Atlético-MG volta a flertar com o perigo em classificação mais suada do que o normal contra o Boca Juniors

Na coluna PAPO TÁTICO, Luiz Ferreira analisa a atuação ruim da equipe comandada por Cuca no jogo de volta das oitavas de final da Libertadores

Luiz Ferreira
Produtor executivo da equipe de esportes da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, jornalista e radialista formado pela ECO/UFRJ, operador de áudio, sonoplasta e grande amante de esportes, Rock and Roll e um belo papo de boteco.

Crédito: Pedro Souza / Atlético-MG

O torcedor atleticano tem mais é que comemorar a classificação diante de uma das camisas mais pesadas da América do Sul. Ainda mais quando o goleiro Everson se transformou no herói da noite desta terça-feira (20) ao defender as cobranças de Villa e Rolón e ainda converter a penalidade que garantiu o Atlético-MG nas quartas de final da Libertadores. No entanto, os jogos contra o Boca Juniors de Miguel Ángel Russo na Bombonera e no Mineirão nos mostraram que Cuca segue sofrendo demais para resolver os problemas da sua equipe. Além da clara desorganização defensiva, o Atlético-MG é claramente dependente do brilho individual de Savarino, Hulk e Nacho Fernández. Difícil não concluir que o Galo flertou com o perigo e complicou dois confrontos que tinham tudo para serem muito mais tranquilos do que foram. Principalmente quando comparamos a qualidade do elenco atleticano com o do Boca Juniors.

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O Atlético-MG tentou jogar e se impor na base das transições rápidas. Zaracho teve chance cristalina para abrir o placar logo aos três minutos de jogo após belo passe em profundidade de Tchê Tchê, mas acabou finalizando muito mal. Na prática, o que se via era uma equipe organizada num 4-2-3-1 que só mostrava qualidade quando Nacho Fernández vinha buscar a bola no meio-campo e quando Hulk conseguia romper as linhas do seu adversário no Mineirão. Ao mesmo tempo, o escrete atleticano abria espaços demais para um Boca Juniors organizado no 4-1-4-1 costumeiro de Miguel Ángel Russo que tinha no deslocamento de Pavón e Villa por dentro (se aproximando do centroavante Briasco no comando de ataque) e nas bolas levantadas na área as suas únicas armas ofensivas. A equipe xeneize criava muito pouco, mas o Atlético-MG também não se ajudava e se complicava em lances simples. O jogo não era bom.

Boca Juniors vs Atletico-MG - Football tactics and formations

Cuca manteve seu 4-2-3-1 no Atlético-MG, mas sua equipe ainda sofria demais para criar as jogadas e dependia muito do talento individual do trio formado por Savarino, Hulk e Nacho Fernández. O Boca Juniors fazia o simples e também mostrava dificuldades para aproveitar as poucas chances que criava.

Se o VAR não tivesse anulado o gol de Weigandt (que é um dos bons nomes desse Boca Juniors de Miguel Ángel Russo), o foco de todos estaria na falha de Everson e não em mais uma péssima atuação coletiva do Atlético-MG e nas dificuldades que Cuca vem mostrando para organizar a sua equipe. Desde o primeiro tempo, o Galo mostrava muitos problemas para compactar as suas linhas e dependia demais do talento individual do seu estrelado elenco. Difícil não concluir que o estilo de jogo mais vertical e mais direto do escrete xeneize era mais do que suficiente para complicar a vida de um desorganizado Atlético-MG no Mineirão. E esse cenário obrigava os volantes Allan e Tchê Tchê a percorrerem enormes distâncias no campo para cobrirem os espaços entre as linhas do escrete de Belo Horizonte. E conforme o tempo ia passando, o nervosismo dos jogadores atleticanos ia aumentando consideravelmente.

Além das dificuldades na criação das jogadas, o Atlético-MG concedia muitos espaços entre as linhas do 4-2-3-1 de Cuca. Os volantes Allan e Tchê Tchê tinham que correr muito para cobrir todos os buracos na frente da última linha da equipe de Belo Horizonte. Foto: Reprodução / ESPN Brasil

A confusão após o gol anulado de Weigandt so aumentou o nervosismo dos jogadores do Atlético-MG e deixou os minutos finais da partida no Mineirão todo à feição do Boca Juniors (que protestou bastante contra a marcação do VAR). Cuca, por sua vez, tentou dar mais fôlego ao seu time com as entradas de Eduardo Sasha, Alan Franco e Borrero nos lugares de Tchê Tchê, Zaracho e Savarino, mas o problema relatado anteriormente permaneceu. O Galo seguia com buracos enormes entre as suas linhas e dependendo muito do futebol de Nacho Fernández e Hulk. O argentino estava muito bem vigiado por Rolón, Medina e Diego González no meio-campo. E o atacante brasileiro quase não recebia bolas. Com isso, o Boca Juniors não precisava fazer muita coisa para provocar erros na saída de bola atleticana. A sorte do Galo é que os atacantes xeneizes também não estavam numa noite lá muito inspirada.

Cuca mexeu no Atlético-MG, mas sua equipe seguiu jogando mal e concedendo demais para um Boca Juniors que apenas jogava para o gasto. Com as linhas muito afastadas umas das outras e com os jogadores afobados, o Galo errou lances bobos no final da partida no Mineirão. Foto: Reprodução / ESPN Brasil

Acabou que Everson saiu do inferno para o céu ao defender as cobranças de Villa e Rolón e converter a penalidade que garantiu o Atlético-MG nas quartas de final da Copa Libertadores da América. Mas nem mesmo a redenção do goleiro atleticano (que lembrou os grandes momentos de “São Victor” na campanha do título de 2013) conseguiu esconder ou pelo menos amenizar a péssima atuação coletiva da equipe comandada por Cuca. A dependência do talento individual e as dificuldades na implementação de um estilo de jogo minimamente coletivo são muito claras. Ao mesmo tempo, difícil não concluir que o Galo flertou com o perigo novamente e complicou uma classificação que poderia ter sido encaminhada sem muitos problemas. Ainda mais quando já se sabe que o Atlético-MG tem muito mais qualidade do que o Boca Juniors. Aliás, o escrete xeneize não mostrou nada além de vontade nas duas partidas das oitavas de final.

Everson poderia ter sido o vilão pela falha no gol anulado, mas se transformou no grande herói na decisão por pênaltis. A certeza que fica, no entanto, é que o Galo pode jogar muito mais do que vem jogando e que a equipe tem bola suficiente para não depender tanto de terços e de redenções como nesses últimos dias. A classificação em cima do sempre temido Boca Juniors merece sim comemoração. Mas ela deve vir junto com a reflexão mais do que necessária: o Atlético-MG pode jogar muito mais do que isso.

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