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Má administração, troca de técnicos e decepções em campo marcam primeiro rebaixamento do Macaé no Carioca

Macaé Esporte irá disputar a Série A2 do Campeonato Carioca em 2022

Wilson Pimentel
Jornalista esportivo desde 1998. Cobriu os principais eventos esportivos da última década. Passou pelas redações do SBT, Record TV, CNT, Esporte Interativo, Rádio Tupi, Rádio Brasil e Rádio Manchete. É correspondente de veículos de comunicação da Colômbia, Croácia, Paraguai e Portugal. Está no Torcedores.com desde 2019.

Crédito: Divulgação/ Macaé Esporte

O Macaé começou a temporada mirando a classificação para uma competição nacional em 2022: Copa do Brasil ou Campeonato Brasileiro da Série D. Com dificuldades financeiras, o clube investiu pouco dinheiro na formação do elenco para este ano.

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O trabalho foi iniciado com o técnico Eduardo Allax no comando. Ele, no entanto, ficou apenas quatro partidas à frente do time com três derrotas e um empate. Com a saída do treinador, o Alvianil acertou com Charles de Almeida para assumir a função.

Entretanto, Charles comandou o time em três jogos e foi demitido após as derrotas para o Vasco, Portuguesa e Nova Iguaçu. Mesmo antes do fim da primeira fase do estadual, a diretoria anunciou a chegada do experiente Dario Lourenço.

Mas a quinta passagem do treinador pelo clube não durou muito tempo. Ele entregou o cargo após duas partidas e duas derrotas. Na época, o comandante alegou que que os problemas administrativos e financeiros foram fundamentais para deixar o Macaé.

Com isso, o Leão do Norte Fluminense efetivou Luciano Lamoglia, ex-diretor de futebol do próprio clube. Ele comandou a equipe contra o Botafogo e Madureira. Porém, não conseguiu evitar o primeiro rebaixamento da história do Macaé.

Com o insucesso no Estadual, o Macaé irá disputar a Série A2 do Campeonato Carioca em 2022. Até lá, o presidente Theodomiro Bittencourt, o Mirinho, tenta estancar a maior crise institucional e financeira já vivida pelo clube.

A prepotência da diretoria

Ao longo do Campeonato Carioca, a diretoria do Macaé se mostrou arrogante e prepotente sobre a real situação da equipe. A falta de organização do time dentro e fora de campo respingou no planejamento do departamento de futebol.

No começo do ano, Theodomiro Bittencourt ficou afastado das suas funções devido a problemas de saúde. Com isso, Valter Bittencourt, filho e vice-presidente, passou a cuidar da parte administrativa do clube.

Por outro lado, Geraldo Camilo, vice-presidente de futebol, tinha a missão de formar a nova comissão técnica e o elenco para o estadual. Ao todo, foram 35 jogadores contratados entre os mais conhecidos estavam o goleiro Milton Raphael, ex-Botafogo e o volante Amaral, ex-Flamengo.

Vale lembrar que o Macaé foi o último clube da elite do futebol carioca a dar início a pré-temporada. Além disso, Eduardo Allax só foi anunciado após o grupo a começar o período de treinos. Apesar disso, os dirigentes insistiam no discurso de que estavam no ‘caminho certo’.

Clube sofre com dificuldades financeiras

Fora de campo, o Macaé começou o ano tentando acertar as contas. No entanto, a diretoria acumulou dívidas ao longo do Campeonato Carioca. O Torcedores.com apurou que o clube deve quatro meses de salários a jogadores e integrantes da comissão técnica.

Por outro lado, a diretoria alega que ainda não recebeu as cotas de televisão pelos direitos de transmissão do Campeonato Carioca adquiridos pela Record TV. O acordo com a Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro prevê o repasse de R$ 1,3 milhão.

Além desse montante, o time teria direito de embolsar 53% do valor comercializado em pay-per-view pelas partidas do Estadual. A expectativa é que a soma das verbas em múltiplas plataformas atingisse a casa dos R$ 3 milhões.

Apesar de ter estampado a marca de seis patrocinadores nos uniformes ao longo da competição, o Macaé não conseguiu gerar renda suficiente para arcas com as despesas do departamento de futebol.

Além disso, o clube convive com penhoras devido a dívidas acumuladas no passado. O maior credor do Macaé, só para exemplificar, é o técnico Luís Antônio Zaluar, que comandou o time no Estadual de 2019.

O Macaé também deu calote em uma empresa de assessoria e marketing esportivo contratada em 2019. Na época, a agência foi responsável pela implementação do departamento comunicação e comercial do clube. Os donos, porém, nunca viram a cor do dinheiro.

Clube sem identidade

Em gravíssima crise financeira, o Macaé teve de driblar um problema gigantesco nesta temporada: a falta de casa para jogar. O Cláudio Moacyr está interditado desde o ano passado por causa de um incêndio causado por um curto circuito que destruiu parte da arquibancada.

Apesar das promessas da prefeitura, responsável pela administração do local, a reforma do Moacyrzão nunca saiu do papel. Com isso, o clube se viu obrigado a vender mando de campo e atuar longe da torcida desde então.

Desde então, a diretoria viu as despesas terem um aumento superior a 80%. O valor contempla gastos com logística, hospedagem, alimentação e transportes nos jogos realizados em cidades como Rio de Janeiro, Mesquita, Cabo Frio e Saquarema.

No auge calou o Mangueirão em 2013

Fundado no dia 17 de julho de 1990 com o nome de Botafogo Futebol Clube, o Macaé Esporte começou a disputar competições nacionais em 2003. Dez anos depois, o Alvianil Praiano conseguiu conquistar a Série C do Campeonato Brasileiro.

Sob o comando de Josué Teixeira, ex-técnico de Fluminense e Remo, o time fez dois jogos emocionante contra o Paysandu (1 a 1 em casa e 3 a 3 no Mangueirão). A combinação de resultados colocou o Macaé pela primeira vez na entre os 40 melhores clubes do Brasil.

Em 2014, o Macaé disputou a Série B do Campeonato Brasileiro tentando se firmar como a quinta força do futebol carioca. No entanto, o clube não fez boa campanha e acabou sendo rebaixado. Posteriormente, acumulou vexames até sumir do cenário nacional.

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