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Jovens da base mostram que 3-5-2 pode tornar o Corinthians competitivo novamente

TÁTICA SEM MISTÉRIO analisa a formação com três zagueiros e mostra como ela pode ser uma importante variação tática que pode elevar o nível do time de Mancini

Flavio Souza
Colaborador do Torcedores.com.

Crédito: Divulgação / Rodrigo Coca / Ag. Corinthians

Muitos torcedores do Corinthians foram surpreendidos ao ver a escalação do clássico contra o São Paulo. Apesar de Raul e João Victor já terem aparecido no time titular no Paulistão, foi a primeira vez que Mancini armou um time com um esquema com três zagueiros. É verdade que vários torcedores pediam essa formação, mas testar em um clássico? Felizmente para o treinador, mesmo com poucos treinos, o esquema deu certo.

E boa parte desse sucesso se deu por conta dos jovens Raul e João Victor. Ao lado de Jemerson, os dois zagueiros formaram um trio de zaga que deu pouco espaço ao ataque rival. E mesmo a falha do segundo, que cometeu um pênalti já nos acréscimos, não mancha sua partida. Confira mais detalhes da partida em mais uma TÁTICA SEM MISTÉRIO.

Números importantes Corinthians x São Paulo

Primeiramente, vamos a alguns números importantes, que evidenciam a boa partida dos três zagueiros.  Conforme dados do Sofacore, o São Paulo teve apenas cinco chutes a gol, sendo que a média da equipe na temporada é de 12 finalizações.

Outro número de destaque é relacionado aos impedimentos. Os jogadores do Tricolor ficaram em impedimento em seis oportunidades é de 0,2 por partida.

Já o trio de zaga do Corinthians foi responsável por seis dos 18 desarmes da equipe na partida. Além disso, Raul e João Victor, juntos, fizeram quatro das sete interceptações de passes dos donos da casa.

Apoio ao ataque e defesa avançada

O Corinthians procurou sempre sair jogando ao invés de rifar a bola na defesa. Isso aconteceu por conta da rapidez e da qualidade do passe tanto do João Victor como o Raul. E isso faz com que ambos consigam ajudar no setor ofensivo. Logo no começo do jogo já é possível vermos esse exemplo, com João recebendo passe de Cássio, enxergando o espaço livre e subindo para apoiar pelo lado direito do ataque.

Algo parecido ocorre aos 23 minutos, conforme podemos ver abaixo. Reparem que João Victor avança e se torna quase um “meia” nesta jogada, dando opção para Fagner.

Já neste lance é possível ver como o time optou por ter um os zagueiros mais avançados. Em um lance de “perde/ganha”, Jemerson domina a bola no meio de campo e acha um passe preciso para Otero finalizar com perigo. Mas reparem no começo do lance, mostrando onde estão os três zagueiros do Corinthians, bem posicionados para um possível contra-ataque.

Por fim, dentre outros lances ao longo do jogo, podemos destacar esse, onde Raul é que aparece apoiando o ataque.

Liberdade para os alas do Corinthians

Um esquema com três zagueiros pode se tornar muito defensivo se os laterais não tiverem liberdade para atacar. E essa é uma das qualidades que são melhor aproveitadas por esse esquema. Por conta da juventude, Piton recua para buscar a bola e ajudar na marcação. Mas em vários lances vemos ele atuando quase como ponta-esquerda.

Já no caso do Fagner, ele praticamente só joga no ataque. Além dos lances já mostrados acima, onde é possível ver o lateral bem avançado, destacamos esse abaixo. Reparem que não só temos o João Victor aparecendo pela direita, como vemos o lateral dentro da área, sendo uma opção para cruzamento / passe.

Opinião – TÁTICA SEM MISTÉRIO

Um esquema com três zagueiros demanda muito treino e manutenção das mesmas peças. E isso ficou claro no próprio clássico, afinal houve uma falha na marcação, que deixou Miranda livre para abrir o placar. Além disso, o Corinthians sentiu falta de criação no meio de campo. Mas neste caso a solução poderia estar em ter um segundo volante mais técnico, como Cantillo. Por outro lado, pelos números e pelas análises dos lances, fica a impressão de que este esquema, com Raul e João Victor, evitaria situações de jogadas “mano a mano”, que geraram tantos problemas para a defesa do Timão.

Fato é que no Majestoso o alvinegro foi possível ver um time menos exposto, com Cássio praticamente sem trabalhar ao longo dos 90 minutos. Mas resta saber se Mancini optou por esse esquema pontualmente para o clássico ou se irá utilizar o mesmo ao longo da temporada.

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