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Mobilidade, faro de gol e poder de decisão: Bruno Henrique comanda o Flamengo na goleada sobre o São Paulo

Na coluna PAPO TÁTICO, Luiz Ferreira também analisa as estratégias adotadas por Renato Gaúcho e Hernán Crespo no jogo deste domingo (25)

Luiz Ferreira
Produtor executivo da equipe de esportes da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, jornalista e radialista formado pela ECO/UFRJ, operador de áudio, sonoplasta e grande amante de esportes, Rock and Roll e um belo papo de boteco.

Crédito: Alexandre Vidal & Marcelo Cortes / Flamengo

Embora ainda seja muito cedo para se falar sobre qualquer mudança tática mais nítida, as últimas atuações mostram que o Flamengo parece outro depois da chegada de Renato Gaúcho. Talvez a principal diferença entre o time das últimas quatro partidas e o comandado por Rogério Ceni seja a postura mais leve e solta dentro de campo. E isso foi bem visível na goleada sobre o São Paulo. Não foi uma atuação coletiva das mais corretas, mas foi suficiente para quebrar o jejum de quatro anos sem vitórias sobre o adversário desse domingo (25). Difícil também não perceber que Bruno Henrique parece ter recuperado a grande forma de 2019, quando foi eleito o melhor jogador da Libertadores e do Brasileirão daquele ano. Com muita movimentação, intensidade e três gols de puro talento, o camisa 27 foi fundamental na construção da bela e importantíssima vitória sobre o time de Hernán Crespo no Maracanã.

Mas é preciso dizer que o Flamengo encontrou dificuldades no primeiro tempo diante de um São Paulo que marcava forte e por encaixe. Tudo para roubar a bola e acelerar na transição ofensiva com Marquinhos, Vítor Bueno e Gabriel Sara aproveitando os espaços que apareciam entre o meio-campo e a última linha rubro-negra e as costas dos laterais Matheuzinho e Filipe Luís. Não demorou muito para que o time comandado por Renato Gaúcho percebesse o óbvio. Era preciso se movimentar mais no terço final para arrastar os zagueiros e abrir espaços. E foi assim que o Flamengo começou a criar chances de gol depois da metade da primeira etapa, mas sempre pecando nas finalizações a gol. A mais clara delas aconteceu em cabeçada de Rodrigo Caio. Mesmo assim, era o São Paulo quem controlava mais o jogo e quem levava mais vantagem justamente por conta da marcação pesada em cima de Arrascaeta e Éverton Ribeiro.

Flamengo vs Sao Paulo - Football tactics and formations

O São Paulo entrou em campo organizado no 3-5-2 costumeiro de Hernán Crespo e tirou o espaço do Flamengo com encaixes na marcação. O time de Renato Gaúcho só começou a equilibrar mais o jogo quando os jogadores passaram a se movimentar mais no campo ofensivo e acelerar as trocas de passe.

O gol de Arboleda (em nova falha na marcação da bola aérea) logo aos dois minutos do segundo tempo até mexeu um pouco com os nervos do Flamengo. Renato Gaúcho respondeu com a entrada de Michael no lugar de Éverton Ribeiro e Hernán Crespo mandou Rigoni e Igor Gomes para o jogo com o claro objetivo de aproveitar os espaços que apareceriam na defesa rubro-negra. Só que o Fla tinha Bruno Henrique. O camisa 27 chamou a responsabilidade ao marcar três vezes em apenas oito minutos (e isso sem contar o gol anulado aos nove minutos). Dois gols saíram na forte jogada de bola aérea ofensiva do Flamengo. E o segundo (e mais bonito) nasceu da movimentação de Filipe Luís e Arrascaeta pelo lado esquerdo. Os dois atraíram a marcação de Marquinhos e Liziero e abriram o espaço que Bruno Henrique precisava para se livrar de Igor Vinícius, aproveitar a indecisão de Arboleda no bote e acertar o ângulo esquerdo de Tiago Volpi. Golaço.

Filipe Luís e Arrascaeta atraem a marcação de Marquinhos e Liziero e abrem o espaço para Bruno Henrique girar e acertar o ângulo de Tiago Volpi. O gol da virada do Flamengo nasceu da movimentação e da mobilidade que desmontou a marcação pro encaixe do São Paulo. Foto: Reprodução / TV Globo / GE

A péssima marcação do São Paulo nas bolas aéreas permitiu que Gustavo Henrique (que teve mais uma boa atuação sob o comando de Renato Gaúcho) marcasse o quarto do Flamengo e transformasse a virada em goleada. Vitinho, Thiago Maia, Pedro e Renê entraram no jogo, mas a equipe rubro-negra não diminuiu o ritmo. Bruno Henrique seguia acelerando demais pelo lado esquerdo e aproveitando a indecisão e hesitação de Igor Vinícius e Arboleda na marcação. Tanto que foi dele o passe que iniciou o lance que terminou no gol contra de Welington, o quinto do Flamengo na partida. O 4-2-3-1 de Renato Gaúcho com pontas espetados e linhas altas de marcação conseguia superar o 3-5-2 de Hernán Crespo e a forte marcação do São Paulo na base da movimentação e da alta intensidade nas transições. E isso sem falar num Bruno Henrique que voltou a ser decisivo como foi no mágico ano de 2019. Melhor para o Fla.

Sao Paulo vs Flamengo - Football tactics and formations

O Flamengo aproveitou as falhas de marcação adversária e foi abrindo espaços na defesa adversária na base da movimentação e da mobilidade. Bruno Henrique seria decisivo mais uma vez com três gols e uma das melhores atuações individuais dos últimos tempos. O São Paulo não teve forças para reagir.

Quatro vitórias em quatro partidas. Quinze gols marcados e apenas dois gols sofridos. Mudança total no clima entre jogadores e comissão técnica. Está cada vez mais claro que o grande problema do Flamengo morava nas relações interpessoais. E Renato Gaúcho vem mostrando sabedoria suficiente para aproveitar a estrutura tática deixada pelos seus antecessores pata deixar sua equipe mais forte, mais equilibrada e mais leve na base da conversa. Foi assim que jogadores antes contestados pela torcida como Vitinho, Michael e Gustavo Henrique estão dando a volta por cima e colecionando boas atuações. Ao mesmo tempo, Bruno Henrique retornou ao time no jogo contra o Defensa y Justicia disposto a recuperar o tempo perdido e as boas atuações de 2019. Já o São Paulo de Hernán Crespo pecou demais pela queda na concentração depois do gol de empate e não conseguiu acompanhar o volume de jogo do seu adversário.

No entanto, por mais que a torcida esteja empolgada com o momento da equipe rubro-negra, é preciso ter calma. O trabalho de Renato Gaúcho ainda está no início, fato que torna qualquer análise mais profunda de qualquer alteração tática feita no Flamengo. O que é certo é que o time está com outra vibração e com uma postura muito mais leve. E diante disso, é praticamente impossível não notar a subida de produção do time de Gabigol, Arrascaeta, Everton Ribeiro e (principalmente) Bruno Henrique.

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