Manchester City de Pep Guardiola mostra (mais uma vez) que não há mal nenhum em ser pragmático de vez em quando

Na coluna PAPO TÁTICO, Luiz Ferreira analisa a vitória dos Citzens sobre o Paris Saint-Germain e a classificação para a final da Champions League

Luiz Ferreira
Produtor executivo da equipe de esportes da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, jornalista e radialista formado pela ECO/UFRJ, operador de áudio, sonoplasta e grande amante de esportes, Rock and Roll e um belo papo de boteco.

Crédito: Reprodução / Facebook / Manchester City

Pep Guardiola ficou conhecido mundialmente pela sua obsessão pelo controle do jogo dentro das quatro linhas. Depois de uma passagem histórica pelo Barcelona com Messi, Xavi, Busquets, Puyol e Iniesta, o treinador espanhol passou pelo Bayern de Munique antes de chegar ao Manchester City, sempre executando bem seu conhecido “jogo de posição” e adaptando seu estilo aos jogadores que tem à disposição. E é no clube inglês que Pep Guardiola vem realizando seu trabalho mais maduro (pelo menos nessa última temporada). Não foi por acaso que os Citzens venceram o Paris Saint-Germain mais uma vez jogando com a precisão de um relógio e a autoridade de um dos maiores times do planeta. Os dois gols marcados pelo argelino Mahrez resumem muito bem essa nova filosofia de Guardiola: o “jogo de posição” está lá, mas com algumas pequenas doses de pragmatismo. Tudo para adaptar o time às circunstâncias do jogo

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Já era de se esperar que o Paris Saint-Germain fosse se lançar ao ataque desde o início da partida. Com Mbappé sem condições de jogar os 90 minutos, o técnico Mauricio Pochettino apostou num ataque formado por Neymar, Di María e Icardi. Mesmo com a ausência de um dos seus principais jogadores, o escrete francês não fazia uma partida ruim. Marquinhos, inclusive, acertou uma cabeçada no travessão. O problema é que o Manchester City estava (mais uma vez) num nível de concentração absurdo no Etihad Stadium. Pep Guardiola manteve seu 4-2-3-1/4-4-2 com De Bruyne e Bernardo Silva se revezando no comando de ataque, muita velocidade nas transições com Mahrez e Phil Foden voando pelos lados e muita qualidade na saída de bola apoiada ou nos passes mais longos. Ao invés de uma equipe que valorizava a posse e a utilizava como arma ofensiva, vemos um time que não tem medo de ser pragmático quando a situação exige.

Paris Saint-Germain vs Manchester City - Football tactics and formations

O PSG de Mauricio Pochettino iniciou o jogo forçando o erro na saída de bola do seu adversário para tentar se manter vivo na disputa por uma vaga na final da Liga dos Campeões. Só que o Manchester City se fechou no seu campo no 4-4-2/4-2-3-1 usual de Pep Guardiola e aproveitou muito bem os espaços entre as linhas do escrete francês.

Os dois gols do Manchester City mostram bem como Pep Guardiola adaptou seus vários conceitos (quase que inegociáveis em outros tempos nem tão longínquos assim) para dar mais consistência ao seu time. O seu conhecido “jogo de posição” está lá, mas já não existe nenhum constrangimento em “pular etapas” na construção das jogadas de ataque. Com o Paris Saint-Germain pressionando a saída de bola, não demorou muito para que o escrete comandado por Pep Guardiola se readaptasse às circunstâncias do jogo. Se não havia espaço para sair jogando com a bola pelo chão (como o treinador espanhol tanto gosta), o passe longo entra em ação. Com toda a equipe já desdobrada num 2-3-5, o goleiro Ederson vê Zinchenko se lançando às costas de Florenzi e inicia a jogada que vai resultar no primeiro gol de Mahrez e também do Manchster City. A confiança total de Guardiola na sua proposta se reflete dentro de campo.

Com a equipe já organizada num 2-3-5 (com a famosa pirâmide invertida), Ederson faz o (belíssimo) lançamento para Zinchenko no lance que vai originar o primeiro gol de Mahrez. O Manchester City controlou bem o espaço e aplicou os conceitos de Pep Guardiola com perfeição. Foto: Reprodução / TNT Sports

A vantagem no placar praticamente desmontou o esquema do Paris Saint-Germain (que já sofria com a falta de profundidade nas jogadas de ataque com a ausência de Mbappé). Neymar ficou encaixotado na intermediária e pouco apareceu no jogo. Assim como Icardi e Verratti. Do outro lado, o Manchester City mantinha a estratégia de Pep Guardiola sem sofrer muitos sustos no segundo tempo. A equipe variava bem o posicionamento e acelerava ao máximo nos contra-ataques. Nesse ponto, vale destacar aqui a grande atuação de Fernandinho. O volante de 36 anos afundava entre os zagueiros para fazer uma linha de cinco e ainda se juntava a Gündogan para iniciar as jogadas de ataque. Tudo para que De Bruyne tivesse tempo para distribuir os passes como fez no lance do segundo gol do City (também marcado por Mahrez) após contra-ataque de manual puxado por ele e pelo cada vez mais promissor Phil Foden.

De Bruyne recebe o passe antes da linha do meio-campo e já percebe Phil Foden se lançando no lado esquerdo. Ao mesmo tempo, Bernardo Silva e Mahrez também atacam e dão profundidade ao contra-ataque terminar com mais um gol do camisa 26 do Manchester City. Foto: Reprodução / TNT Sports

Os números do SofaScore ajudam a compreender como esse Manchester City se comportou em campo e como Pep Guardiola adicionou uma certa dose de pragmatismo ao seu “jogo de posição”. Os Citzens tiveram 44% de posse de bola, mas finalizaram 12 vezes a gol (com cinco na direção do gol de Navas). Do outro lado, o Paris Saint-Germain teve mais posse de bola (56%) e mais finalizações (14). Só que nenhum dos chutes de Neymar, Verratti e companhia foram na direção da baliza defendida por Ederson. Tudo por conta do eficiente bloqueio defensivo do escrete de Manchester e também do nervosismo da equipe comandada por Mauricio Pochettino. Difícil não enxergar na (tola) expulsão de Di María o resumo perfeito de um PSG que tomou várias decisões ruins ao longo da temporada. Principalmente no que se refere às peças de reposição de um elenco que ainda depende demais do brilho de Neymar e Mbappé.

O trabalho mais maduro e mais consistente da carreira de Guardiola nos apresenta uma equipe que ainda sabe o que deve fazer com e sem a bola, mas que não tem vergonha de se fechar na defesa e de adotar uma postura mais pragmática quando necessário. É essa resiliência que faz do Manchester City uma das melhores equipes do mundo na atualidade e que prova que o treinador espanhol é sim um dos melhores de todos os tempos. A maneira como tem potencializado os talentos dos Citzens é algo absurdo.

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