcida”

Reportagem do Torcedores.com publica entrevista exclusiva com o ex-volante gremista Sandro Goiano

Eduardo Caspary
Jornalista formado pela PUCRS em agosto de 2014. Dupla Gre-Nal.

Crédito: Foto: JEFFERSON BERNARDES/AFP/Getty Images

Dos seis jogadores do Grêmio que heroicamente permaneciam em campo, apenas um deles não entrou em euforia com a defesa de Galatto no pênalti de Ademar, dando sobrevida ao tricolor nos minutos finais da eternizada “Batalha dos Aflitos” contra o Náutico. A reação fria e contida foi de Sandro Goiano, que, mesmo ciente da importância do milagre do arqueiro, sabia que seria difícil segurar o resto de jogo contra 10 homens adversários na linha.

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Sincero, o ex-volante tricolor admite que, naquele instante, jamais imaginou que o time ainda teria forças para marcar um gol – feito através da genialidade do ainda jovem Anderson, que empurrou de vez o Grêmio de volta à Série A. E como nem poderia ser diferente, Sandro coloca, em entrevista exclusiva ao Torcedores.com, aquela jornada do dia 26 de novembro de 2005 como uma das mais prazerosas da carreira.

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De 2005 a 2007, o volante ainda viveu outras emoções importantes com a camisa tricolor, como por exemplo a campanha surpreendente na Libertadores de 2007 e a fatídica expulsão no jogo de ida da final, fora de casa, contra o Boca Juniors, que venceu por 3×0 e ali já encaminhava o título.

Esses assuntos se somam à quase ida ao Inter como os principais destaques da entrevista de Sandro Goiano que segue abaixo:

Torcedores.com: Sandro, gostaria de iniciar o nosso papo falando do Olímpico. O Grêmio hoje tem uma Arena moderna, grande e muito elogiada, mas você acredita que o antigo estádio tinha uma força maior da torcida?

Sandro Goiano: Sem dúvida, jogar no Olímpico naqueles anos de 2005, 2006 e 2007 a torcida nos ajudou demais. Demais, demais. Acho que voltou a paixão. O torcedor tinha perdido um pouco aquela paixão que sempre tinha. De 2005 em diante a torcida voltou a jogar junto com a gente. Mas acredito que a Arena tenha totais condições de manter o Grêmio forte, como já ganhou títulos nela. É um estádio com poucos anos, mas já tem vários títulos conquistados. Mas do Olímpico eu tenho muitas saudades.

T: Logo no seu primeiro ano no clube, você viveu a famosa Batalha dos Aflitos e eu gostaria de tirar uma curiosidade sobre aquela partida. Por que você não comemorou o pênalti defendido pelo Galatto? Era muita tensão?

SG: Olha, eu não comemorei naquele lance ali porque a gente tinha ficado com seis jogadores na linha apenas. Os nossos seis contra 10 do Náutico. Então era muito difícil de fazer o que a gente faz. Mas a defesa do Galatto, sem dúvida nenhuma, deu uma esperança boa pra gente tentar segurar o jogo. Eu nunca imaginaria que ainda faríamos um gol. Foi incrível. Aquilo que aconteceu foi incrível e está marcado na história. Eu tenho um prazer enorme de ter participado dessa partida.

T: Acredita que foi exagero da arbitragem te expulsar no jogo de ida da final da Libertadores contra o Boca, na Bombonera? E é verdade que você queria armar uma confusão para expulsar o Riquelme?

SG: O lance do primeiro cartão foi uma discussão com o Riquelme, coisa de jogo, ele deu amarelo para os dois. Depois, na outra jogada, eu fiquei olhando pra cima procurando a bola e levantei o pé. Pegou na boca do argentino. Depois de expulso eu também queria tirar o Riquelme de campo. Mas ali eu perdi a força. Porque o Gavilán me segurou e não me soltava para nada. Eu falei: “Gavilán, me solta, eu quero tirar um deles”. E ele: “Não, você já foi expulso”. E me tirou ali do meio. Saí de campo. A verdade é que, sim, a tentativa era tirar um argentino também.

T: Como você resumiria aquele elenco do Grêmio de 2005 a 2007? Por que acha que a torcida até hoje tem muito carinho por aquele grupo?

SG: Porque o Grêmio veio de um ano de 2004 que foi um desastre no rebaixamento. Em 2005 a gente tinha o foco de resgatar aquela alma copeira do clube e a torcida veio junto com a gente. O nosso time não era muito forte, não. Mas tínhamos um time que não se entregava, era competitivo. Classificamos para a Série A, depois o Mano (Menezes, treinador na época) reforçou bem a equipe. Chegaram peças importantíssimas e foi assim crescendo. O de 2006 melhor que o de 2005, e depois o time de 2007 bem melhor que o de 2006. Mesmo assim, a gente tinha condições de fazer ainda mais bonito no Brasileirão.

T: Do que você tem mais saudades de todos esses anos no Grêmio?

SG: Do que eu tenho mais saudades… é da torcida, sem dúvida. O que a gente viveu em 2005, 2006 e 2007 foi para poucos. A torcida jogava junto. Foram anos maravilhosos que eu vivi vestindo a camisa do nosso tricolor.

T: É verdade que você esteve perto de jogar no Inter em 2003, quando saiu do Paysandu? E foi especial vencer o time colorado com o Sport pela Copa do Brasil de 2008?

SG: Depois daquele jogo de 2002 entre Paysandu e Inter, o presidente do Paysandu na época falou que eu poderia jogar em qualquer time, mas para o Inter ele não me emprestava, não me venderia, não me deixaria jogar. Ele achava que tinha ocorrido alguma “maracutaia” do Inter envolvendo algumas pessoas do Paysandu. E colocou que eu não jogaria lá de jeito nenhum. E a Copa do Brasil de 2008, ganhar deles, foi legal demais. Lembro que perdemos a ida de 1×0 no Beira-Rio. Fomos para a volta no Recife e a imprensa dizia que o Sport não aguentaria o Inter, porque o Inter tinha um elenco de tantos milhões e nós com um valor bem abaixo, mas nossa equipe era fantástica. E os comentários das rádios do Rio Grande do Sul era que o Sandro Goiano tinha sido mandado embora do Grêmio, que o Luisinho Netto tinha sido mandado embora dali, que o Dutra não jogava nada, Durval não jogava nada, sabe… Então a preleção nossa foi em cima de tudo isso. E o que esses caras falaram nos deram força pra que a gente vencesse eles. Eliminar o Inter ali sem dúvida foi muito marcante.

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