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Resultado positivo alivia pressão no Internacional, mas equipe segue sem consistência e sem confiança

Na coluna PAPO TÁTICO, Luiz Ferreira analisa a atuação do time de Miguel Ángel Ramírez na partida contra o Vitória pela Copa do Brasil

Luiz Ferreira
Produtor executivo da equipe de esportes da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, jornalista e radialista formado pela ECO/UFRJ, operador de áudio, sonoplasta e grande amante de esportes, Rock and Roll e um belo papo de boteco.

Crédito: Ricardo Duarte / SC Internacional

Quem acompanha a coluna aqui no TORCEDORES.COM já deve ter percebido que este que escreve é um dos defensores do “jogo de posição”, estratégia adotada por Miguel Ángel Ramírez no Internacional e por vários outros treinadores. O problema reside quando os jogadores não conseguem compreender essa filosofia e (consequentemente) não a executam da melhor maneira. O time tende a ficar mais estático, o jogo fica mais amarrado dentro de campo e a estratégia acaba não dando a consistência desejada. Foi mais ou menos isso que aconteceu na partida contra o Vitória nesta quinta-feira (3) pela Copa do Brasil. Com a exceção de Taison (talvez o jogador que melhor compreenda o que Miguel Ángel Ramírez quer da sua equipe), o Internacional pecou demais pela lentidão e pela falta de objetividade. O resulatdo positivo só veio em penalidade cobrada por Thiago Galhardo aos 28 minutos do segundo tempo.

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Miguel Ángel Ramírez mandou a campo um Internacional diferente daquele que empatou com o Sport na rodada de abertura do Brasileirão. Daniel, Jhonny e Patrick entraram nas vagas de Marcelo Lomba, Rodrigo Lindoso e Maurício. O 4-3-3 preferido do treinador espanhol foi mantido, mas a equipe colorada sofreu com a saída de bola no início da partida no Barradão. Tudo por conta da marcação mais adiantada do escrete comandado por Rodrigo Chagas. Aos poucos, o Vitória foi baixando as suas linhas de marcação, deixando que o Internacional ficasse mais tempo com a posse da bola e expondo as dificuldades que a equipe comandada por Miguel Ángel Ramírez tinha para encontrar espaços. Yuri Alberto estava isolado no ataque, Edenilson não participava da criação das jogadas e Taison ficava sobrecarregado no meio-campo. Não foi por acaso que a primeira grande chance de gol da partida foi do Vitória com o jovem Guilherme.

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Internacional vs Vitoria - Football tactics and formations

Daniel, Jhonny e Patrick começaram a partida como titulares, mas não conseguiram dar a consistência que Miguel Ángel Ramírez queria para o Internacional. O Vitória se fechava na defesa e forçava o time de Miguel Ángel Ramírez a trocar passes laterais sem muita objetividade no primeiro tempo.

Difícil não perceber que o Internacional só crescia de produção quando Taison se aproximava de Yuri Alberto, Caio Vidal e Partrick. O camisa 10 e capitão colorado jogava mais alinhado a Edenilson no 4-3-3 preferido de Miguel Ángel Ramírez, mas aparecia como uma espécie de ponta de lança no terço final (embora não entrasse tanto na área como em outros tempos). Também procurava jogar entre as linhas do Vitória para gerar profundidade e abrir espaços para a subida dos atacantes em diagonal na direção do gol defendido por Ronaldo. Exatamente como aconteceu no início do segundo tempo, quando aproveitou bola escorada de Yuri Alberto e deu um belíssimo passe para Caio Vidal às costas da defesa do Leão. Essa também foi uma das poucas vezes em que o “jogo de posição” foi bem executado durante os noventa minutos de partida. Taison era o único que tentava alguma coisa de diferente no Internacional.

Taison buscava o espaço entre as linhas do Vitória para abrir espaços e desafogar um pouco do time do Internacional. Num dos poucos lances de mais mobilidade e movimentação, o camisa 10 deixou Caio Vidal na cara do gol, mas o atacante desperdiçou ótima chance. Foto: Reprodução / GE / SPORTV

Não foi por acaso que Miguel Ángel Ramírez fez três mudanças no Internacional depois dos quinze minutos do segundo tempo. Patrick, Yuri Alberto e Edenilson deixaram o jogo para as entradas de Boschilia, Thiago Galhardo e Maurício. A equipe colorada ganhou mais mobilidade e conseguiu balançar as redes depois de penalidade cobrada pelo camisa 17 após ser puxado dentro da área por Wallace Reis. Rodrigo Chagas, por sua vez, tentou congestionar o meio-campo do Vitória com a entrada de João Pedro e Cédric nos lugares de Soares e Fernando Neto, mas apenas viu sua equipe reclamar de falta de Lucas Ribeiro em cima de Roberto dentro da área. Daí para o final da partida, o Internacional apenas administrou o resultado e foi trocando passes sem muita objetividade. O resultado positivo é importante e alivia (um pouco) a pressão sobre Miguel Ángel Ramírez. Mas a equipe ainda joga abaixo do que pode jogar.

Vitoria vs Internacional - Football tactics and formations

As entradas de Boschilia, Thiago Galhardo e Maurício melhoraram um pouco a produção ofensiva do Internacional, mas sem ter a consistência e a contundência pretendida por Miguel Ángel Ramírez. Mesmo assim, o Colorado sentiu um pouco a marcação do Vitória e demorou para impôr seu estilo.

Este colunista já falou mais de uma vez sobre o “jogo de posição” e de como ele consegue potencializar cada jogador. Não tem nada de estático quando bem executado. E esse tem sido o grande problema do Internacional de Miguel Ángel Ramírez. Além da falta de compreensão de uma filosofia até certo ponto nova para muitos jogadores, existe a falta de tempo para que esse entendimento aconteça. As oscilações são mais do que naturais, mas ainda assim preocupam por conta da nossa cultura. Está nítido que a pressão por desempenho e (principalmente) resultados está ficando cada vez mais forte. O triunfo sobre um Vitória mais organizado e mais “brigador” no meio-campo dá a vantagem na briga por uma vaga nas oitavas de final da Copa do Brasil, mas também escancara as dificuldades que os atletas do Internacional vem tendo na compreensão dos conceitos de Miguel Ángel Ramírez. A única exceção parece ser Taison. Mas ainda é pouco.

Num ambiente tão baseado no resultado e no imediatismo como o do velho e rude esporte bretão, trabalhos a médio e longo prazo acabam sendo engolidos pelos críticos e oportunistas de plantão. Miguel Ángel Ramírez já sabe disso. Mas também sabe que o Internacional precisa encontrar um norte o mais rápido possível. A equipe precisa de consistência e mais confiança para encarar essa longa maratona que envolve Brasileirão, Copa do Brasil e Libertadores sem pressões vindas de fora do campo.

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