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Luxemburgo deixa Talles Magno mais próximo do ataque e vê o Vasco amassar o Botafogo em São Januário

Luiz Ferreira analisa a vitória do Trem Bala da Colina sobre os comandados de Eduardo Barroca na coluna PAPO TÁTICO

Luiz Ferreira
Produtor executivo da equipe de esportes da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, jornalista e radialista formado pela ECO/UFRJ, operador de áudio, sonoplasta e grande amante de esportes, Rock and Roll e um belo papo de boteco.

Crédito: Rafael Ribeiro / Vasco

Vanderlei Luxemburgo ficou conhecido como o tipo de treinador que sabe interferir no desempenho de uma equipe durante uma partida como poucos no futebol brasileiro. Sua carreira está aí para provar essa tese. E sua chegada ao Vasco no último dia do ano passado tem muito a ver com isso: a recuperação de uma equipe que sofria com a falta de padrão tático e com a fase ruim de jogadores que já se mostrara promissores em outros tempos. A primeira medida do “pofexô” foi posicionar Talles Magno mais próximo do ataque, saindo da esquerda para o meio e buscando as tabelas com Germán Cano e pisando na área para concluir. O posicionamento do camisa 11 (e a sua boa atuação) e a utilização de nomes oriundos da ótima base vascaína (como Bruno Gomes e Andrey) foram as grandes notícia da vitória sobre um combalido e cada vez mais desesperado Botafogo neste domingo (10) em São Januário.

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A disposição tática do time do Vasco explica muita coisa sobre a boa atuação da equipe. A começar pela defesa, mais compactada e melhor protegida. Só que o já conhecido 4-1-4-1 de Luxemburgo trazia um ingrediente a mais: sempre que Talles Magno se lançava ao ataque, a cobertura no lado esquerdo era feita pelo argentino Leo Gil (que auxiliava Henrique, lateral mais contido no apoio do que Cayo Tenório). Com a equipe equilibrada e ligada em cada lance, o Trem Bala da Colina se impôs diante de um Botafogo espaçado, lento e sem ideias. Este que escreve ainda está tentando entender o que levou o técnico Eduardo Barroca a escalar sua equipe numa espécie de 4-2-4 que não ocupava os espaços e nem trabalhava a bola no ataque. Com tanto espaço entre as linhas, o Vasco só não fez mais gols no primeiro tempo porque Germán Cano não estava numa noite lá muito inspirada.

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Vasco vs Botafogo - Football tactics and formations

Talles Magno tinha liberdade para percorrer todo o campo e procurava Germán Cano no comando de ataque sempre saindo em diagonal a partir do lado esquerdo. O Vasco esteve melhor distribuído dentro de campo e dominou completamente um Botafogo desorganizado, sem ideias e completamente espaçado

Difícil não notar essa melhora no desempenho de Talles Magno com essa simples mexida de Vanderlei Luxemburgo. Antes mais preso ao lado do campo, o camisa 11 ganhou mais liberdade para circular por todo o campo e aparecer na área para concluir a gol. É muito mais um jogador que vai atuar atrás do atacante de referência do que um “ponta” embora possa (eventualmente) ocupar aquele espaço em determinados momentos de uma partida. Vanderlei Luxembugo percebeu isso e tratou de dar confiança a um dos nomes mais talentosos dessa geração de novos valores oriundos da base vascaína. Some isso a todo o espaço que o Botafogo deu entre as suas linhas durante todos os noventa e poucos minutos e você vai entender porque Talles Magno voltou a ser “Mágico” nesse domingo (10). Ainda mais com toda a equipe jogando um futebol mais consistente e mais competitivo. Méritos do “pofexô”.

O Botafogo bem que tentou crescer na segunda etapa, mas só conseguiu levar perigo ao gol de Fernando Miguel na base das bolas levantadas para a área. E isso sem falar no azar de ter um gol (bem) anulado por impedimento num momento em que o Vasco tinha apenas um gol de vantagem. As entradas de Bruno Nazário, Cícero, Barrandeguy, Kalou e Lecaros pouco acrescentaram ao escrete comandado por Eduardo Barroca. O Vasco seguia dominando o jogo sem muitos problemas. Luxemburgo também aproveitou para fazer substituições e viu Caio Lopes e Andrey (mais dois jovens da base) serem os protagonistas do segundo (e belíssimo) gol do Trem Bala da Colina na partida. Até mesmo Yago Pikachu, jogador que vinha de atuações sofríveis com Ricardo Sá Pinto, melhorou muito de produção e deixou sua marca ao cobrar penalidade de manual sofrida por ele mesmo já nos últimos finais da partida em São Januário.

Botafogo vs Vasco - Football tactics and formations

Eduardo Barroca mexeu no Botafogo, mas não conseguiu organizar a sua equipe no segundo tempo. Luxemburgo, por sua vez, viu o Vasco não diminuir o ritmo e marcar mais duas vezes com andrey e Yago Pikachu. Ótima atuação coletiva do Trem Bala da Colina justo num momento em que o time precisa recuperar a confiança.

Por mais que a vaquinah do Botafogo já esteja sentindo o cheirinho do brejo nesses últimos dias e que o desempenho dos comandados de Eduardo Barroca tenha sido sofrível, é preciso exaltar o bom futebol apresentado pelo Vasco neste domingo (10). Por mais que Vanderlei Luxemburgo esteja apenas na sua segunda partida nesse seu retorno à Colina Histórica, já foi possível perceber algumas mudanças significativas no escrete de São Januário. A primeira (e já mencionada aqui) é o novo posicionamento de Talles Magno. E a segunda está na equipe como um todo. Os jogadores estão melhor distribuídos dentro de campo, ocupam bem os espaços e parecem estar mais concentrados em cada lance. Alguns ainda sentem muito o desgaste físico exigido pelas partidas do Brasileirão, mas a evolução de nomes como Yago Pikachu, Henrique, Werley e Bruno Gomes é nítida. E olha que Benítez ainda não reestreou.

Os números do SofaScore comprovam o domínio do Vasco na partida. Não somente nas finalizações e na posse da bola, mas na execução correta de vários fundamentos. E isso faz muita diferença num campeonato que segue completamente influenciado pelo contexto imposto pela pandemia de COVID-19. Vanderlei Luxemburgo era o nome certo para uma equipe que procurava a consistência de outros tempos nem tão complicados assim.

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