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Falta de concentração foi o grande problema da Seleção Brasileira no empate contra o Equador

Na coluna PAPO TÁTICO, Luiz Ferreira analisa as escolhas de Tite para o último jogo do escrete canarinho da fase de grupos da Copa América

Luiz Ferreira
Produtor executivo da equipe de esportes da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, jornalista e radialista formado pela ECO/UFRJ, operador de áudio, sonoplasta e grande amante de esportes, Rock and Roll e um belo papo de boteco.

Crédito: Lucas Figueiredo / CBF

A vaga nas quartas de final e a primeira posição do seu grupo na Copa América eram motivos mais do que justificáveis para que Tite fizesse testes na Seleção Brasileira na partida contra o Equador. No entanto, a estratégia de imposição na base da técnica e do volume de jogo diante de um adversário acabou esbarrando na falta de concentração de todos os jogadores num segundo tempo de desempenho muito abaixo do esperado. Há como se falar na boa atuação de Lucas Paquetá (um dos poucos lúcidos no meio-campo brasileiro), mas também é preciso reconhecer que a equipe comandada por Gustavo Alfaro teve seus méritos no empate deste domingo (27), resultado que classificou a Tricolor para as quartas de final da Copa América. Ficam as lições para uma Seleção Brasileira que ainda sobre no continente sul-americano, mas que precisa ter mais atenção e menos displicência em momentos decisivos.

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Fabinho, Douglas Luiz, Emerson, Lucas Paquetá e Everton Cebolinha foram algumas das novidades de Tite para enfrentar o Equador de Gustavo Alfaro. O treinador da Seleção Brasileira utilizou o 4-4-2/4-2-4 de muita movimentação no campo ofensivo e boa saída de bola desde a linha defensiva. Mas a prova de que a concentração não estava no nível usual foi o chute despretensioso de Enner Valencia que quase pegou o goleiro Alisson no pulo (e no escorregão). Fora isso, muitas trocas de passe no meio-campo, muita posse de bola, mas sem conseguir transformar toda essa superioridade em gols. Balançar as redes mesmo só com Éder Militão (aos 36 minutos do primeiro tempo) completando falta cobrada do lado direito por Everton Cebolinha. De todas as escolhas de Tite, quem jogava melhor era Lucas Paquetá com boa movimentação e passes que descomplicavam bastante a vida da Seleção Brasileira.

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Equador vs Brasil - Football tactics and formations

Tite manteve o 4-4-2/4-2-4 com as entradas de Fabinho, Douglas Luiz, Emerson, Lucas Paquetá e Everton Cebolinha na Seleção Brasileira. Embora muito superior ao seu adversário, o escrete canarinho teve dificuldades para transformar volume de jogo e posse de bola em gols.

Mas se o primeiro tempo nos passou uma sensação de segurança, a segunda etapa nos apresentou uma Seleção Brasileira mais desconcentrada. A saída de Renan Lodi por lesão também contribuiu para que o Equador forçasse o jogo em cima de Danilo (o jogador escolhido por Tite para substituir o lateral do Atlético de Madrid) e começasse a ocupar mais o campo de ataque com as descidas de Mena (autor do gol de empate em vacilo coletivo da defesa brasileira), Enner Valencia, Ayrton Preciado e Estupiñán se movimentando constantemente. E nesse ponto, vale destacar o vigor de Éder Militão no miolo de zaga junto com Marquinhos. Cada vez mais seguro e adaptado ao grupo da Seleção Brasileira, o defensor do Real Madrid talvez seja um dos jogador que mais evoluíram sob o comando de Tite desde essa sequência de partidas envolvendo as Eliminatórias da Copa do Mundo e a Copa América começou há mais ou menos um mês.

Os números da partida (ver no tweet acima) mostram como o jogo da equipe comandada por Tite ficou concentrado no meio-campo. Muito por conta da falta de objetividade do ataque da Seleção Brasileira e da pressão imposta pelo Equador no segundo tempo após o gol de Mena. O treinador do escrete canarinho ainda tentou recuperar a consistência dos primeiros 45 minutos com as entradas de Everton Ribeiro, Vinícius Júnior, Richarlison e Casemiro, mas o panorama não mudou. Tudo por conta da já mencionada falta de concentração de toda a equipe. A vaga garantida nas quartas de final da Copa América (além da primeira posição no seu grupo) podem ter influenciado na atuação de todo o escrete canarinho. A intensidade vista nas partidas contra a Venezuela e o Peru (ainda que sejam adversários teoricamente mais fracos do que o Equador) ficou para trás e a Seleção Brasileira deixou a desejar.

Brasil vs Equador - Football tactics and formations

O Equador se animou com o gol de empate marcado por Mena, adiantou suas linhas e passou a pressionar mais a saída de bola da Seleção Brasileira. Tite ainda tentou recuperar a consistência da sua equipe com as entradas de Everton Ribeiro, Vinícius Júnior e Richarlison sem sucesso.

O resultado em si não é nenhum desastre para a Seleção Brasileira e para Tite (mesmo com o fim da sequência de vitórias consecutivas), mas liga o alerta para a fase de mata-mata da Copa América. Mesmo com o baixo nível técnico do torneio e todo o contexto imposto pela pandemia de COVID-19, a tendência é que a vida da equipe comandada por Tite fique mais complicada a partir das quartas de final. Ainda mais sabendo que o adversário da partida marcada para a próxima sexta-feira (4) pode ser o Uruguai ou o Chile dependendo dos resultados dessa segunda-feira (28). A falta de concentração e um certo ar de superioridade em determinados momentos do empate contra o Equador podem ser adversários mais traiçoeiros do que a catimba dos seus possíveis adversários nas quartas de final. E Tite sabe que precisa que seus jogadores esteja focados e com atenção redobrada para executar seu plano de jogo.

Na prática, a Seleção Brasileira tropeçou quando podia tropeçar. Por mais que o Equador de Gustavo Alfaro tenha exposto algumas das deficiências da equipe no jogo deste domingo (27), o escrete comandado por Tite ainda é o grande favorito ao título desta polêmica e conturbada Copa América. Mas o alerta segue ligado. Hoje, a falta de concentração ainda é o grande inimigo de um time que tem plenas condições de chegar muito longe a nível mundial. Sem exageros de nenhuma parte.

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