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Palmeiras controla os espaços, abusa da intensidade nas transições e arrasa o Grêmio no Allianz Parque

Na coluna PAPO TÁTICO, Luiz Ferreira analisa a evolução técnica e tática do escrete comandado por Ricardo Belli e a vitória sobre o Tricolor Gaúcho

Luiz Ferreira
Produtor executivo da equipe de esportes da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, jornalista e radialista formado pela ECO/UFRJ, operador de áudio, sonoplasta e grande amante de esportes, Rock and Roll e um belo papo de boteco.

Crédito: Thais Magalhães / CBF

As cinco primeiras rodadas do Brasileirão Feminino Série A1 já nos apresentam um quadro mais nítido de como deve ficar a briga pelas primeiras posições na tabela e a luta contra o rebaixamento. Ao mesmo tempo, já é possível apontar, inclusive, as equipes que devem brigar pelo título e fazer frente ao Corinthians de Arthur Elias. Uma dessas equipes é, sem sombra de dúvidas, o Palmeiras de Ricardo Belli. A chegada de reforços importantes (como Bruna Calderan, Júlia Bianchi e Bia Zaneratto) elevaram ainda mais o nível de um elenco que já era extremamente técnico e qualificado e a vitória sobre o Grêmio por 4 a 1 mostrou que as Palestrinas vão sim brigar pelas primeiras posições. Mas é preciso dizer que o Palmeiras não mostrou apenas talento individual. Variações táticas, muito volume de jogo e controle dos espaços foram alguns dos trunfos do escrete de Ricardo Belli.

Quem viu as escalações iniciais deve ter se surpreendido com o Grêmio. A técnica Patrícia Gusmão apostou num 5-4-1/3-4-2-1 com Andréia Rosa, Janaína Queiroz e Andressa formando o trio de zaga e liberando Sinara e Gisseli para o apoio. O problema da equipe gaúcha é que nem Pri Back e nem Rafa Levis tinham força para conter tamanho volume de jogo de um adversário extremamente qualificado e que jogava nos seus domínios. Tudo por conta da maneira como Ricardo Belli montou o Palmeiras. No papel, um 4-4-2. Na prática, uma variação constante no posicionamento das jogadoras. Bia Zaneratto tinha espaço para acelerar e buscar as tabelas com Carol Baiana, Ottilia e Ary Borges. Camilinha (mesmo jogando na lateral) foi pouco pressionada e ainda contava com o ótimo balanço defensivo de Thaís e Júlia Bianchi na frente da zaga. Fora a movimentação entrelinhas de uma equipe com alto poderio ofensivo.

Mesmo organizado num 5-4-1 quando o Palmeiras tinha a bola, o Grêmio de Patrícia Gusmão não conseguiu controlar os espaços e sofreu com a intensidade das suas adversárias. Bia Zaneratto acelerava, Ottilia e Carol Baiana abriam espaços e Ary e Júlia Bianchi participavam da construção das jogadas. Foto: Reprodução / MyCujoo

Chamava a atenção a organização do Palmeiras na saída de bola. Thaís ou Ary Borges recuavam entre as zagueiras Agustina e Tainara para fazer a “saída lavolpiana” e liberar Bruna Calderan e Camilinha para o apoio. Ao mesmo tempo, Júlia Bianchi permanecia um pouco mais à frente para dar opção de passe e fazer a bola chegar no quarteto ofensivo. Carol Baiana abriu o placar aos 13 minutos de jogo (após Ary Borges e Bia Zaneratto criarem boas chances em jogadas trabalhadas pela equipe de Ricardo Belli). Bruna Calderan mostrou mais uma vez porque é uma das melhores (senão a melhor) lateral do país ao fazer belíssima jogada pela direita e achar Agustina livre na linha da pequena área no lance do segundo gol das Palestrinas. Mas tudo começava a partir de uma saída de bola qualificada, intensa nos movimentos e que quase não sofreu pressão de um Grêmio que tentava se organizar diante de tanto volume ofensivo.

Thaís ou Ary Borges recuavam entre as zagueiras para liberar o apoio das laterais e iniciar a construção das jogadas de ataque. O Palmeiras de Ricardo Belli mostrou muita organização em todos os setores e foi um adversário muito difícil de ser contido jogando nos seus domínios. Foto: Reprodução / MyCujoo

Quatro minutos depois de fazer o segundo do Palmeiras, Agustina aproveitou a falha da goleira Lorena para marcar mais um belo gol. E já nos acréscimos da primeira etapa, Bia Zaneratto aproveitou a indecisão completa da zaga do Grêmio para arrancar em direção à área e marcar o quarto do Palmeiras. Mas o que chamava a atenção era o enorme apetite ofensivo do escrete comandado por Ricardo Belli. É bem verdade que as Palestrinas diminuíram o ritmo no segundo tempo e que o Grêmio encontrou mais campo para poder jogar. Mesmo assim, as entradas de Duda Santos, Rafa Andrade, Chú, Carol Santos e Katrine pouco mexeram no plano de jogo do técnico Ricardo Belli. O Palmeiras passou a marcar em bloco mais baixo, como se quisesse “descansar” suas jogadoras depois de um primeiro tempo de tanta intensidade e movimentação. Nem mesmo o erro de Júlia Bianchi no gol de Laís diminui o tamanho da atuação das Palestrinas.

As substituições promovidas por Ricardo Belli após o intervalo pouco alteraram o desempenho das Palestrinas no segundo tempo. Diante de um Grêmio apenas esforçado na partida desta segunda-feira (3), o Palmeiras passou a marcar em bloco mais baixo e sempre encontrava espaços no campo ofensivo. Foto: Reprodução / MyCujoo

Difícil não colocar o Palmeiras de Ricardo Belli no seleto grupo das equipes que vão brigar pelo título da edição de 2021 do Brasileirão Feminino por tudo que eu e você temos visto nessas cinco primeiras rodadas do Brasileirão Feminino. As Palestrinas lideram a competição com treze pontos (quatro vitórias e um empate) com 17 gols marcados (melhor ataque da competição) e apenas cinco sofridos. Ver Bia Zaneratto, Duda Santos, Camilinha (que rende muito mais jogando no meio-campo), Thaís, Agustina, Bruna Calderan e Júlia Bianchi jogando em alta intensidade numa equipe bem organizada, que executa uma proposta de jogo bem clara com maestria realmente dá uma certa esperança. O nível de exigência do nosso futebol feminino está cada vez mais alto e projeto como o do Palmeiras têm tudo para se consolidar a médio e longo prazo. Ainda mais se os títulos vierem de carona com as boas campanhas.

Pode ser que as coisas mudem até o final do Brasileirão Feminino e que as coisas se desenhem de outra maneira. Temos uma Olimpíada no meio do campeonato e todos os dezesseis times vão ter tempo para corrigir problemas e potencializar virtudes. O que é certo é que o próximo confronto entre Palmeiras e Corinthians promete fortes emoções. Ainda mais sabendo que a equipe de Arthur Elias não vem jogando aquilo que se espera dela.

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