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Nova derrota em casa expõe a impressionante fragilidade defensiva do Vasco; confira a análise

Luiz Ferreira explica como o Avaí explorou os problemas crônicos da equipe de Marcelo Cabo na coluna PAPO TÁTICO

Luiz Ferreira
Produtor executivo da equipe de esportes da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, jornalista e radialista formado pela ECO/UFRJ, operador de áudio, sonoplasta e grande amante de esportes, Rock and Roll e um belo papo de boteco.

Crédito: Rafael Ribeiro / Vasco

“O Vasco precisa saber jogar a Série B”. Esse é um dos “dogmas” mais repetidos por torcedores e jornalistas nesses últimos dias. Mas “saber jogar a Série B” tem relação direta com elementos básicos do velho e rude esporte bretão já bastante debatidos aqui mesmo neste espaço no TORCEDORES.COM e em outras publicações. O que é certo é que Marcelo Cabo vem encontrando enormes dificuldades para fazer o Gigante da Colina apresentar um futebol minimamente razoável desde o jogo contra o Flamengo pelo Campeonato Carioca. A derrota para o Avaí (a segunda em quatro rodadas da Série B) nesta quarta-feira (16) expôs todos os problemas crônicos do sistema defensivo do Vasco. Posicionamento ruim, falta de compactação na frente da área, erros bobos na marcação e uma falta de concentração enorme nos momentos decisivos. Fora todos os problemas coletivos do escrete de São Januário no que se refere à produção ofensiva.

É bem verdade que o Brasileirão da Série B não traz a mesma exigência técnica e física dos jogos da Libertadores e da Série A, por exemplo. Mas é necessário que se encare a competição com seriedade e muita força mental para se superar as dificuldades que virão pela frente e manter o plano de jogo elaborado nos treinamentos. Sobre o Vasco, fica difícil dizer onde o problema é individual e onde o problema é de ordem coletiva. O 4-2-3-1 preferido de Marcelo Cabo não conseguiu fechar os espaços entre as suas linhas e permitiu que Getúlio, Lourenço, Vinícius Leite e Renato circulassem pela intermediária sem serem incomodados. Mais à frente, Gabriel Pec e Léo Jabá não conseguiam dar profundidade às jogadas de ataque e Marquinhos Gabriel ficou completamente sobrecarregado na criação das jogadas. O resultado disso foi um Vasco sem agressividade nas transições e passivo na marcação.

Vasco vs Avai - Football tactics and formations

Marquinhos Gabriel era o único que tentava fazer algo diferente no 4-2-3-1 costumeiro de Marcelo Cabo. O Vasco sofreu muito para fechar os espaços na frente da área e não conseguiu conter a circulação do quarteto ofensivo do Avaí. A falta de concentração da equipe era evidente.

Getúlio abriu o placar aos 27 minutos de partida num lance em que todo o sistema defensivo do Vasco simplesmente parou. Léo Jabá e Zeca não pressionam Edílson, Léo Matos não percebe Vinícius Leite aparecendo às suas costas e Miranda e Ricardo Graça apenas observam o camisa 99 balançar as redes. Mas foi o segundo gol do Avaí (em novo cruzamento vindo do lado direito) que escancarou os problemas crônicos do sistema defensivo da equipe comandada por Marcelo Cabo (que não estava no banco de reservas já que cumpria suspensão). O frame abaixo mostra com clareza a completa desorganização do escrete de São Januário e os espaços entre cada jogador da última linha. Léo Jabá e Gabriel Pec não recompõem a marcação no meio-campo e Léo Matos erra o corte numa bola relativamente fácil. Além disso, Ricardo Graça e Miranda apenas observam Getúlio dividir com Vanderlei e Renato tocar para o gol vazio.

O segundo gol do Avaí escancarou todos os problemas defensivos do Vasco. Léo Jabá e Gabriel Pec não recompõem a segunda linha de marcação, Ricardo Graça e Miranda deixam muitos espaços entre eles e Léo Matos falha no corte em lance relativamente simples. Foto: Reprodução / Premiere / GE

A segunda etapa em São Januário deixou a impressão de que o Avaí estava mais próximo de fazer o terceiro gol do que o Vasco de diminuir o placar. Marcelo Cabo ainda tentou melhorar a produção ofensiva da sua equipe com as entradas de Galarza, Daniel Amorim e Morato, mas sem muito sucesso. Isso porque Claudinei Oliveira fechou o Avaí em duas linhas com as entradas de João Lucas e Yuri para fechar os lados do campo e Valdívia próximo de Jonathan para puxar os contra-ataques. O 4-2-4 vascaíno pouco produziu porque faltava ao time a intensidade nos movimentos e a leitura dos espaços para furar a retranca adversária. As melhores chances saíram de jogadas individuais com Marquinhos Gabriel (que foi jogar mais pelo lado do campo depois das mexidas de Marcelo Cabo) em jogada individual pela esquerda e Daniel Amorim e chute da entrada da área. Resultado justo na Colina Histórica.

Avai vs Vasco - Football tactics and formations

Marcelo Cabo desfez seu 4-2-3-1 inicial e apostou num 4-2-4 que não deu liga e que levou pouco perigo ao Avaí no segundo tempo da partida desta quarta-feira (17). Já Claudinei Oliveira fechou sua equipe num 4-4-2 e apenas explorou os espaços às costas dos zagueiros do Vasco.

“Saber jogar a Série B”, como alguns repetem, tem muito a ver com o que se faz dentro de campo, com a boa execução da sua proposta de jogo e com a escolha da melhor estratégia para sua equipe. É assim desde que se amarrava cachorro com linguiça. E a impressão que fica do Vasco de Marcelo Cabo é que existe sim a dificuldade do treinador em encontrar a formação que melhor potencialize os talentos que tem à sua disposição. A derrota desta quarta-feira (16) também deixou claro que alguns jogadores podem não estar conseguindo assimilar os conceitos do comandante vascaíno. Seguindo essa linha, talvez seja preciso repensar o esquema tático. Se Léo Jabá, Morato, Gabriel Pec, Figueiredo e outros jogadores apresentam muitas dificuldades na recomposição, a saída pode ser a compensação tática com a entrada de mais um volante no meio-campo. Mas sempre tendo em vista o equilíbrio entre os setores.

A pressão sobre Marcelo Cabo com a segunda derrota em dois jogos em São Januário nessa Série B aumentou consideravelmente. Por mais que o treinador tenha sim a sua parcela de culpa nos últimos resultados, a impressão que fica é que o problema do Vasco é mais profundo e que não será resolvido apenas com a mudança no comando técnico. Leandro Castán e Ernando (por incrível que pareça) fizeram falta e Galarza pode ser mais útil jogando numa outra formação. Seja como for, é preciso repensar muita coisa lá na Colina Histórica.

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