Flamengo sofre com a falta de criatividade e vê Internacional arrancar vitória no último minuto de jogo

Na coluna PAPO TÁTICO, Luiz Ferreira analisa a atuação do time de Celso Silva contra as Gurias Coloradas no Brasileirão Feminino

Luiz Ferreira
Produtor executivo da equipe de esportes da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, jornalista e radialista formado pela ECO/UFRJ, operador de áudio, sonoplasta e grande amante de esportes, Rock and Roll e um belo papo de boteco.

Crédito: Paula Reis / Flamengo

Antes de mais nada, é preciso ser honesto e reconhecer que Flamengo e Internacional fizeram um jogo muito fraco neste domingo (25). As duas equipes sofreram demais para mostrar um mínimo de criatividade no meio-campo, congestionaram o meio-campo e sofreram para fazer a bola chegar no ataque com um mínimo de qualidade. Ainda que as Gurias Coloradas tenham mostrado mais consistência e mais concentração para conquistar a vitória na Ilha do Governador, o que saltou aos olhos foi a falta de repertório do escrete comandado por Celso Silva. O Fla abusou das bolas longas buscando Dani Ortolan e Rafa Barros entre as linhas adversárias e viram o Inter dominar o meio-campo até com certa facilidade em determinados momentos da partida. De positivo, apenas a boa atuação da zagueira Stella e da meia Bruna Rosa. Isso enquanto tiveram fôlego para perseguir o veloz e intenso ataque do Internacional.

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O que se via na Ilha do Governador era um Flamengo extremamente pragmático e conservador. Por mais que algumas jogadoras tivessem talento com a bola no pé (notadamente Dedê, Bruna Rosa, Dani Ortolan e Rafa Barros), o time como um todo sofria demais com a pressão do Internacional ainda no campo de defesa e não encontrava soluções para chegar no campo de ataque. A impressão que ficou depois da partida foi a de que o técnico Celso Silva escolheu uma estratégia que não parece ser a mais adequada para a sua equipe. Não com as jogadoras que tem à sua disposição no elenco rubro-negro. Do outro lado, o Internacional de Maurício Salgado tentava avançar as suas linhas, mas também não mostrava um repertório lá muito vasto no Estádio Luso Brasileiro. O resultado era um “bate e volta” constante com as duas equipes sofrendo com o gramado ruim e com as suas tomadas de decisões erradas. Não foi um jogo bom.

Mariana Pires tem a bola e vê Rafa Travalão tentando dar profundidade e as pontas Fabi Simões e Shashá abrindo o campo. O problema é que o jogo do Internacional não tinha fluidez. Tudo por conta da forte retranca de um Flamengo sem criatividade e sem força ofensiva. Foto: Reprodução / MyCujoo

O Flamengo só conseguiu ser perigoso com a posse da bola no início do segundo tempo, quando Celso Silva organizou melhor seu 4-1-4-1, posicionou Dedê mais próxima de Bruna Rosa e avançou Jayanne e Rafa Barros. No entanto, se o escrete rubro-negro conseguia trabalhar a bola (um pouco) melhor, ele sofria com os contra-ataques das Gurias Coloradas. A única vez em que a equipe carioca levou algum perigo aconteceu aos 15 minutos do segundo tempo (exatamente um minuto depois que Sorriso salvou gol certo do Internacional), quando Rafa Barros recebeu a bola na entrada da área e viu Raquel fazendo a ultrapassagem pela direita. Mas foi só isso. A impressão que ficava era a de que o Flamengo estava completamente estático no ataque e se movimentava muito pouco. Na prática, a equipe comandada por Celso Silva facilitou demais a vida de Isa Hass e Sorriso (jogadora do Inter) na zaga das Gurias Coloradas.

Rafa Barros recebe a bola na intermediária e vê a passagem de Raquel pela direita (sem marcação). O lance foi uma das únicas vezes em que o time do Flamengo conseguiu levar perigo ao gol do Internacional. A equipe parecia amarrada no ataque e se movimentava muito pouco. Foto: Reprodução / MyCujoo

As Gurias Coloradas ganharam fôlego novo com as entradas de Thessa, Wendy e Mileninha, mas o técnico Maurício Salgado não mudou a postura da equipe. Fabi Simões e Rafa Travalão seguiam dando profundidade às jogadas de ataque e o Internacional como um todo seguia extremamente vertical sem ter quem colocasse a bola no chão e trabalhasse bem as jogadas de ataque. Acabou que o Flamengo de Celso Silva pagou pela falta de organização (em todos os setores) quando Cida e Kaylane erraram o bote em bola perdida no contra-ataque que originou o único gol da partida. Justo um dos pontos mais fortes do Internacional. Wendy roubou a bola no meio-campo e lançou Rafa Travalão às costas de Raquel. A camisa 11 apenas rolou para Mileninha que tirou a goleira Kaká antes de estufar as redes do Estádio Luso Brasileiro. A vitória das Gurias Coloradas acabou sendo o resultado mais justo para uma partida ruim.

Wendy aproveitou a falha de Cida e Kaylane e iniciou o contra-ataque que originou o gol marcado por Mileninha já nos acréscimos da partida na Ilha do Governador. O Internacional foi um pouco mais organizado do que o Flamengo e mereceu sair do Rio de Janeiro com os três pontos. Foto: Reprodução / MyCujoo

Se o Internacional chega a sete pontos na tabela do Brasileirão Feminino (com duas vitórias, um empate, quatro gols marcados e apenas um sofrido), o Flamengo de Celso Silva já começa a ter noção de que não terá vida fácil na competição mais importante do futebol feminino do país. Com apenas dois pontos conquistados em três rodadas (campanha que já é a pior das Meninas da Gávea em toda a história da competição), a equipe de Celso Silva volta a repetir os erros cometidos no Campeonato Carioca e na reta final do Brasileirão de 2020. A falta de jogadoras que trabalhem melhor a bola e de um esquema de jogo que encaixe melhor as características das principais jogadoras (principalmente Rafa Barros e Dani Ortolan) é nítida. Essa acabou sendo a principal diferença entre o Internacional e o Flamengo. O estilo proposto por Maurício salgado se encaixa melhor no elenco das Gurias Coloradas.

Este que escreve é um entusiasta do futebol feminino e sempre estará pronto para exaltar nossas grandes jogadoras e nossos grandes equipes. Só que não há como ser desonesto consigo mesmo. Flamengo e Internacional fizeram uma partida de nível técnico muito baixo. Por mais que o Brasileirão Feminino ainda esteja no começo, já é possível perceber quem deve subir de produção e quem deve ficar pelo caminho. E a equipe de Celso Silva precisa melhorar muito se não quiser se distanciar dos líderes. Ou até pior.

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