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Empate com o Minas Brasília mostra que jogo do Santos é muito mais intuitivo do que coletivo

Na coluna PAPO TÁTICO, Luiz Ferreira analisa a atuação das Sereias da Vila na partida que fechou a terceira rodada do Brasileirão Feminino

Luiz Ferreira
Produtor executivo da equipe de esportes da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, jornalista e radialista formado pela ECO/UFRJ, operador de áudio, sonoplasta e grande amante de esportes, Rock and Roll e um belo papo de boteco.

Crédito: Patricy Albuquerque / Minas Brasília

Antes de mais nada, é preciso reconhecer que o Minas Brasília teve uma boa atuação na partida desta segunda-feira (26). A equipe comandada por Carlos Bona soube como explorar os caminhos do gramado do Estádio Maria de Lourdes Abadia (o simpático “Abadião”), em Ceilândia (no Distrito Federal) e aproveitou bem as chances que teve ao longo dos noventa e poucos minutos. Dito isto, vamos ao assunto principal desta humilde análise. Por mais que Ketlen, Amanda Gutierres, Maria Dias, Rita Bove e companhia tenham muita qualidade com e sem a bola nos pés, a impressão que ficou foi a de que o Santos de Christiane Lessa se baseia muito mais na intuição do que em ideias mais assentadas e num jogo mais coletivo. O empate em 2 a 2 (com direito a golaço de Karen nos minutos finais) foi sim emocionante. Mas a atuação das Sereias da Vila como um todo preocupa bastante para a sequência do Brasileirão Feminino.

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O posicionamento do Santos em campo já mostrava que o time carecia de uma maior organização logo nos primeiros minutos. Era bem difícil não perceber que o escrete comandado por Christiane Lessa sofria com a falta de compactação entre suas linhas e com uma recomposição muito lenta no sistema defensivo. O primeiro gol do Minas Brasília evidencia bem esse problema nas Sereias da Vila. Kati se livra da marcação no lado esquerdo e avança até chegar na intermediária. À primeira vista, o passe ia na direção de Nenê, mas a camisa 11 deixa a bola passar e Robinha aparece na entrada da área com bastante liberdade. Ainda que a goleira Michelle tenha falhado no lance, o gol que abriu o placar no Abadião (aos oito minutos de jogo) mostrou com clareza que o Santos precisava de organização e aproximação entre seus setores. Além disso, Camila Martins, Fê Palermo e Júlia foram completamente traídas pelo jogo de corpo de Nenê.

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Com apenas um drible de corpo, Nenê se livra de Camila Martins, Fê Palermo e Júlia e deixa Robinha em boas condições concluir a gol. Ainda que a goleira Michelle tenha falhado no chute, o primeiro gol do Minas Brasília escancarou os problemas coletivos das Sereias da Vila. Foto: Reprodução / MyCujoo

O Santos começou a melhorar (um pouco) a partir do momento em que Christiane Lessa organizou mais a sua equipe dentro de campo. Principalmente com Ketlen se movimentando bastante atrás de Ketlen, Amanda Gutierres e Maria Dias e tentando fazer com que as Sereias da Vila tivessem mais consistência. O escrete da Vila Belmiro até conseguia vencer a última linha do Minas Brasília na base dos passes mais longos e do talento indiviudal das suas jogadoras, mas as conclusões a gol não eram das melhores. Isso quando elas não paravam na ótima atuação da goleira Karen (uma das melhores em campo na opinião deste que escreve). Por outro lado, além dos enormes espaços entre o quarteto ofensivo e a defesa das Sereias da Vila, as laterais Fê Palermo e Bruninha avançavam pouco, pois sabiam que Kati, Isa, Robinha e Farinon estavam muito bem posicionadas para recuperar a bola e acelerar nos contra-ataques.

As Sereias da Vila melhoraram seu desempenho na partida quando Christiane Lessa organizou um pouco o seu 4-2-3-1 básico com Ketlen se movimentando bastante no terço final e se movimentando bastante do lado para dentro. O problema foram as conclusões a gol da equipe santista. Foto: Reprodução / MyCujoo

A entrada de Karen deu ao time do Santos a referência no ataque que as jogadoras tanto buscaram no primeiro tempo. Ainda que as Sereias da Vila tenham criado oportunidades (muito mais na base da intuição do que na base do jogo coletivo), a equipe não conseguia ter profundidade nas suas jogadas ofensivas. Tanto que o gol do empate (marcado aos 25 minutos do segundo tempo) foi uma das poucas vezes em que o Peixe mostrou movimentação inteligente das suas jogadoras no terço final e usando bem as variações do 4-2-3-1 proposto pela técnica Christiane Lessa. Bia Menezes avançou pela esquerda e cruzou para a área. Amanda Gutierres escorou para o meio e Karen balançou as redes. Vacilo da defesa do Minas Brasília ao acompanhar a bola, mas mérito das Sereias da Vila ao fazer o balanço ofensivo da maneira correta para bagunçar as linhas adversárias e buscar o espaço para concluir a gol em boas condições.

Bia Menezes avança pela esquerda e cruza na direção de Amanda Gutierres. A camisa 19 escorou para o meio e Karen mandou para o gol vazio. O empate das Sereias da Vila nasceu da boa movimentação ofensiva do quarteto ofensivo da equipe comandada por Christiane Lessa. Foto: Reprodução / MyCujoo

Ainda houve tempo para Nenê marcar o segundo do Minas Brasília após cobrança de escanteio da direita (aos 40 minutos da segunda etapa) e para Karen empatar novamente a partida no Abadião em belíssima cobrança de falta da intermediária. O resultado final mais mostra um poder de adaptação do escrete de Carlos Bona ao que acontecia dentro de campo do que propriamente uma recuperação do Santos de Christiane Lessa. É bem verdade que o trabalho da treinadora está apenas no seu início e que todo processo de entendimento entre ela e as atletas do elenco das Sereias da Vila precisam de tempo para acontecer de fato. Por outro lado, as últimas atuações da equipe santista deixaram claro que o desempenho dentro de campo anda dependendo muito mais do brilho individual das jogadoras do que um plano de jogo mais elaborado. Panorama que pode ser considerado normal. Mas apenas até um certo ponto.

Por último, se o Santos ainda rende abaixo das expectativas por conta do bom elenco que Christiane Lessa tem à disposição (e também por conta do pouco tempo de trabalho), o Minas Brasília mostrou um futebol muito interessante na partida desta segunda-feira (26). A maneira como Carlos Bona organizou sua equipe para travar as saídas das suas adversárias e explorar os contra-ataques pode servir de modelo para as próximas partidas da equipe brasiliense sem qualquer sombra de dúvida.

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